Do lulismo ao bolsonarismo. Entrevista especial com Rosana Pinheiro-Machado

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Por: Patricia Fachin | 16 Agosto 2018

O que fez com que “uma grande parcela” da população brasileira e, mais especificamente, de Porto Alegre, passasse de uma adesão ao lulismo para uma identificação com o bolsonarismo? Compreender esse fenômeno tem sido o tema de estudo das pesquisadoras Rosana Pinheiro-Machado e Lúcia Scalco. Essa motivação, explica Rosana, surgiu em “uma roda de conversa” realizada com os estudantes no final de 2016, a qual “demonstrou que muitos jovens achavam as ocupações coisa de vagabundo. A partir destas pistas nas narrativas, não foi difícil encontrar uma rede ampla de pessoas que desde 2016 passaram a se identificar com o bolsonarismo — conceito que, para nós, está muito além da figura do candidato, mas corresponde a uma nova roupagem do discurso conservador (que não é novo, evidentemente, nas classes populares)”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Rosana Pinheiro-Machado explica que a pesquisa não identificou um “padrão” do eleitor de Bolsonaro, porque “há eleitores mais abastados, menos abastados, jovens e velhos, e com diferentes trajetórias de vida”, mas isso, explica, “já é um dado importante”, porque o “discurso ‘populista’ de ‘falar o que todo mundo quer ouvir’ é capaz de atingir pessoas de diferentes pertencimentos: da igreja, o ‘jovem trabalhador motorista de Uber’, o adolescente, o funkeiro”. Em “comum”, diz, todos os possíveis eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro têm “o desejo pelo porte de armas, como uma expressão de um apelo por segurança pública”.

Segundo ela, outros fatores explicam a adesão de uma parte da população ao candidato, como “o medo dos assaltos, a forma como os meninos sentem medo diante da violência urbana escancarada e brutal de Porto Alegre, que deixa todos os seus moradores com a sensação de ser terra de ninguém”. Além disso, pontua, do mesmo modo que o voto em Trump, “o voto em Bolsonaro é uma reação à emergência das pautas ‘identitárias’”.

Em resumo, adverte, “a grande maioria de nossos interlocutores não corresponde a qualquer estereótipo da polarização como sujeitos fascistas, violentos e intransigentes. São pessoas que estão procurando alternativas para as suas duras vidas e lidando com as informações de um candidato que atualmente reina sozinho nas redes sociais. Estão procurando soluções de cima para baixo — e isso sequer se difere de uma parte do eleitor de esquerda que também se identifica com figuras paternalistas e salvadoras”.

Rosana Pinheiro-Machado também comenta a necessidade de um projeto nacional para o país que ultrapasse os projetos de governo que são disputados de quatro em quatro anos. “Esse é um projeto que precisa ser encabeçado pela esquerda, afinal, a direita vive seu próprio projeto: enxugar o Estado, tornando-o um braço gestor do mercado. O projeto neoliberal está de vento em popa e é a esquerda que precisa propor um projeto alternativo e, em minha visão, precisa contemplar aspectos que têm sido sumariamente ignorados: o que é de fato uma modernidade brasileira? Como democratizar a política a partir da inserção de negras, negros, mulheres e LGBTs, não de fachada, não de vice, mas na vanguarda de nossas trincheiras? Como reverter o genocídio negro deste país junto com uma nova segurança pública? Como ter um desenvolvimento sustentável humano e ecologicamente? E como transformar o popular, o saber tradicional e local em energia de desenvolvimento e inovação? Qual o papel das ciências e da tecnologia em nosso país e para quem elas servem? Qual o tipo de globalização e ordem mundial queremos participar e como posicionamos o Brasil em relação a seus parceiros?”, questiona.

Rosana Pinheiro-Machado | Foto: Joana Berwanger

Rosana Pinheiro-Machado é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e doutora em Antropologia Social pela mesma universidade. Foi professora de Desenvolvimento Internacional na Universidade de Oxford de 2013 a 2016 e atualmente é Professora Titular Visitante da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM no PPG de Ciências Sociais e e coordenadora e co-fundadora da Escola de Governo Comum.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em que consiste sua pesquisa sobre quem são os possíveis eleitores de Bolsonaro?

