As Jornadas Mundiais da Juventude, tribuna favorita de João Paulo II, tornaram-se uma "utopia mobilizadora’

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16 Julho 2008

Nesta semana, está acontecendo a 23ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Sidney, na Austrália, que contará com a presença de Bento XVI, que modifica o estilo impresso por seu antecessor, João Paulo II. Segue o artigo de Henri Tincq publicado no Le Monde, 15-07-2008. A tradução é do Cepat.

Golpe de mestre de João Paulo II, ansioso diante da deserção das igrejas, as Jornadas Mundiais daJuventude (JMJ) começaram em 1985. Seu sucesso nunca foi desmentido. Esse encontro anual – realizado alternadamente em Roma e em algum país – permaneceu na legenda do papa polonês. Em lugares abertos, nunca um papa havia atraído tanta gente: três milhões em Manila em janeiro de 1995, um milhão em Paris em agosto de 1997, dois milhões em Roma em agosto de 2000. As JMJ tornaram-se a tribuna favorita de KarolWojtyla, o lugar da “mundialização” de sua mensagem.

Em Sidney (Austrália), de 15 a 20 de julho, diante dos jovens vindos majoritariamente da Oceania e da Ásia, Bento XVI, de 81 anos, dará relevo ao seu predecessor pela segunda vez. Em agosto de 2005, quatro meses depois da sua eleição, ele havia presidido em Colônia a 21ª edição das JMJ. A escolha da Alemanha, seu país natal, foi realizada antes de sua eleição. Se muitos acreditavam que esta manifestação não sobreviveria a João Paulo II, o número de participantes (700.000, vindos de 193 países) e o fervor permanecem quase intactos.

No entanto, Bento XVI impôs um estilo menos espetacular, o de um pedagogo, menos preocupado em seduzir seu público que em ensinar, sem floreios. Esse já é o estilo de seus ensinamentos em cada quarta-feira na “audiência geral” em Roma. “João Paulo II deu uma nova visibilidade à Igreja. Bento XVI transmite incansavelmente os conteúdos da fé”, explica um cardeal da Cúria. Em Colônia, os jovens descobriram um papa interior e espiritual.

Fórmulas alternativas

Sua mensagem não tem sido a mesma de João Paulo II, que insistia com os jovens – em Santiago deCompostela (Espanha) em 1989, em Czestochowa (Polônia) em 1991, em Denver (Estados Unidos) em 1993, em Manila (Filipinas) em 1995 – sobre as proibições sexuais da Igreja. Em Colônia, Bento XVI passou a espiritualidade para frente da moral e tratou do lugar dos jovens numa sociedade indiferente a Deus, do bom uso da liberdade, da tentação de se voltar para formas de religiosidade paralelas.

Nesse momento da história das JMJ, a questão que se coloca é sobre a pertinência desta manifestação de massa. Sua dimensão internacional contribuiu muito para o seu sucesso. As demonstrações de Czestochowa (um milhão) ou de Manila se explicam pela esmagadora maioria católica da Polônia e das Filipinas. O resultado foi mais arriscado em Paris, há onze anos. Mas com 160 países representados, as JMJ francesas bateram os recordes de participação internacional. Em Colônia, pela primeira vez vieram jovens do Vietnã e da China. Isso deverá acontecer novamente em Sidney.

As Jornadas Mundiais da Juventude fizeram emergir uma geração de crentes – a “geração João PauloII” – descomplexados, entusiastas, ativos, que preferem, em vez de uma prática regular numa igreja, tempos fortes de encontro, de liturgia e de peregrinação. As JMJ contribuíram para o nascimento de um catolicismo mais testemunhal, de “novas comunidades”, às vezes à margem das estruturas tradicionais da Igreja, preconizando uma “nova evangelização” do mundo, enfurecendo, às vezes, cristãos mais antigos, pouco habituados a esta fé demonstrativa e que preferem um catolicismo mais discreto e “escondido”.

As JMJ fizeram germinar vocações religiosas, mas não encheram de jovens as igrejas, nem os seminários. O caso é evidente na França que não tem mais que 700 seminaristas diocesanos. Elas mostraram, contudo, que a fé pode ser vivida de maneira diferente dos ritos tradicionais. Para os organizadores do Vaticano, elas continuam sendo uma “utopia mobilizadora”, fundada sobre o desejo de jovens católicos, minoritários em seus países, de se encontrarem, em intervalos regulares, para manifestar sua fé, rezar, festejar, escutar rock e... o papa.

Apesar das dificuldades da intendência e dos custos (para os jovens africanos ou os europeus que não se animaram a ir a Sidney), os defensores da manutenção das JMJ estimam que elas continuam sendo a maior “vitrine” da Igreja. Mas propostas de fórmulas alternativas já circulam há algum tempo, como os “congressos de evangelização” que fazem um giro pelas capitais européias, como Paris-Toussaint 2004. As igrejas africanas também deram o exemplo, em 2004, em Dacar, com os Fóruns Continentais para a Juventude.

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