Nicarágua. Um novo massacre paramilitar abala as negociações em Manágua

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18 Junho 2018

O dono da casa incendiada em que morreram seis pessoas, um pregador evangélico, havia se negado a emprestar a parte superior do prédio para o posicionamento de franco-atiradores. Dois homens também foram baleados e depois incendiados.

A reportagem é publicada por Página/12, 17-06-2018. A tradução é de André Langer.

A retomada da mesa de diálogo entre o governo da Nicarágua e a oposição viu-se manchada no sábado por novos atos de violência no país, entre eles a morte de pelo menos seis membros de uma família em um ataque em que sua casa foi incendiada na capital.

O incêndio, que matou pelo menos quatro adultos e duas crianças, ocorreu na manhã do sábado em um estabelecimento de três andares, que servia como moradia e fábrica de colchonetes de espuma, cujo material é altamente inflamável, localizado no Bairro Carlos Marx, em Manágua. De acordo com a versão de moradores da área, recolhida pelos bombeiros, criminosos encapuzados jogaram coquetéis molotov na casa, o que causou o incêndio que se espalhou rapidamente, e ameaçaram a família com tiros caso deixassem a casa enquanto ela queimava em chamas. Parentes das vítimas explicaram à imprensa local que a causa do ataque foi que o dono da casa, um pregador evangélico, recusou-se a emprestar a parte superior do prédio para posicionar franco-atiradores. Perto do incêndio, dois homens também foram assassinados a tiros e depois incendiados em plena rua.

O chanceler e chefe da delegação do governo, Denis Moncada, leu um informe policial e tomou distância em relação aos acontecimentos atribuindo o incêndio a grupos de homens encapuzados que, de acordo com ele, vinham vigiando a área e lamentou que se continue a tirar a vida de cidadãos.

Entretanto, o produtor rural Michael Healy, membro da Aliança Cívica, acusou a polícia e grupos paramilitares de serem os responsáveis pelos acontecimentos e disse que as provas eram suficientes e que estavam em todas as redes sociais. “Peço ao governo para parar a repressão de uma vez por todas; é isso que as pessoas estão pedindo e é isso que vocês devem garantir ao povo”, respondeu Healy.

Os acontecimentos foram centrais, no sábado, na chamada mesa de diálogo nacional. As conversas recomeçaram na sexta-feira entre o governo e a Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia, representada por empresários, membros da sociedade civil, camponeses e estudantes universitários, mediadas pela Igreja Católica, para tentar resolver a crise que está abalando o país há quase dois meses, nos quais pelo menos 200 pessoas morreram, a grande maioria estudantes, camponeses e manifestantes da oposição. No sábado, foi decidida a formação de três comissões de trabalho.

Uma das comissões, a de verificação e segurança, ficará encarregada de garantir a cessação da violência e a retirada das barricadas que os camponeses colocaram para cortar as rodovias do país após o início dos protestos, em 18 de abril passado.

Enquanto isso, a comissão de democratização discutirá a renúncia do atual tribunal eleitoral, acusado de fraude pela oposição, e a preparação de eleições gerais para 31 de março de 2019, que antecipariam as eleições presidenciais previstas para 2021.

A terceira comissão, a judicial, trabalhará na questão da renúncia e substituição dos atuais magistrados do Supremo Tribunal de Justiça, indicados de favorecer Ortega com suas ações.

O bispo de Matagalpa (norte do país), dom Rolando Álvarez, informou que o diálogo continuará amanhã [segunda-feira]. No entanto, o chanceler Moncada advertiu: “Não aceitaremos imposições que quebrem o ordenamento jurídico e as regras do jogo estabelecidas para mudar governos através de eleições”, disse Moncada, referindo-se às exigências da oposição, que exige a renúncia de Ortega.

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