A “caridade dos bilionários”: uma mensagem ao Papa Francisco

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27 Março 2021

“O que deveríamos dizer hoje dos povos do norte enriquecidos à custa dos povos do sul? 'Oito Midas' transformam em ouro tudo o que tocam, enquanto metade da humanidade está à deriva. Quem fez as regras do jogo poderia imaginar que eles chegariam a ter um poder quase infinito em suas mãos? Quem são? Deuses? E quem deu a eles esse poder? A economia de livre mercado ou o mercado de livre delito de exploração e de acumulação? Se as regras do jogo produzem oito vencedores sobre 3.6 bilhões de vencidos, a verdadeira derrotada não é a racionalidade, o bom senso? Quem mais do que nosso pai defendeu a sacralidade do suor humano? Por que Cristo nunca deu uma palavra de louvor para o benfeitor, o rico, o patrão?”, escreve Fausto Marinetti, em artigo para a coluna “Rumo a Assis: na direção da Economia de Francisco”. 

Fausto Marinetti é licenciado em teologia pastoral, e, como se auto-define, compartilha a vida com os marginalizados. Foi assistente e confidente (1969-79) de Dom Zeno Saltini, fundador da comunidade Nomadelfia. É autor dos livros “Dom Zeno, a heresia do amor” (Borla, 2000) e “Caro Francesco” (Tau, 2018), escrito pelo 70º aniversário da Constituição do povo de Nomadelfia, o qual compartilha alguns fragmentos neste artigo.

 

Eis o artigo.

 

Francisco, enquanto os grandes economistas do mundo se reuniam em Davos, a Oxfam revelava que as oito pessoas mais ricas do planeta possuem os mesmos bens que os 3,6 bilhões mais pobres. É lícito confiscar para si o que é supérfluo para alguns, mas indispensável para povos inteiros? A sociedade coloca-os no pódio dos campeões. Cristo, onde os coloca no juízo final?

Zeno declara: "Somos escravos e nossa presença, pela lei da extrema necessidade, anula o direito de propriedade pública e privada, e o condena como um roubo, sendo para nós um privilégio imoral e uma evidente subtração" (9.11.1953). "Ligados a uma concepção pagã de riqueza, não implementamos Cristo no campo social. As massas estão contra nós, porque não sentiram em nós a sua presença. Assim, a Igreja submerge, a cruz flutua porque é de madeira. Estamos divididos, cada um vive sua santidade, cada um canta sua canção de salvação do mundo; enquanto isso há somente uma realidade plangente: a autoridade de Cristo confiada a homens que são muitas vezes mais pecadores que nós. O sal não salga e o povo volta a ser pagão nas obras, porque o próprio clero também já é, e já fede. Será que Cristo quer ressuscitar este novo Lázaro ou pensará de se servir das vítimas? Eis o dilema do nosso século" (para Don Calabria, 22.11.1949).

Somos filhos de quem aspirava morrer na praça com uma escopeta, talvez narrando a parábola do rico na versão global: "Façam dois montes: de um lado os povos enriquecidos, do outro os povos empobrecidos". Não era um seguidor do sonho daquele que se atreveu a dizer em praça pública: "Ai de vós ricos. É mais fácil que um camelo. Afastem-se de mim, malditos!"? Hoje, grita isso pela boca de 3,6 bilhões de depauperados. “Filho do homem, um pouco de moderação, por favor! É realmente necessário amaldiçoar os ricos para nos fazer entender o que você pensa? Não era suficiente algum sinal? Vamos lá, não exagerem! Queremos saber se seremos julgados seja como indivíduos quer como povos. E então, você, tão complacente, no final não fará uma anistia geral?”. "De maneira nenhuma: entreguei o julgamento aos pobres... se arranjem com eles". Os povos que não têm nada sussurram à alma da Europa cristã: "Vocês foram os primeiros convidados a participar do banquete da fraternidade global e hoje jogam 30% da comida no lixo". É a hora dos povos das periferias?

Quando o professor de teologia desafiou o jovem Zeno: “Você pensa em salvar o mundo?”. Ele respondeu, batendo com o punho na mesa: “Sim, estou aqui para isso”. Hoje é Bill Gates que diz que quer mudar o mundo: to change the world. Você nos roubou a profissão e a bandeira. Porém faz o papel do benfeitor, porque você está cansado de contar os 84 bilhões de dólares, não sabe mais como gastá-los, está entediado em ser o bilionário? Você se inspira num vago sentimento religioso. Lembre-se que, segundo o juízo universal, para ver a fome e a sede é suficiente ser humano, não é necessária nenhuma religião. Trata-se de justiça, não de caridade. Se a injustiça implica uma condenação e uma punição eterna, isso significa que é um crime a ser perseguido pelo próprio Deus. A caridade não pode ser imposta por lei, senão não é mais amor. Pela justiça, somos obrigados a satisfazer as necessidades do irmão, seja como indivíduo que como povo.

