Nicarágua. Ortega celebra a morte do sandinismo, substituído pelo orteguismo

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19 Julho 2018

Na sua consciência pesam pelo menos 350 mortes de 19 de abril até hoje.

O comentário é publicado por Il sismografo, 18-07-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na terça-feira, em Manágua, Daniel Ortega comemorou com sua esposa Rosario Murillo - e alguns milhares de nicaraguenses trazidos às ruas por forças pró-governamentais – os 39 anos desde que a então Frente Sandinista derrubou pelas armas a ditadura de Anastacio Somoza, colocando fim a uma das famílias ditatoriais dinásticas mais odiadas e corruptas da América Latina. Naquela ocasião, do Rio Grande até a Patagônia, um único grito de liberdade uniu os povos, as civilizações, as etnias, as culturas, as nações e as religiões da região latino-americana. Um verdadeiro triunfo de povo.

De tudo isso hoje não resta mais nada, como testemunha o caos e a repressão do povo da Nicarágua: o sonho de liberdade com o passar dos anos se transformou em um pesadelo terrível. Gradualmente, o projeto sandinista - liberdade, igualdade, justiça - foi transformado por Daniel Ortega e seus colaboradores, entre os quais muitos parentes, em um regime cada vez mais totalitário, apoiado por um pequeno e poderoso enclave militar, corrupto e enriquecido através do contrabando (como fazia o ditador Stroessner no Paraguai) e com duplos salários.

Em apenas três meses de protestos e manifestações, contra a fome, a pobreza e a corrupção, os mortos que pesam sobre a consciência de Daniel Ortega e de sua esposa são mais de 350, incluindo algumas dezenas de adolescentes, garotos e até crianças. (As histórias de 19 jovens assassinados).

E no centro dessa tragédia continental, sempre ele, Daniel Ortega, o obscuro líder sem carisma, medíocre e vaidoso, que agora pretende comemorar o aniversário de um evento histórico que ele distorceu e esvaziou com suas ambições ditatoriais. Ontem os manifestantes, já sem o mínimo entusiasmo de participar de um evento encenado e hipócrita, tiveram que assistir à última provocação da nova dinastia no poder: os Ortega.

Do palco das celebrações ouviram a senhora Murillo definir o evento de "dia de alegria, pois o povo da Nicarágua está recuperando a paz e a segurança. É preciso – acrescentou ela – retomar a nossa liberdade com as forças que nos dão a dignidade, os caminhos do bem comum e aqueles de generosidade e da solidariedade". Depois a senhora Murillo, Vice-Presidente e Coordenadora do Conselho para a comunicação e a cidadania, quis exortar a todos "para trabalhar pela paz, pela reconciliação, pela vida e pela libertação do território."

A senhora Murillo não disse nada a respeito da grave crise que vive o País nos últimos três meses; sobre as centenas de mortes injustas e gratuitas; sobre as dezenas de casas particulares, igrejas e sedes dos organismos comunitários incendiadas por grupos paramilitares. A vice-presidente falou genericamente das “desgraças causados por uma minoria do ódio” e concluiu dizendo: “Como quer o presidente Daniel Ortega, mais cedo ou mais tarde, o sorriso voltará a iluminar todas as famílias nicaraguenses".

Essas palavras parecem confirmar os rumores que há alguns dias circulam no país e que foram repercutidas pela imprensa local: Daniel Ortega estaria preparando o terreno para começar sua dinastia política, ou seria melhor dizer ditatorial, confiando à sua esposa Rosario Murillo o futuro dessa sucessão. Seria o cúmulo do paradoxo para esse personagem, que terminaria sua parábola política realizando as mesmas escolhas daqueles caudilhos que havia combatido no início de sua carreira antisomozista.

Brutal ataque paramilitar al barrio Monimbó de Masaya

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