Rosana Pinheiro-Machado – A pesquisa é feita em conjunto com a antropóloga doutora Lúcia Scalco. Nós buscamos entender os possíveis eleitores e ou simpatizantes de Bolsonaro em uma região periférica de Porto Alegre, onde fazemos pesquisa desde 2009 sobre juventude, rolezinhos, consumo e política. Na época estudávamos o consumo como inclusão social, em pleno auge do lulismo. O que aconteceu com o Brasil, com Porto Alegre (berço do orçamento participativo) e com a região que propiciou que uma grande parcela se identificasse com o candidato? Essa era a nossa principal questão, a qual foi descoberta quando pensamos que, na escola onde fazíamos pesquisa anos atrás, os estudantes seriam identificados com as ocupações secundaristas. Mas, ao contrário, uma roda de conversa realizada com eles no final de 2016 demonstrou que muitos jovens achavam as ocupações coisa de vagabundo. A partir destas pistas nas narrativas, não foi difícil encontrar uma rede ampla de pessoas que desde 2016 passaram a se identificar com o bolsonarismo — conceito que, para nós, está muito além da figura do candidato, mas corresponde a uma nova roupagem do discurso conservador (que não é novo, evidentemente, nas classes populares).

IHU On-Line – Quais são as hipóteses da pesquisa e os seus primeiros resultados?

Rosana Pinheiro-Machado – Como todo estudo antropológico, nós não temos conclusões fáceis, até porque não identificamos um padrão de eleitor de Bolsonaro na região: há eleitores mais abastados, menos abastados, jovens e velhos, e com diferentes trajetórias de vida. Isso já é um dado importante: seu discurso “populista” de “falar o que todo mundo quer ouvir” é capaz de atingir pessoas de diferentes pertencimentos: da igreja, o “jovem trabalhador motorista de Uber”, o adolescente, o funkeiro. Em comum, o desejo pelo porte de armas, como uma expressão de um apelo por segurança pública.

Há também outros fatores interessantes: as meninas jovens secundaristas tendem a desprezar a figura dele (ainda que haja meninas e LGBTs simpatizantes). Essas meninas mais jovens, pós-Junho de 2013 e pós-ocupações, são protagonistas como nunca foram antes: são articuladas politicamente e tendem ao feminismo. Logo, os meninos retraem e não é totalmente errado afirmar que, como ocorreu nos Estados Unidos e foi recentemente comprovado em pesquisa científica (o que muitos de nós já afirmamos intuitivamente), assim como o voto ao Trump, o voto ao Bolsonaro é uma reação à emergência das pautas “identitárias”.

Mas isso é apenas um fator. Outro fator crucial é o medo dos assaltos, a forma como os meninos sentem medo diante da violência urbana escancarada e brutal de Porto Alegre, que deixa todos os seus moradores com a sensação de ser terra de ninguém. O medo está por todo lado e as pessoas morrem por menos de um celular. São histórias dramáticas que fazem com que os meninos sonhem que vão poder se defender; é uma questão de energia vital: manter-se vivo, não temer circular. Eles argumentam que se o “bandido” souber que a população está armada, ele vai pensar duas vezes. “Eu quero me defender”, dizem eles. Sem esquecer que as armas sempre foram um objeto de poder e fetiche nas periferias de Porto Alegre, como já constatavam os antropólogos Luiz Eduardo Soares e Claudia Fonseca.

Outra característica importante é a desestabilização dos afetos e das famílias pela briga de fotos. Conhecemos muitas famílias em que esse padrão se repete: a mulher com horror a Bolsonaro e os homens com admiração. O recorte de gênero, apesar das exceções, é decisivo na cultura popular. Mas o que é excepcional nesse caso é a voz política das mulheres.

Por fim, entre tantos pontos que poderíamos mencionar, destaco também a questão geracional: adolescentes bolsonaristas discutem dados, desconfiam das matérias e temem extremismos. Eles são uma nova geração e sabem conviver melhor com o controverso e com o debate. A partir do momento em que eles viram “pais de família” — e isso geralmente ocorre muito cedo, pelos 21 ou 22 anos, passam a adorar um discurso muito mais embrutecido, fechado e de “fã” incondicional do candidato. É o peso da vida precária sobre seus ombros.

Por fim, a grande maioria de nossos interlocutores não corresponde a qualquer estereótipo da polarização como sujeitos fascistas, violentos e intransigentes. São pessoas que estão procurando alternativas para as suas duras vidas e lidando com as informações de um candidato que atualmente reina sozinho nas redes sociais. Estão procurando soluções de cima para baixo — e isso sequer se difere de uma parte do eleitor de esquerda que também se identifica com figuras paternalistas e salvadoras.

IHU On-Line – No final do ano passado a pesquisa Datafolha demonstrou que 60% dos eleitores que declaravam intenção de votar em Bolsonaro para presidente tinham menos de 34 anos. Suas pesquisas também indicam uma preferência dos jovens por Bolsonaro?

