Economia de Francisco e Clara em linguagem acessível, elucidativa e popular. Nota de Frei Marcelo Toyansk Guimarães

Tela de Kassio Massa, Arquiteto, urbanista e artista visual com graduação pela FAU Mackenzie, e mestrando na mesma universidade. Atua com desenho, fotografia e meios digitais.

23 Dezembro 2020

Diante da destruição ambiental, do desemprego crescente, da fome voltando, do desmonte dos direitos… enquanto a riqueza cada vez mais nas mãos de poucos, o Papa Francisco vem dizer ser urgente “repensar” essa economia que mata e depreda, inspirando-se, para isso, em Francisco de Assis, por meio de um grande encontro, que tem sido um movimento mundial, chamado por ele de “Economia de Francisco”. No Brasil, alguns frades capuchinhos da “Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara” elaboraram um panfleto para tornar mais acessível e em uma linguagem popular esses desafios da atual situação crítica econômica, dialogando igualmente com Francisco de Assis.

O panfleto, que contou com 40 mil impressos e ampla divulgação on-line, pode ser utilizado em grupos para refletir e propor iniciativas por uma nova economia. Pode ser também um subsídio a diversos espaços e provocar uma nova visão da economia, denunciando que os grandes bancos vêm sugando, através de elevados juros, a economia das famílias, das empresas e do Estado, engessando toda a economia, como bem elucida o economista Ladislau Dowbor em seus livros e conferências. Não é simplesmente o desvio de verbas de políticos que tem afundado a economia brasileira, muito antes são os juros usurpadores de intermediários financeiros, que sugam trilhões sem produzir praticamente nada, nem gerar empregos, como bem mostra, por imagens e textos, o nosso panfleto.

O texto é de frei Marcelo Toyansk Guimarães, OFMCap (Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Capuchinhos do Brasil) e a arte de frei Cássio Augusto Almeida, OFMCap, com a revisão dos economistas Ladislau Dowbor e Odilon Guedes, em artigo para a coluna "Rumo a Assis: na direção da Economia de Francisco".


Imagem: Panfleto de divulgação do evento "Economia de Francisco".

Eis o texto.

 

Economia de Francisco e Clara

Economia de Francisco” é o grande encontro e articulação convocados pelo Papa Francisco para “repensar” a atual economia que destrói o meio ambiente, aumenta o desemprego e a pobreza e concentra a riqueza cada vez mais nas mãos de poucos super-ricos. Este Encontro ocorreu em 19-21 de novembro de 2020, na modalidade on-line, junto com o Papa, que o chama de “Economia de Francisco” em referência a Francisco de Assis, e ano que vem acontece presencialmente, em Assis, Itália. Para tanto, o Papa convoca a todos para uma economia mais justa, sustentável e sem exclusão de ninguém. É uma proposta de sobrevivência, pois a economia atual está levando o Planeta e a humanidade ao colapso.

* Hoje a riqueza do mundo poderia propiciar a toda família, no Planeta, renda de 12 mil reais por mês! Mas 800 milhões de pessoas passam fome no mundo e 6 megabilionários têm a mesma riqueza que 3,5 bilhões de pessoas! Não é simplesmente a pandemia que está trazendo a pobreza e desemprego crescentes, mas o acúmulo da riqueza nas mãos de bilionários, que mesmo neste tempo de pandemia estão se enriquecendo.

* No Brasil, hoje, as famílias pagam 100% de juros ao ano nas compras a prazo (na Europa, são de 5%). São mais de 60 milhões de endividados em nosso país!

* No Brasil, para as empresas, os juros são de 50% ao ano (na Europa, são de 2%)!

* Famílias e pequenas empresas, assim, pagam R$ 1 trilhão de juros ao ano aos bancos (www.dowbor.org).

* O Estado brasileiro, por meio dos juros da dívida pública (com inúmeras irregularidades), paga anualmente mais R$ 1 trilhão aos bancos e aos aplicadores do mercado financeiro, 40% de toda a receita do país (www.auditoriacidada.org.br)!

* O dinheiro está muito concentrado nas mãos dos banqueiros, as famílias não conseguem comprar, as empresas não vendem, o Estado não investe: aqui está a crise do Brasil!

* Nos últimos 7 anos, o número de bilionários triplicou no Brasil. Em 2012, eles possuíam R$ 340 bilhões e hoje têm R$ 1,2 trilhão. E no início da pandemia, o governo, através do Banco Central, repassou, escandalosamente, mais de 1 trilhão aos bancos e o sistema financeiro, sem praticamente nenhuma contrapartida (www.auditoriacidada.org.br)!

* Esses bilionários não produziram nada a mais, nem geraram empregos, só sugam a riqueza pelos altos juros. Eles retiram esse dinheiro dos impostos e dos pobres, com graves cortes na saúde, educação, aposentadoria e habitação!

Por outro lado, o dinheiro, quando está no meio do povo, circula muito, as famílias compram e usam serviços, gera empregos, o Estado arrecada mais e isso tudo desenvolve o país. O Papa, por isso, diz ser urgente “trazer alma” às relações econômicas, pois, do jeito que hoje elas estão, matam as pessoas e devastam o Planeta. Uma nova economia requer uma grande mudança no pensar, com o ser humano e o meio ambiente no centro das preocupações. Diante de tudo isso, não podemos aceitar o desmonte das políticas públicas. Precisamos promover economias solidárias e bancos comunitários, organizar articulações locais e regionais, lutar pela distribuição de renda e justiça social e, assim, participarmos da Economia de Francisco e Clara.

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