Trump e Salvini: raiva e vingança

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25 Junho 2018

Para aqueles de nós que amavam os Estados Unidos de Bob Dylan, do Woodstock, mas também de Philip Roth, Norman Mailer, Vonnegut, Sontag, e agora se encontram diante do horror dos imigrantes dos quais são arrancadas as crianças no momento da prisão (ordem direta do presidente estadunidense) com o único propósito de causar uma dor imensa e de exercer uma crueldade sádica contra as vítimas, resta uma margem de esperança, embora limitada, em comparação com a Itália de [Matteo] Salvini [vice-primeiro-ministro italiano e ministro do Interior da Itália].

A opinião é de Furio Colombo, jornalista, escritor e político italiano, em artigo publicado em Il Fatto Quotidiano, 24-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Trump continua sendo racista, mas cede ao furor indignado do seu povo que não se calou, incluindo os rostos conhecidos de todas as TVs, incluindo uma direita de autoridade. Salvini, o homem que governa a Itália (agora já se perderam todos os rastros dos membros do Cinco Estrelas [movimento político italiano de centro]), não tem o poder de Trump. Nem Eichmann tinha o poder de Hitler.

Mas ouçam como Jeff Sessions, ministro da Justiça da Trump, se defendeu da acusação de agir como Eichmann: “Os nazistas capturavam as crianças judias por serem judias. Nós as tiramos dos pais para que aprendam que aqui não se entra”. Trump é forçado pelo seu povo a deter uma decisão louca e cruel, mas a imitação de Eichmann cresce.

Um exemplo? O Eichmann do Mediterrâneo, Salvini forçou 600 seres humanos exaustos, até mesmo ferido, até mesmo grávidas ou prestes a dar à luz, até mesmo crianças, a permanecerem no mar tempestuoso por 700 milhas (faltavam 30 para chegar à Itália).

Mas bom senso e humanidade não são os caminhos dos Eichmann. Sua missão, vivida como poder, mas também como dever, é fazer sofrer mais aqueles que não deveriam existir (agora, somam-se à lista italiana os Rom, como na vida real do Eichmann original).

O Eichmann italiano, que em poucos dias deformou o rosto do país, goza do silêncio ou do vago murmúrio daquilo que resta da política italiana e daquilo que resta da autoridade do Estado. Nestes dias sombrios, o Eichmann italiano parece estar ladeado por alguns que desejam ter um lugar na história entre os perseguidores de desesperados, os detratores dos salvadores (as ONGs ladras e mentirosas) e os narradores de histórias de complô (fake news). Esses apoiadores são de dois tipos.

Um primeiro tipo conta a você que, em breve, estará pronta a investigação com as provas que crucificarão qualquer um que tenha salvado alguém da morte no mar e que continua defendendo descaradamente que agiu assim apenas por humanidade. Alguém conhece pessoas que arriscam a vida por outros sem ganhar algo em troca?

Um segundo tipo está pronto nas ruas para afirmar que uma casinha com flores está à espera dos imigrantes que forem benevolamente persuadidos, talvez com algumas brutalidades indispensáveis, a voltarem para o lugar de onde fugiram, arriscando a vida e as crianças, pagando somas impossíveis, perdendo tudo. Retornarão, às custas imensas dos países que não os quiserem por serem caros demais, e encontrarão a ONU.

Europa e Itália, esperando por eles nos escritórios, justamente ao lado da guerrilha, por causa de cada carimbo e assistência. Mas por que eu digo que vejo esperança por parte de Trump, apesar de Trump?

Digo isso porque Eichmann, na Itália, vence quando todos se calam ou sussurram. Nos Estados Unidos, onde eu me encontro enquanto escrevo, ninguém se cala, e o desprezo pelo sadismo do presidente foi imediatamente retumbante e generalizado.

No Congresso, a maioria dos republicanos está em revolta, sem contar a oposição democrata. A esposa do presidente, com palavras muito duras, também está. Vocês já ouviram algum “leguista” humano [referência ao partido de extrema-direita italiano Liga] ou algum “cinco-estrelas” normal declarar dissidência e vergonha pelos 700 quilômetros e pelos oito dias no mar tempestuoso impostos, como punição exemplar, a pobres pessoas feridas, sofredoras, grávidas e crianças exaustas, sem qualquer outra razão no mundo?

Vocês já ouviram falar de um navio de equipes de resgate repleto de seres humanos ser excluído dos portos italianos, por causa do mau humor do ministro do Interior? Vocês estão a par da ameaça de remover a escolta de [Roberto] Saviano [jornalista e escritor italiano] por não concordar com o jogo de crueldade de Salvini?

Aqueles que com razão estremecem diante da desumanidade de Trump devem saber que, nos Estados Unidos, ninguém se calou.

Na Itália, em breve, alguns vão dizer para baixar os tons e vão avisar (se possível a partir da ex-esquerda) que não se pode comparar um ministro italiano com Eichmann. Muitos fingem que o mar fechado é legal, que as assustadoras prisões na Líbia são a solução, que o primeiro-ministro em meio turno ajeitará as coisas.

Ainda mais que a única instituição em funcionamento na cúpula do Estado italiano se cala neste momento.

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