Rosana Pinheiro-Machado – Nossa pesquisa é qualitativa e mediu a percepção de jovens nas escolas. Nas escolas que pesquisamos com secundaristas, há sempre um grupo grande desinteressado por política e uma outra metade que se divide entre aqueles que não repudiam Bolsonaro, grupo liderado por mulheres, e os que admiram Bolsonaro, geralmente (mas não somente) liderado por meninos. Então o que queremos dizer é que esse é um fenômeno relacional que existe em relação ao seu oposto. O apelo de Bolsonaro na juventude, em especial, tem contornos claros. Diferentemente de seus pais, eles se preocupam menos com a questão da corrupção e se apegam ao Bolsonaro “mito”, engraçado, autêntico, que fala o que pensa, que é um “meme” pronto.

Juventude é uma fase que precisa de símbolos de identificação; nada mais natural que, em tempos de ascensão do protagonismo feminino, muitos meninos identifiquem em Bolsonaro um símbolo quase totêmico de identificação, uma marca tal como a Adidas e outras tantas admiradas nas periferias. Ele é a “marca” que autoriza o retorno a uma posição de poder masculina. Noutro patamar, ele também é uma promessa e uma esperança de um futuro diferente a que esses meninos foram expostos no passado (ou seja, vendo seus amigos morrerem nas facções, pela polícia, em assaltos…) é um apego a uma ordem que possa garantir, em última instância, a decência da vida.

IHU On-Line – A senhora já declarou que as reivindicações de intervenção militar são um pedido de socorro de parte da população que está descrente em relação à democracia representativa. Como chegou a essa conclusão? O que explica esse fenômeno depois de quase 15 anos de governos petistas?

Rosana Pinheiro-Machado – Sim, tenho declarado que tanto o pedido de intervenção militar quanto o voto em Bolsonaro são um grito de pedido de socorro e isso merece ser entendido com a profundidade devida. É claro que existem grupos extremistas, fascistas, saudosistas da ditadura, mas isso não representa nem todos que pediam intervenção militar na greve dos caminhoneiros, por exemplo, nem aqueles que falam isso nas periferias por onde circulo, e que dizem que um militar vai colocar ordem na casa. As pessoas estão pedindo ordem, mas eu interpreto no sentido de normalidade após cinco anos de caos que assolou o país, e sensação de estar num carro sem freio ladeira abaixo. É desesperador viver no Brasil: imagine para quem não tem serviços e bens públicos de qualidade e vê seu poder de compra cair bruscamente.

Agora, voltando a sua pergunta dos anos petistas: nós temos trabalhado com o conceito do Appadurai, de capacidade de aspirar, que significa que mobilidade social não é apenas o que você tem, mas também pode ser medida pela sua capacidade de sonhar. O lulismo enfatizou o brilho e a felicidade como categorias centrais da narrativa de inclusão sobre o consumo. Consumir, também citando Arjun Appadurai [1], é uma forma de exercer a imaginação. Uma brecha foi aberta para ver o mundo, junto com tantas oportunidades que pareciam estar vindo junto.

O problema do crescimento via consumo é que ele é insustentável, não apenas porque vivemos no país com uma das maiores taxas de juros do mundo e isso inevitavelmente causará endividamento, mas também porque ele foca na mobilidade individual ou no máximo familiar. O lulismo focou na relação gestora entre o Estado e o indivíduo, e despolitizou a inclusão, democratizou a vida financeira, mas desdemocratizou a vida política da comunidade, que era muito forte no orçamento participativo, por exemplo.

Essa fase que nós chamamos da fase da “esperança” desabou e se estatelou no chão, com a crise que afetou o governo Dilma e principalmente com o aperto da austeridade de Michel Temer. É claro que o tombo é maior quando se cai de mais alto. É devastador fechar a brecha que tinha sido aberta. Dói. Os jovens não têm perspectiva nenhuma, não há empregos, eles são assaltados em ônibus… Nesse caos, surge algo que tenta se colocar como promessa, como o novo, como a ordem.

IHU On-Line – Neste ano de eleição, voltou à pauta o debate sobre o Estado brasileiro e o que seria um projeto de país. Na sua avaliação, como deveríamos discutir a temática do Estado no país neste momento? O que seria um modelo de Estado para o Brasil de hoje?

Rosana Pinheiro-Machado – Ótima pergunta. No centro de qualquer discussão política atual precisa estar uma discussão sobre o papel do Estado e também um projeto de nação. Não temos isso nem de longe. O que temos são programas de governo, construídos no ano eleitoral, de acordo com as alianças feitas. É claro que existem partidos, como o PSOL, junto com o movimento Vamos e o Quero Prévias que o antecedeu, que tentam romper essa lógica e avançar num problema mais coletivo e democrático à esquerda. Em última instância, é uma tentativa muito bem-intencionada, mas os programas apresentados até agora estão sendo fechados agora e ainda possuem muito pouco corpo — a exemplo do plano de política externa.

