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27 Agosto 2018

"A situação não era mais sustentável e por isso a Igreja italiana decidiu abrir as portas, em respeito aos princípios expressos várias vezes pelo Papa, construir pontes e não muros". Assim Dom Ivan Maffeis, subsecretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), explicou a decisão do aceitar 100 dos 137 migrantes que ficaram a bordo do navio Diciotti. "Nós expressamos nas últimas horas - explicou Maffeis - a disponibilidade de acolher os migrantes, e o ministro do Interior a acatou, depois que só a Irlanda e a Albânia se colocaram à disposição de acolhê-los. Agora precisamos verificar as condições de saúde dessas pessoas, sua identificação, todos os passos que a lei exige". Um acordo, aquele alcançado entre a CEI e o Ministério do Interior, assinado "para pôr fim ao sofrimento dessas pessoas, no mar há dias."

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 26-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um gesto que chega depois de vários apelos do Papa Francisco em favor do acolhimento dos migrantes, que muitas vezes também denunciou o “vergonhoso crime do tráfico de pessoas". Assim como "as injustiças cometidas no silêncio, às vezes cúmplices, de muitos". Bergoglio, na verdade, sempre apontou o dedo contra a "hipocrisia estéril daqueles que não querem 'sujar as mãos'". Uma tentação que, para o Papa, está "muito presente também nos nossos dias, e que se traduz em um fechamento contra aqueles que têm direitos, como nós, à segurança e a uma condição de vida digna, e que constrói muros, reais ou imaginários em vez de pontes".

Para Francisco "diante dos desafios migratórios de hoje, a única resposta sensata é aquela da solidariedade e misericórdia; uma resposta que não faz muitos cálculos, mas requer uma equitativa divisão das responsabilidades, uma honesta e sincera avaliação da gestão das alternativas e uma gestão eficiente. A política correta é aquela que se coloca a serviço da pessoa, de todas as pessoas interessadas; que prevê soluções adequadas para garantir a segurança, o respeito pelos direitos e a dignidade de todos; que olha para o bem de seu país levando em conta aquele dos outros países, em um mundo cada vez mais interligado".

Palavras inequívocas que vieram a ser concretizadas no acolhimento, por parte da CEI, dos migrantes a bordo do navio Diciotti. "Os bispos da Sicília - tinha afirmado o bispo de Noto, monsenhor Antonio Stagliano, delegado Migrantes da Conferência Episcopal siciliana – estão se questionando sobre a necessidade de passar da reflexão à ação, menos proclamações, embora importante para sensibilizar as consciências, e mais ações pró-ativas para libertar esses nossos irmãos. Após as belas reflexões, devemos nos mobilizar imediatamente: talvez subindo no Diciotti e fazendo junto com eles uma greve de fome? Ou alguma outra iniciativa de solidariedade que manifeste a face popular de uma Igreja ativamente comprometida com este problema?”.

Sua manifestação foi endossada pelo bispo de Cefalu, D. Giuseppe Marciante, que imediatamente ofereceu a disponibilidade de hospedar os refugiados. "Não é apenas uma questão de justiça, - disse o prelado -, mas oferecer hospitalidade e acolhimento é crescer na fé: isso é o amor. Como Igreja viva, então, vamos abrir as portas da nossa diocese. Temos casas e instituições religiosas vazias, até em boas condições. Excelentes para dar acolhimento a esses nossos irmãos. Coloquemos o Evangelho de Jesus em prática". Marciante salientou ainda que "os 150 imigrantes do navio Diciotti são quase todos da Eritreia, um país entre os pobres, governado por uma ditadura brutal que coloca as pessoas na escolha entre morrer na pátria ou arriscar-se a morrer na viagem da esperança para alcançar parentes e compatriotas especialmente no norte da Europa. Somos cristãos e devemos seguir Cristo que bate à nossa porta. Devemos nos empenhar com inteligência e prudência, mas também com coragem e profecia. Ainda hoje não são vistas soluções em nível político europeu".

Da mesma opinião é o bispo Michele Pennisi, Arcebispo de Monreale e Vice-Presidente da Conferência Episcopal siciliana, que além disso reclama da UE "uma linha uniforme a aplicar em todos os casos como este, porque não é admissível que se realize uma negociação internacional para cada navio". O prelado recordou que, do ponto de vista jurídico, "existe a obrigação de salvar e acolher em mar aqueles que fogem"; do ponto de vista moral, além disso, "essas pessoas a bordo daquele navio são seres humanos, não números. Eles devem ser tratados como seres humanos". Palavras em perfeita harmonia com aquelas da Comunidade de Sant'Egidio, sempre na linha de frente com os corredores humanitários, que mostrou que "devemos buscar respostas adequadas e compartilhadas inclusive com outros países europeus; que só a adoção de medidas estruturais, tanto a nível nacional, como a nível europeu - em primeiro lugar entre todas a previsão de canais legais de ingresso, dos quais os corredores humanitários são uma das expressões possíveis - será capaz de evitar a repetição de situações semelhantes no futuro, combater o tráfico de seres humanos e pôr fim às mortes inaceitáveis no mar, que aumentaram percentualmente nos últimos meses."

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