Entre as questões em jogo no Sínodo, a urgência da questão feminina

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06 Outubro 2018

Este Sínodo sobre o discernimento vocacional convida a Igreja a se tornar mais livre, mais audaciosa, mais evangélica e mais missionária, e a ter a coragem de inventar novas formas de presença e de proximidade.

A opinião é da Ir. Nathalie Becquart, religiosa xaveriana, auditora no Sínodo dos bispos e ex-diretora do Serviço Nacional para a Evangelização dos Jovens e para as Vocações, da Conferência Episcopal Francesa.

O artigo foi publicado originalmente no blog Synod 2018 Sisters Voice e republicado em L’Osservatore Romano, 05-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

É minha profunda convicção que este Sínodo já é e será um motor para a necessária reforma da Igreja, pois a imagem da Igreja desenhada pelos jovens, particularmente no documento final pré-sinodal (“uma Igreja relacional é uma Igreja atraente”), remete àquela imagem expressada pelo Papa Francisco para “desclericalizar” a Igreja.

O que está em jogo neste Sínodo, portanto, é contribuir para delinear uma nova imagem da Igreja hoje, no espírito do Concílio Vaticano II: uma Igreja em saída, em que todos são discípulos missionários, ou seja, uma Igreja mais sinodal e colegial, mais próxima, mais acolhedora, mais autêntica, mais misericordiosa; uma Igreja mais inclusiva, mais à escuta, mais em diálogo. Uma Igreja autêntica, enraizada em Cristo, que coloca o Evangelho no centro, mas reconhece a própria vulnerabilidade e a própria humanidade falível.

Uma Igreja em que todos caminham juntos e têm a coragem de compartilhar com os outros, com simplicidade e humildade, o tesouro da fé: “Por fim, muitos de nós desejamos fortemente conhecer Jesus, mas geralmente temos dificuldade de compreender que somente Ele é a fonte de uma verdadeira descoberta de si, pois é na relação com Ele que a pessoa descobre si mesma. Consequentemente, evidenciamos que os jovens pedem testemunhos autênticos: homens e mulheres capazes de expressar com paixão sua fé e relação com Jesus, e ao mesmo tempo, de encorajar outros também a se aproximarem, se encontrarem e se apaixonarem por Jesus” (Documento final pré-sinodal dos jovens, n. 5).

Este Sínodo também deve permitir que cada um aprofunde a própria vocação e que toda a Igreja aprofunde a sua vocação. Com efeito, a minha experiência na pastoral vocacional me ensinou que não se pode falar de discernimento vocacional como fato exterior. Viver e pensar a missão como serviço ao discernimento vocacional dos mais jovens – os responsáveis e os animadores da pastoral vocacional sabem bem disso – faz com que se trabalhe sobre a própria identidade, sobre a própria vocação. Servir às vocações transforma e convida a aprofundar e a discernir cada vez mais a própria vocação. Porque a vocação nunca é estática, é uma identidade dinâmica sempre em construção, em um processo permanente de discernimento.

O Instrumentum laboris nos diz isso claramente no número 111: o discernimento é “um estilo de vida”, um modo de viver a vida cristã em um movimento dinâmico. A vocação é um profundo caminho pascal que não se faz sem dor, sem lutar, sem morrer a si mesmo. Mas é um caminho de vida e de liberdade.

Este Sínodo sobre o discernimento vocacional, sem dúvida, convida a Igreja a se tornar mais livre, mais audaciosa, mais evangélica e mais missionária, e a ter a coragem de inventar novas formas de presença e de proximidade (cf. Instrumentum laboris, n. 138).

Também e sobretudo faz com que se faça a pergunta sobre as mulheres e o seu lugar na Igreja, já que a fase de consulta mostrou como a questão do discernimento vocacional é mais complexa para as jovens.

“A Igreja pode ter um papel vital na certificação de que esses jovens não sejam excluídos, mas que se sintam aceitos. Isso acontece também quando buscamos promover a dignidade das mulheres, tanto na Igreja quanto nos contextos sociais mais amplos. Hoje a falta de igualdade entre homens e mulheres é um problema difuso na sociedade. Isso acontece também na Igreja. Existem grandes exemplos de mulheres que realizam um serviço em comunidades religiosas, consagradas, tendo papel de grande responsabilidade na vida dos leigos. No entanto, para algumas jovens esses exemplos não são sempre visíveis. Uma pergunta-chave surge destas reflexões: quais os lugares em que as mulheres podem prosperar dentro da Igreja e da sociedade? A Igreja pode lidar com esses problemas com um olhar aberto às diversas ideias e experiências” (Documento final pré-sinodal dos jovens, n. 5).

Com efeito, a questão feminina é uma das questões distintivas da nossa época. É um sinal dos tempos, pois, no século XX, assistiu-se a uma evolução extraordinária da condição feminina, embora, em muitos lugares, ainda haja um longo caminho a percorrer para que se traduza na prática a igual dignidade entre homens e mulheres, em formas concretas de relações mais paritárias e igualitárias.

De fato, para mim, a questão do lugar das mulheres é precisamente a das relações e da colaboração entre homens e mulheres na sociedade e na Igreja. Estamos assistindo a uma nova percepção homem/mulher na sociedade, e isso, portanto, levanta a questão de uma nova percepção também na Igreja. Daí a principal aposta em jogo atualmente no diálogo, na parceria, na colaboração entre homens e mulheres em todos os níveis da Igreja. Ela não é principalmente interna, mas é uma aposta para a missão.

No nosso mundo contemporâneo mais paritário, onde, na maioria das vezes, os jovens crescem em uma mistura natural, torna-se cada vez mais difícil para eles aceitar uma Igreja que não dá às mulheres o seu lugar e que não torna mais visíveis e legíveis os seus papéis e as suas responsabilidades efetivas. Isso foi claramente expressado no documento final pré-sinodal (cf. n. 6). Para mim, isso implica, acima de tudo, a questão do trabalho em grupo e da aposta fundamental da colaboração na missão a serviço dos jovens.

Com efeito, aqui o desafio consiste em implementar uma verdadeira corresponsabilidade para formar e favorecer grupos de animação mistos, envolvendo, em primeiro lugar, os próprios jovens (aposta fundamental para a sua responsabilização), mas também as pessoas que expressam a diversidade das vocações, assim como um modo de trabalhar em grupo misto em uma verdadeira colaboração entre homens e mulheres.

Na verdade, acho que é fundamental o trabalho em grupo em todos os âmbitos da pastoral, ainda mais que os jovens gostam de trabalhar em grupo e que cruzar os olhares, propor-lhes rostos de referências plurais é enriquecedor.

A questão-chave para a missão entre os jovens, portanto, passa a ser a do chamado, da formação e do apoio aos educadores adultos, capelães, formadores, acompanhantes que ocupam o seu lugar como adultos para ouvir e guiar os jovens em um estilo relacional que se fundamenta em um modo de fazer colegial.

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