Padres pedófilos? Eles devem ser trancados em conventos 'ad hoc'. Entrevista com Marco Tasca, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais

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03 Outubro 2018

Quando o Vaticano pune os padres culpados de pedofilia e os reduz ao estado laical, deveria levar em consideração que essas pessoas que voltam à circulação em trajes civis podem ainda prejudicar as crianças. Um perigo muito elevado. A reflexão vem da cúpula dos franciscanos pertencentes aos Frades Menores Conventuais. O padre Marco Tasca, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais, apoia o trabalho que o Papa Francisco está fazendo para combater o fenômeno dos abusos e elogia a convocação das Conferências Episcopais para fevereiro, mas pede a elaboração de novas medidas restritivas.

A entrevista é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 02-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

O senhor, como responsável por uma ordem religiosa que tem mais de 4.000 frades no mundo, quantos casos de pedófilos teve que enfrentar?

Desde que estou aqui, ou seja, há 12 anos, lidei com cerca de vinte casos. Destes casos apenas três eram italianos.

Eles foram denunciados à polícia?

Não, porque existem normas muito específicas na Igreja. Desviei-os para a Congregação da Fé onde existe um tribunal específico. Logo que recebia uma sinalização interna, imediatamente encaminhava uma pesquisa para uma verificação inicial, depois apresentava o caso ao conselho e depois ao Vaticano. Sempre foi um processo muito rápido. É importante agir com rapidez inclusive para respeitar as vítimas.

Desses vinte casos, quantos foram punidos pelo Vaticano?

Todos. Dos italianos apenas um foi sancionado apenas com algumas medidas comportamentais. Os outros foram todos exclaustrados, reduzidos ao estado laical.

Vocês publicaram em algum lugar, talvez em seu site, de acordo com os princípios de transparência, o resultado do processo do Vaticano?

Nunca divulgamos nada publicamente, apesar de termos imediatamente notificado as vítimas. O tema da publicação é algo muito complicado, porque nos casos que tive que enfrentar, as próprias vítimas não queriam de forma alguma que houvesse publicidade. Eles repetiam para mim: eu não quero que meu nome apareça. Nesses casos, o que você deve fazer? Em minha opinião, a principal proteção deve ser dada às vítimas.

Qual é o procedimento seguido internamente para a punição do culpado?

Se uma sinalização chegar até nós, passamos ao nosso Procurador que conduz uma investigação. O passo sucessivo é o Conselho, que tem a tarefa de avaliar e depois o tribunal do Vaticano, onde o processo é instruído.

Você antes me perguntou se eu as havia denunciado às autoridades italianas. A Santa Sé e a Conferência Episcopal Italiana deixaram claro que, pelo menos em Itália, onde a lei civil não o exige, a denúncia deve ser feita apenas no Vaticano. Talvez algo precise ser revisto, mas respeitando o sigilo confessional, que não pode ser violado.

Em sua opinião, a Igreja de Francisco está indo na direção certa?

O Papa fez muito bem em convocar as Conferências Episcopais para fevereiro. É oportuno falar e padronizar os comportamentos. Todos nós sabemos que a pedofilia hoje é um problema global e que 80% dos casos acontecem na família. No entanto, quando isso acontece com um padre é algo horrível, significa que algo não funciona em nossa comunidade. Isso significa que na formação dos sacerdotes precisamos fazer muito mais.

O que, por exemplo?

Trabalhar muito mais na seleção. Mas também há outro aspecto sobre o qual me questiono. Se um padre for considerado culpado pelo tribunal do Vaticano, embora seja reduzido ao estado laical, não deveria ser deixado solto, mas deveria ser destinado a um convento ad hoc, um lugar onde mantê-lo para que ele não possa voltar a circular para cometer mais crimes. Um lugar protegido. Eu não concordo com o fato de que após o processo os culpados sejam realmente liberados. As reincidências podem ser altas. Eles são doentes psíquicos que devem ser tratados e não podem ser colocados em contato com as pessoas. Os riscos, em minha opinião, são elevados e devemos pensar na proteção das crianças.

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