Zeno se perguntava: “Onde está Cristo neste mundo animal? Certamente no faminto, no prisioneiro, como nosso juiz, porque não cuidamos d'Ele”. “O rico é golpeado por Deus, porque subtrai o necessário aos outros, portanto os mata. Jesus não tem piedade dele, não faz cerimônias: “Você acumulou, não usou os bens com justiça? Afaste-se de mim, maldito”!

Em 2008, a Fundação Bill & Melinda Gates investiu 41 bilhões de dólares em filantropia. Se você sente a necessidade de devolver metade do patrimônio, acha que a outra metade está isenta da luxúria do lucro? Ou é toda sã ou é toda doente. Em Davos, propõe o capitalismo criativo: o lucro seja também para o benefício dos pobres. Em 2016, a lista de benfeitores bilionários chega a 154. Com uma mão vocês ajudam os pobres, com a outra os exploram, ajudando o sistema a produzi-los. Como não ser funcionais às leis econômicas feitas para produzir enriquecidos de um lado, empobrecidos do outro? Os ricos advertem que em seus lucros estratosféricos há algo que não funciona. Como justificar assim tanto dinheiro juntado tão rápido? Indigestão de natureza social?

Há quem os justifique: “Deveríamos nos indignar com aqueles que deram trabalho a milhões e milhões de operários? (...) O elemento enganador é a insinuação de que os dois extremos têm um nexo (...) infelizmente a realidade é mais complicada e o que empurra para a miséria bilhões de pessoas não é a maldade dos super-ricos, mas uma série de circunstâncias relacionadas à política e economia dos lugares em que vivem” (Il fatto quotidiano, 24.1.2017). E se a maldade estivesse nas regras do jogo? Como conseguiram acumular tanto?

Falava Zeno: “Um ganha milhões por mês, o outro nem o pão. O Governo usa a lei para impor injustiça, defender os opressores. É tirania. A escravidão não acabou: onde há um só homem com fome, há escravidão; onde é comprado e vendido por outro homem, é aberração social” (6.2.1950). As regras favorecem alguns às custas de muitos. Quais são as raízes que produzem as aberrações das virtudes capitalistas exercidas em grau heroico? Livre concorrência - Quanto mais você produz, mais ganha – interesse pessoal – Quem faz por si mesmo, faz por três. Vocês, santos da perfeição capitalista, fazem também por aqueles 3,6 bilhões de ineptos, incapazes de acumular, especular sobre a pele dos outros. Não é a economia de mercado o monstro das oito cabeças? Se o pobre estivesse no lugar de vocês, fariam o mesmo? Joãozinho Trinta, um carnavalesco, o sintetiza de forma lapidar: É o pobre que gosta de luxo!

Bill cria dificuldades. Restituir em beneficência é um dever humaníssimo, mas o seu lucro não pertence por direito a quem tem menos? A esmola não deixa de ser menos degradante, porque feita em escala planetária com a ambição de erradicar a pobreza, a malária, a AIDS, etc. Libertar do subdesenvolvimento é um imperativo categórico. Entretanto, em uma sociedade que anula o conceito de justiça, necessariamente produz os santos da beneficência. Conseguimos criar a cultura da caridade, fazendo-a passar como justiça. O que te custaria dizer que se trata de justiça e não de esmola? Teus fãs se insurgem: por que enfiar a lâmina da crítica em um coração tão generoso? Precisa ir ao cerne do problema, que é o coração do sistema: o relacionamento humano. Se não houvesse povos patrões e povos servos, especuladores e explorados, opressores e oprimidos, ainda precisaríamos de um Bill Gates e seus emuladores?

Bill Gates, o seu sonho, To change the world!, é o sonho de todos. Você acredita que o dinheiro tem o poder de mudar o coração humano? O pobrezinho de Assis comoveu o mundo, cuspindo no dinheiro do seu pai e também nos dos ricos de hoje. Pode-se comprar um homem, pode-se comprar um espírito encarnado? O beneficiário será capaz de admirar a generosidade, mas nunca os sentirá como um igual. Se você está no topo e nós no porão da história, como podemos nutrir sentimentos de paridade? Vê-se pelas fotos de lembrança, que você se veste como seus beneficiários. É inútil, você é diferente: você pode, nós não podemos. Você tem, nós não temos. Você é admirado, invejado, etc. E nós? Diga tudo: é cômodo aumentar o poder aquisitivo dos pobres para torná-los consumidores. E os teus investimentos em companhias petrolíferas, na pesquisa farmacológica, no agronegócio? É toda santa a tua generosidade ao financiar as multinacionais, que exploram os pobres? Isso não diminui tua auréola de santidade, para os miseráveis são suficientes as tuas graças e te serão gratos para sempre. Rezarão a ti, não mais àquele deus lá em cima que observa seus Calvários sem mover um dedo. Bill, deus dos pobrezinhos, faz-nos a graça da saúde, do trabalho, do salário no final do mês.

