A democracia em xeque-mate frente às fake news. Entrevista especial com Fabrício Benevenuto

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Por: Ricardo Machado | 02 Fevereiro 2018

Quando Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, em novembro de 2016, o número de compartilhamento de notícias falsas, pela primeira na vez na história, ultrapassou o número de notícias checadas e apuradas. Isso é efeito, de um lado, de robôs que provocam interações com os demais usuários das redes sociais e, de outro, de uma estratégia de marketing político. “De maneira geral é fácil detectar o robô que realiza atividades ininterruptas ou em uma velocidade que um humano não conseguiria fazer. Há vários outros indícios de que uma conta é falsa, mas também existem robôs mais avançados que conseguem imitar o comportamento típico humano”, pondera o professor e pesquisador Fabrício Benevenuto, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

Benevenuto conta que seu grupo de pesquisa produziu 120 robôs no Twitter e que depois de um mês de funcionamento apenas 38 foram identificados pelo aplicativo. Embora haja algumas discussões em termos éticos e políticos sobre o uso desses dispositivos automáticos de compartilhamento de conteúdo, a tendência, segundo o pesquisador, é que o expediente seja usado no pleito brasileiro. “Acredito que tudo o que aconteceu nos EUA vai ser explorado pelos comitês de campanha nas eleições brasileiras”, avalia.

O tempo corre e as eleições se aproximam cada vez mais sem que o Brasil esteja preparado legalmente para as mudanças que o uso de robôs e as táticas da guerra cultural trazem ao cenário político, especificamente, e à democracia em sentido mais amplo. O professor diz que é possível haver democracia na era das fake news, “mas é preciso transparência e leis severas contra as notícias falsas”.

Fabrício Benevenuto | Foto: UFMG

Fabrício Benevenuto fez a graduação, o mestrado e o doutorado em Ciência da Computação na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Ciência da Computação da UFMG.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor considera que as redes sociais, especialmente o Facebook, deixaram de ser espaços de pluralidade e diversidade para se transformarem em um terreno dominado pelo “comportamento de manada”?

Fabrício Benevenuto – Eu acredito que as redes sociais são espaços de pluralidade e diversidade e também são espaços onde as pessoas influenciam e são influenciadas. As redes sociais se tornaram tão bem sucedidas em influenciar opiniões, que passaram a se tornar armas de manipulação de opinião em massa. No final de janeiro, um grupo russo organizou dois eventos no Facebook, marcados para o mesmo local e horário, simplesmente para colocar ativistas americanos uns contra os outros. Um dos eventos era contra os muçulmanos e o outro evento defendia os muçulmanos. O resultado é que muita gente apareceu por lá e houve muita confusão. (veja a notícia, em inglês, aqui). 

IHU On-Line – Diariamente se produz e se divulga uma enormidade de conteúdos nas redes sociais, mas como diferenciar o que é informação do que não é?

Fabrício Benevenuto – Essa é a grande questão. As notícias falsas tiram a credibilidade até mesmo das notícias bem fundamentadas, gerando a impressão de que “Não se pode acreditar em mais nada”.

IHU On-Line – É possível estabelecer uma relação entre a emergência dos “digital influencers”, muitos deles sem qualquer compromisso ético ou profissional com a informação, e o crescimento dos perfis sociais fakes?

Fabrício Benevenuto – Qualquer um pode criar uma página no Facebook e se tornar um provedor de “news”. Ou seja, qualquer um pode fazer o papel de um jornalista e tentar informar os outros. Isso mexe com todo o ecossistema jornalístico e cria espaço para usuários com pouco compromisso profissional ou ético de se tornarem influentes.

IHU On-Line – Como identificar perfis falsos? Há sistemas capazes de detectar comportamentos padrões que evidenciam que determinado conteúdo é produzido por um robô ou por perfis falsos?

Fabrício Benevenuto – Existem vários artigos científicos visando detectar robôs. De maneira geral é fácil detectar o robô que realiza atividades ininterruptas ou em uma velocidade que um humano não conseguiria fazer. Há vários outros indícios de que uma conta é falsa, mas também existem robôs mais avançados que conseguem imitar o comportamento típico humano. Em um trabalho recente do nosso grupo, intitulado “Reverse Engineering Socialbot Infiltration Strategies in Twitter”, nós criamos 120 robôs no Twitter, com comportamentos completamente diferentes. Após um mês em execução, apenas 38 foram detectados pelo Twitter.

IHU On-Line – Nos EUA, há uma semana das eleições que elegeram Trump, o número de compartilhamento de notícias falsas ultrapassou o das notícias apuradas e checadas por profissionais. Este ano, em que haverá eleições presidenciais no Brasil, estamos diante de que tipo de riscos?

Fabrício Benevenuto – Estamos diante de um risco, sim. Acredito que tudo o que aconteceu nos EUA vai ser explorado pelos comitês de campanha nas eleições brasileiras.

IHU On-Line – Ainda é possível falar de democracia na era das fake news? Se sim, de que ordem é esta democracia?

Fabrício Benevenuto – Eu acredito que sim. Mas é preciso transparência e leis severas contra as notícias falsas.

IHU On-Line – Como o senhor vê a proposição de leis para que plataformas como Facebook e Twitter tenham maior transparência e regulação sobre os usuários e os conteúdos postados? É possível ajustar isso sem ferir o direito à privacidade?

Fabrício Benevenuto – Eu acho que são necessárias e têm que ser feitas com cuidado para não afetar principalmente a liberdade de expressão. A dificuldade aqui é dar autoridade a um governo para regulamentar o que pode e o que não pode ser dito nas redes sociais, coibindo também o discurso livre.

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