“O que a região Amazônica pede é o acompanhamento da Igreja”, afirma cardeal Michael Czerny, secretário do Sínodo

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23 Setembro 2019

O secretário especial do Sínodo para a Amazônia, padre Michael Czerny, s.j., reivindicou a necessidade do diálogo e escuta da Igreja com as populações indígenas dessa região, considerada como o pulmão do planeta.

A reportagem é publicada por Europa Press, 20-09-2019.

“O que eles pedem fundamentalmente na região amazônica é o acompanhamento da Igreja. Eles não querem se sentir sozinhos e abandonados diante dos desafios e ameaças. É por isso que o diálogo e a escuta são importantes como forma de preparar o Sínodo”, afirmou.

Czerny, que será criado cardeal pelo papa no próximo sábado, 5 de outubro, realizou uma conferência de imprensa na Rádio Vaticano, na qual foram apresentados os eventos da 'Casa Comum', que ocorrerão paralelamente à Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos da região do Pan-Amazônica, que acontecerá de 6 a 27 de outubro no Vaticano, sob o lema 'Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral'.

Czerny, que trabalhou nos últimos anos como Secretário Adjunto da Seção de Migrantes e Refugiados do Vaticano, juntamente com o Scalabriniano Fabio Baggio, passou um mês conhecendo a realidade da Igreja da Amazônia, participando de reuniões de bispos que se preparam para o Sínodo na Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru. Assim, ele apontou que "o verdadeiro ponto de partida é o povo de Deus na Amazônia, os povos amazônicos".

Sobre a iniciativa Casa Comum, que proporá vários eventos, como exposições fotográficas na América Latina ou reuniões com povos indígenas do México ou Pápua-Nova Guiné, afirmou que seu objetivo é “ver, encontrar, aprender e descobrir aspectos da realidade do que se trata o Sínodo”.

Por sua parte, o padre italiano Antonio Soffientini, que faz parte da Secretaria Executiva da 'Amazônia: Casa Comum', indicou que será um espaço para escuta com mais de 130 encontros nos quais participarão institutos missionários, associações voluntárias católicas e organizações religiosas.

A partir desse calendário, foi destacada a nomeação de 12 de outubro, quando ocorrerá uma celebração eucarística pelo perdão e reconciliação com a Amazônia, bem como uma mini peregrinação na qual se espera a participação de todos os Padres sinodais no sábado, 19 de outubro.

Também está prevista a chegada de uma delegação da terra da floresta fluvial do Congo, considerada o segundo pulmão do planeta, para dialogar com os indígenas do México e Pápua-Nova Guiné.

Polêmica pela ordenação de padres casados

O Instrumentum Laboris - documento de trabalho - do Sínodo da Amazônia, conhecido em junho, abre as portas para a ordenação como sacerdotes de idosos casados, respeitados pela comunidade para o exercício em áreas periféricas.

Além disso, ele pede para identificar o tipo de ministério oficial que pode ser conferido às mulheres, levando em consideração o papel central que elas desempenham hoje na Igreja Amazônica.

“Afirmando que o celibato é um dom para a Igreja, solicita-se que, nas áreas mais remotas da região, seja estudada a possibilidade de ordenação sacerdotal para idosos, de preferência indígenas, respeitados e aceitos pela comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável”, se lê no documento que guiará os bispos.

O relatório de 91 páginas também pede a promoção de “vocações indígenas” para homens e mulheres como uma “resposta às necessidades de assistência pastoral-sacramental”. Por outro lado, também existem fortes queixas de corrupção na região.

A proposta de ordenar idosos casados na ausência de vocações já gerou algumas reações contrárias. Por exemplo, o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o cardeal africano Robert Sarah, considera “desdenhoso e humilhante” ordenar aos padres casados para resolver a falta de vocações na Amazônia.

“Se, por impulso missionário, cada diocese da América Latina generosamente oferecesse à Amazônia apenas um de seus sacerdotes, esta região não receberia um tratamento tão desdenhoso e humilhante que envolve fazer padres casados”, disse ele no livro 'Se acerca la tarde y el día casi ha terminado', juntamente com o jornalista Nicolas Diat e que publica na Espanha a revista Palavra.

Da Espanha, o arcebispo de Mérida-Badajoz, Celso Morga, aconselhou contra a ordenação de padres a homens casados, mesmo que se comprometam com a continência, dada a proposta do Sínodo da Amazônia de ordenar idosos casados em áreas remotas.

“Hoje existem circunstâncias para a Igreja Latina voltar à prática de ordenar homens casados, exigindo continência? Se se pensa que a Igreja tentou reduzir essas ordenações por causa de seus inconvenientes e ordenar apenas homens celibatários, não parece aconselhável restaurar uma prática obsoleta nas circunstâncias atuais”, diz o arcebispo espanhol em um artigo publicado na revista Palavra.

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