O povo de Nomadelfia, isento do crime social, seria o mais indicado para defender seus povos irmãos. Zeno responde ao anarquista: “Não mais patrão, não mais servo”. Hoje, através da boca de seus filhos, diria: “Não mais povos patrões, não mais povos servos”. É necessário ver com a alma o horror de ser povos patrões, que reduzem os povos servos a meios de produção, máquinas caça-níqueis do prazer de ganhar dinheiro. Ele diz: “Se por um momento eu sonhasse em estar sob patrão, eu morreria de desgosto. Deus escolheu um menino que cuspiu na face da riqueza, no patrão que é um ladrão”. O suor de um povo pago por quilo, como o de um burro de carga, ou da prostituta que se vende. Um anarquista obriga o patrão a olhar para suas mãos ensanguentadas. Os camponeses que roubam o “mosto” (vinho novo) do seu pai lhe revoltam as entranhas da alma. Lhe fazem sentir que tem o poder de demitir famílias inteiras. Olha-se no espelho e fica horrorizado: sanguessuga, explorador, prostituto do suor humano. O irmão 'assoldado' (que oferece seu serviço por dinheiro), chantageado, coisificado. “Os dez mil operários da fábrica da Fiat, por exemplo, são como dez mil chaves de fenda para produzir riqueza”. Povos inteiros reduzidos a meios de produção para o enriquecimento de outros povos. A automação prejudica o mundo do trabalho para torná-lo supérfluo? E a epopeia do mundo operário, a mística do trabalhador? A classe operária poderá ser aposentar? A mais-valia vai ser posta no sótão? A luta de classes será reduzida aos riquíssimos e ao despossuídos. O façam dois montes estará entre os oito tubarões e o grupo incontável de peixinhos. O novo conflito é entre povos enriquecidos e povos empobrecidos. Dá vontade de dizer aos ‘oito Rambos’ da economia: “Qual o segredo da multiplicação de capitais? Alguns restituirão parte dos roubos. Mas sua caridade não é um desvio da justiça? A vocês, a honra de dar, aos miseráveis, a vergonha de receber. Seria necessário uma glória de Bernini apenas para vocês, que exercitaram de maneira heroica as virtudes capitalistas. E depois santuários onde implorar vossas graças, seguir seus exemplos. Não existe uma teologia da prosperidade que invoque as bênçãos celestiais sobre vocês e seus filhos até a bilionésima geração?”.

Em 1951, o Congresso de Nomadelfia propôs ao Santo Ofício questões perturbadoras sobre o uso dos bens: “Precisa remover o mal-entendido de que a Igreja é uma mistura heterogênea de quem observa o preceito do amor e de quem se comporta como pagão mesmo dizendo de professar a fé. A presença dos pobres, vítimas involuntárias da injustiça, é um crime social contra o Espírito Santo. É um pecado individual para todos os católicos, que não se tornam pobres com os pobres por amor sobrenatural. Se não são oprimidos, são opressores por omissão, porque rejeitam o amor um pelo outro. ... Pedimos que sejam condenados como pecadores públicos e hereges todos os católicos no poder; a condenação de católicos e eclesiásticos que abusam da riqueza” (julho de 1951).

“Se a Igreja nega os sacramentos às concubinas, porque não decide impor conscientemente a justiça distributiva aos católicos? ... Acredita que Cristo pode suportar as injustiças feitas em seu nome aos filhos sofredores? ... Se reagem tão violentamente a uma pregação sobre a justiça é sinal de que estão fora da Igreja” (27.6.1951). A ponto de chegar a dizer: “O papa deve excomungar todos nós, incluindo ele mesmo, para abrir um ano santo de penitência durante o qual em São Pedro, antes ele e depois nós, fosse firmado um novo pacto: jurar nunca mais oprimir os pobres, ou melhor, nunca mais gerar os pobres e fechar a porta do templo na cara de quem não dá a vida para se por em pé de igualdade com os oprimidos” (27.12.1949).