E por falar em política externa, qual programa está preparado para saber a relação que se quer com a China, nosso maior parceiro comercial, que pode ser um algoz ou um parceiro importante, dependendo das negociações? Ninguém está falando da China — e o Brasil é um dos únicos países do mundo que se dá ao luxo desse absurdo. Isso é um excelente reflexo do caos em que estamos enfiados e no quanto isso exige debates autocentrados em nossa própria ferida, dando círculos em torno do caos e com dificuldade de enxergar um futuro diferente.

O que o Brasil carece é de um projeto de nação que consiga planejar um modelo de sociedade para os próximos 5, 10 e 20 anos. Mas no Brasil, ao contrário da China, não conseguimos ter planejamento porque a cada quatro anos a política de alianças, do troca-troca de cargos, muda tudo radicalmente.

De minha parte, acredito que esse é um projeto que precisa ser encabeçado pela esquerda, afinal, a direita vive seu próprio projeto: enxugar o Estado, tornando-o um braço gestor do mercado. O projeto neoliberal está de vento em popa e é a esquerda que precisa propor um projeto alternativo e, em minha visão, precisa contemplar aspectos que têm sido sumariamente ignorados: o que é de fato uma modernidade brasileira? Como democratizar a política a partir da inserção de negras, negros, mulheres e LGBTs, não de fachada, não de vice, mas na vanguarda de nossas trincheiras? Como reverter o genocídio negro deste país junto com uma nova segurança pública? Como ter um desenvolvimento sustentável humano e ecologicamente? E como transformar o popular, o saber tradicional e local em energia de desenvolvimento e inovação? Qual o papel das ciências e da tecnologia em nosso país e para quem elas servem? Qual o tipo de globalização e ordem mundial queremos participar e como posicionamos o Brasil em relação a seus parceiros?

Essas são perguntas centrais para as quais a política institucional atual apenas tangencia de forma superficial, politiqueira e pouco técnica.

IHU On-Line – A senhora também tem acompanhado as diferentes manifestações sociais que vêm ocorrendo no país desde 2013. Qual seu balanço acerca do significado daquelas manifestações, cinco anos depois? Ainda nesse sentido, como avalia as manifestações que ocorreram posteriormente a Junho de 2013? Trata-se de outro tipo de manifestação ou não?

Rosana Pinheiro-Machado – Acredito que os significados das Jornadas de Junho já foram bastante explorados e não há por que aprofundar aqui. Mas sim podemos e devemos aprofundar o entendimento de suas consequências — e tenho me dedicado a isso em minhas disciplinas e falas públicas. Eu acredito que Junho de 2013 teve uma dimensão revolucionária. No sentido antropológico, estruturalista, de rompimento da estrutura social. Não foi um plus ça change, plus c'est la même chose. E aí entramos em um profundo processo de liminaridade, aquele momento de confusão e antiestrutura entre os passos de “normalidade”, digamos assim. O que sabemos é que as feridas que sempre estiveram presentes na sociedade brasileira, como o racismo e a violência, vieram à tona não de forma disfarçada. Também é verdade que os frutos mais belos de Junho são a nova juventude que, nas escolas, lidera o debate sobre racismo, machismo, homofobia.

Junho se abriu em muitas coisas, mas o principal legado é este: a formação de uma nova geração politizada que irá mudar a cara do Brasil e da política brasileira daqui dez anos. É claro, isso não vem sem um backlash. O primeiro movimento então de pós-Junho é o da mudança política, organizada ou não, da juventude. O segundo é a proliferação de — e o gostinho por — grandes mobilizações, cujas faíscas se espalham em um incêndio. Aí nós podemos pensar que várias manifestações, muitas delas marcadas por uma certa ambiguidade — uma multiplicidade de demandas e formas de expressão, a força da contradição que marca o neoliberalismo e a democracia no século XXI — e que a esquerda não sabe lidar, desde os rolezinhos até a greve dos caminhoneiros. Tudo que a esquerda não sabe lidar e não entende, ela rejeita. O que é um absurdo.

Então, a sociedade mudou, a juventude mudou, mas a esquerda hegemônica continua velha, quase caduca, tentando se ajustar aos novos tempos, mas sempre dando uma mancada, “esquecendo” de convidar uma mulher ou uma pessoa negra em um debate sobre reorganização da esquerda etc. O novo já chegou e agora cabe à esquerda incorporar a novidade se quiser se reorganizar.

Nota

[1] Arjun Appadurai (1949): É um antropólogo indiano, professor de mídia, cultura e comunicação na Universidade de Nova Iorque e um dos grandes teóricos dos estudos sobre globalização.  É autor, entre outros, de Banking on Words: The Failure of Language in the Age of Derivative Finance (2015), The Future as Cultural Fact: Essays on the Global Condition (2013) e Dimensões Culturais da Globalização (2005) . (Nota de IHU On-Line

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