Nicarágua. Bispos rezam oração de exorcismo contra os ataques no país

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18 Julho 2018

Como os ataques contra o clero católico continuam, e os manifestantes antigoverno são cercados pela polícia e paramilitares, os bispos disseram que realizaram uma oração de exorcismo. Segundo eles, o dia 20 de julho seria de oração e jejum como um ato de expiação, pela profanação realizada nos últimos meses contra Deus. Nesse dia, "rezaremos a oração do exorcismo a São Miguel Arcanjo", afirmaram.

A reportagem é publicada por Catholic News Service, 17-07-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Em 15 de julho, o veículo do bispo Juan Mata Guevara, de Esteli, foi baleado enquanto ele viajava para a cidade de Nindirí, onde esperava deter um ataque da polícia e dos paramilitares. O bispo escapou ileso, mas os pneus do veículo foram furados e as janelas quebradas, disse o padre Victor Rivas, Secretário-Executivo da Conferência Episcopal da Nicarágua.

Um ataque em 14 de julho no campus da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua, em Manágua, deixou 2 estudantes mortos e 15 feridos. Alguns dos manifestantes que fugiam, procuravam abrigo na Igreja da Divina Misericórdia, onde os feridos estavam sendo tratados. Agressores armados impediram que as ambulâncias chegassem à igreja.

Um repórter do Washington Post estava entre os presos na paróquia que os padres disseram ter sido "profanada". Fotos postadas em mídias sociais mostraram que a Igreja estava cheia de balas.

"Eles estão atirando em uma igreja. O governo diz que respeita os direitos humanos. Isso é respeito aos direitos humanos?", disse o Erick Alvarado Cole, pároco da Igreja da Divina Misericórdia ao The Washington Post. No dia 9 de julho, o cardeal Leopoldo Brenes Solorzano, de Manágua, seu auxiliar, bispo Silvio José Baez, e o arcebispo Waldemar Stanislaw Sommertag, núncio apostólico, estavam entre os padres de Manágua tentando proteger a Basílica de São Sebastião, na cidade de Diriamba, de uma manifestação pró-governo. O bispo Baez e pelo menos um padre ficaram feridos. Jornalistas também foram atacados e tiveram câmeras e outros equipamentos roubados.

"Nos últimos dias, a repressão e a violência perpetradas pelos paramilitares pró-governo contra as pessoas que protestam civilmente, pioraram. Hoje, como nunca antes, os direitos humanos estão sendo violados na Nicarágua", afirmaram os bispos em declaração no dia 14 de julho.

"’Membros do diálogo nacional’ - convocados pela Conferência Episcopal - “defensores dos direitos humanos e a mídia independente têm sido objeto de campanhas de difamação por parte do governo", completaram.

Grupos de direitos humanos estimam que o número de mortos na Nicarágua seja superior a 350 desde 18 de abril, quando houve protestos contra reformas no sistema de seguridade social do país centro-americano. Após essa data, protestos exigiram a destituição do presidente Daniel Ortega que rejeitou propostas para eleições antecipadas e reprimiu protestos com violência.

Igrejas na Nicarágua serviram como centros para tratar os feridos e permitir o trabalho de grupos de direitos humanos. Os sacerdotes tocam sinos nas Igrejas para alertar as populações locais quando a polícia e os paramilitares chegam.

A Covenant House, conhecida como Casa Alianza na América Latina, que trabalha com crianças desabrigadas e traficadas, fez uma chamada urgente para doações, dizendo que os funcionários foram forçados a dormir nos abrigos devido a preocupações de segurança. Suas famílias tiveram que comprar suprimentos, como alimentos e remédios, com meses de antecedência.

Na declaração, os bispos disseram que a mediação de um acordo através de diálogo se mostrou difícil. "Temos sido testemunhas de uma falta de vontade política do governo, em dialogar de maneira sincera e procurar processos reais que nos levem a uma verdadeira democracia”, e também da não realização do “desmantelamento urgente das forças armadas pró-governo”, diz o comunicado. “Representantes do governo distorceram o principal objetivo para o qual o diálogo nacional foi estabelecido”.

Um analista católico da Nicarágua que preferiu não ser identificado por razões de segurança, disse que o diálogo foi interpretado como uma tentativa de Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, de ganhar tempo. Os bispos também correm o risco de serem culpados pelo colapso das negociações caso eles se retirem da função de mediadores, afirmou o analista.

"O governo e a vice-presidente estão se apropriando da linguagem religiosa há algum tempo e agora estão dizendo que o governo está fazendo o trabalho de Deus", disse o analista ao CNS.

Os bispos disseram que continuariam trabalhando como mediadores, mas seu papel vai além de sentar na mesa de negociações.

"Dada a dimensão profética do nosso ministério, vimos a urgência de ir aos lugares de conflito para defender as vidas dos indefesos, trazer conforto às vítimas e mediar com o objetivo de uma solução pacífica para a situação. A Igreja da Nicarágua continuará a usar todos os meios possíveis. Nossa missão como pastores e profetas não contradiz nosso papel de mediadores e testemunhas. Buscamos a paz e justiça como nicaraguenses", afirmam os bispos

Nota de IHU On-Line: Las Madres de Abril - Carlos Mejía Godoy y Los de Palacagüina

Nota de IHU On-Line: Homenaje a Nicaragua, versión de Sólo le pido a Dios

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