O que deveríamos dizer hoje dos povos do norte enriquecidos à custa dos povos do sul? Oito Midas transformam em ouro tudo o que tocam, enquanto metade da humanidade está à deriva. Quem fez as regras do jogo poderia imaginar que eles chegariam a ter um poder quase infinito em suas mãos? Quem são? Deuses? E quem deu a eles esse poder? A economia de livre mercado ou o mercado de livre delito de exploração e de acumulação? Se as regras do jogo produzem oito vencedores sobre 3.6 bilhões de vencidos, a verdadeira derrotada não é a racionalidade, o bom senso? Bill, seu joguinho funcionou às mil maravilhas: você manteve os royalties das patentes. A IBM pagava os direitos a um jovenzinho e assim você alcançou a montanha da beatitude de 84 bilhões de dólares.

Quem mais do que nosso pai defendeu a sacralidade do suor humano? Por que Cristo nunca deu uma palavra de louvor para o benfeitor, o rico, o patrão? “Eu cuspi na cara da riqueza, do patrão que é um ladrão”. “Não pode se dizer cristão e tornar-se um benfeitor de seu irmão. Nem pode pretender fazer o bem dando trabalho ao desempregado. Quem te autoriza a usar o trabalho de seu irmão como o de um animal de carga? Pode usar o seu suor para enriquecer, acumular, aproveitando-se de suas habilidades, que são de Deus?” (Heresia do amor, 45). E a sua versão da parábola dos vinhateiros? “Não há paridade de matéria entre trabalho e remuneração. Não se mede o trabalho como se fosse mercadoria. Todos trabalham as horas que podem trabalhar e todos recebem o necessário para viver. Para que serve o excedente? Deus daria talentos e dons para reduzir os outros a meios de produção? E quem não pode trabalhar nem mesmo uma hora, como os inválidos e as crianças?” (Heresia do amor) “O homem se move por algo superior, segundo sua natureza de espírito encarnado. O trabalho humano não é mercadoria, não é objeto de compra-venda, senão se reduz à mesma relação que existe entre um libertino e uma prostituta: um comércio no qual não existe igualdade de matéria” (Sede de justiça, 52). “A terra e as matérias-primas não têm dono, o trabalho é um dever sagrado. Em uma sociedade que respeite as leis da natureza, os ricos e os capitalistas não devem existir, porque ou são parasitas ou são especuladores. E nem mesmo os pobres. Haverá pródigos e preguiçosos para reeducar. Para os católicos, o amor não exige coisas às quais tem direito. Portanto, em favor das vítimas, devem dar bens e vida e lutar em campo político, para que se implemente a justiça. Não pregá-la sem as obras, mas se pôr em pé de igualdade com os oprimidos, tornando-se oprimidos com eles. Quem não se torna irmão do sofredor, ilude-se de amar. Enquanto não realizarmos o perfeitos na unidade, o mundo nunca vai entender Cristo e a Igreja. Falar de unidade espiritual e doutrinal, quando não há co-divisão dos bens, é absurdo e farisaico ... Não aceitamos pactos com nenhum sistema político injusto. Esta é a penitência: fazer as contas. A hora trágica do mundo exige uma reforma radical. A arca da fraternidade humana é utópica? Para eles é utopia tudo o que oferece uma solução social; preferem que o doente permaneça doente” (Depois de vinte séculos).

Governos, instituições filantrópicas, centros de pesquisa, ONGs, todos ajoelhados aos pés de Bill para obter subsídios. Só você, hoje, pode fazer milagres! “Não há outro Bill além de mim!” Qual é a sensação de ser o onipotente dos povos miseráveis? Primeiro você goza, aos 39 anos, de ser celebrado como o homem mais rico do mundo. Depois, você percebe que algo não está funcionando e dá vontade de cuspir naquela riqueza acumulada às custas dos pobres. Antes você comprou o suor de seu rosto e agora, com beneficência, compra-lhe o suor de sua alma? Explorados duas vezes, para que tu possas gozar a satisfação de ser o deus deles, concedendo graças e favores, maravilhas e milagres para todos. Viva Bill, viva o protetor dos miseráveis!

Onde estão os Marx, os pregadores da justiça: “Povos roubados do mundo inteiro, uni-vos! Recusem a esmola, a humilhação daqueles que usam vocês como cobaia para o enriquecimento material e, agora, não suficiente, quer ter o prazer do seu enriquecimento moral. Primeiro devoraram suas carnes, agora suas almas. Insaciáveis tubarões”.

Quem irá convencê-los de crimes contra a humanidade? Quem terá a coragem se o público global os celebra como super-heróis? Eles fazem o que nem Cristo conseguiu fazer: não alimentam milhares de pessoas, mas milhões e milhões. Caridade de bilionários!

 

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