Freira francesa aconselha Igreja a ouvir os jovens, e só depois, agir

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12 Outubro 2018

Quase uma década antes de o Papa Francisco lançar o Sínodo dos Bispos deste mês sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, a Igreja francesa já tentava abordar essas mesmas preocupações, reunindo os seus escritórios nacionais separados para os jovens e para as vocações em um só departamento.

A reportagem é de Christopher White, publicada por Crux, 10-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Na direção do departamento, até o mês passado, estava a irmã Nathalie Becquart, que durante esse tempo emergiu como não apenas uma das vozes mais importantes da Igreja francesa, mas uma perita globalmente procurada sobre a questão dos jovens e, para muitos, a prova de que a Igreja tem um ótimo resultado quando é dada a chance de liderança às mulheres.

Becquart, que é membro da Congregação de Xavières, foi a primeira mulher a atuar como diretora do Serviço Nacional de Evangelização e Vocação Juvenil. Os bispos franceses foram os primeiros no mundo a terem um escritório nacional de vocações, datando de 1959. Todos os antecessores de Becquart, contudo, eram padres.

Em 2010, os escritórios separados foram reunidos com "a ideia de que o cuidado pastoral juvenil deve ser cuidado pastoral vocacional, porque cada jovem precisa discernir sua própria vocação."

Em uma entrevista ao Crux, Becquart, que está servindo como auditora durante o Sínodo 2018, disse que a missão de seu escritório tem sido "ajudar os jovens a terem uma relação pessoal com Jesus."

"É exatamente esse o objetivo do Sínodo também", acrescentou.

Apesar da França ser conhecida como a filha mais velha da Igreja, a rápida secularização forçou a Igreja do país a reconhecer que é, nas palavras de Becquart, "uma Igreja missionária" com necessidade de influência e inspiração externas.

Ela descreve a Jornada Mundial da Juventude em Paris de 1997, reunião global organizada pelo Vaticano para os jovens que ocorre a cada dois ou três anos, como um ponto de virada que plantou as sementes para um novo foco nos jovens.

"Nós ainda colhemos os frutos", diz ela.

Antes da Jornada Mundial da Juventude, disse Becquart, muitos ministérios e programas em todo o país não foram bem coordenados ou perderam o foco. Vinte anos depois, ela acredita que o evento ajudou a Igreja a se unir para trabalhar com um propósito mais claro. Ela também afirma que muitos na Igreja francesa estão ansiosos para sediar novamente a Jornada num futuro próximo a fim de pontuar a renovação iniciada há 20 anos.

Dentro da Sala Sinodal, onde Becquart está acompanhada por cerca de 300 representantes de todo o mundo, ela acredita que há um "espírito muito bom" entre os participantes. Segundo ela, estão todos dispostos a ajudar o Papa a descobrir como a Igreja pode oferecer um maior testemunho aos jovens.

Para Becquart, que esteve envolvida no processo sinodal desde antes do pontapé inicial da semana passada, a consulta do Vaticano com as conferências dos Bispos e a consulta direta com os jovens a partir de pesquisas on-line prepararam bem os delegados do Sínodo.

"O que me impressionou é ouvir dos bispos quase exatamente aquilo que ouço dos jovens", disse ela.

Para muitos que estão acompanhando o processo do Sínodo, bispos e jovens têm sido as atrações principais. Falta, no entanto, representação adequada às mulheres.

Becquart faz parte dos 10% das mulheres que tomam parte no processo, e embora ela veja como uma melhoria o fato de que as mulheres estão mais atuantes, também simpatiza com aqueles que acreditam que ainda não é o suficiente.

Enquanto os bispos, sacerdotes, e até mesmo irmãos religiosos estão autorizados ao voto sobre os documentos do Sínodo, as irmãs religiosas não.

Becquart, no entanto, não está interessada em se estressar sobre as regras e regulamentos. Para ela, colaboração é a palavra-chave quando se trata de discutir a liderança das mulheres na Igreja.

"Não é uma questão de ordenação das mulheres, mas uma questão de dar às mulheres lugares para colaborar, para se envolver no processo de tomada de decisão", disse ela ao Crux.

Falando de sua própria experiência, dos dez escritórios nacionais dos bispos franceses, três são chefiados por mulheres. E, dentro de seu escritório, dois padres eram por ela coordenados.

"Para eles não era um problema, e eu acho que é importante mostrar isso", disse ela.

Além disso, ela serviu anteriormente como membro do Conselho Episcopal da Diocese de Nanterre, dirigida pelo bispo Michel Aupetit, que foi nomeado arcebispo de Paris no ano passado por Francisco.

Durante o tempo de Aupetit em Nanterre, um grupo de quatro mulheres e quatro padres o aconselhou, e Becquart diz que foi uma experiência muito positiva para ela e para o bispo, além de ser um modelo que Aupetit está pensando em levar para Paris.

Da mesma forma, ela acrescentou que acha que poderia ser benéfico a Francisco ter um Conselho de mulheres para aconselhá-lo sobre assuntos da Igreja, assim como o seu "C9", grupo de cardeais conselheiros com quem ele se reúne trimestralmente.

"Eu acho que as coisas vão mudar para o próximo Sínodo", disse ela, observando que dentro do Sala Sinodal, "a questão das mulheres não é apenas uma questão que parte de mulheres, mas é apoiada pelos homens e pelos bispos."

Essas discussões, disse ela ao Crux, estão ocorrendo em prol de "uma Igreja mais humilde", que seja consciente de suas falhas, especialmente sobre a questão do abuso sexual. Mas também sobre uma série de outras questões, incluindo uma humildade que a Igreja nem sempre tem mostrado sobre o tema em mãos: alcançar os jovens.

Quanto à sua própria estratégia para corrigir isso, ela acredita que é mais importante se concentrar no que a Igreja faz do que no que ela diz.

Na verdade, ela insiste que, a fim de alcançar os jovens fora da Igreja, "a primeira coisa é não dizer coisa alguma."

Ao falar sobre sua primeira missão de campo trabalhando com estudantes universitários em Paris, ela recorda que, após semanas ouvindo os jovens, o que eles mais precisavam era de alojamentos estudantis acessíveis, uma vez que muitos foram obrigados a viver nas ruas.

"Decidi que nosso primeiro programa para o Ministério do campus era ajudar a garantir acomodações acessíveis para os alunos. Você começa partindo de algum lugar", disse ela.

Para Becquart, essa é a lição que ela espera transmitir aos participantes do Sínodo e à Igreja.

"É um longo processo de ficar em silêncio, ouvir os jovens e compreender as suas realidades. Só então você pode falar.” 

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