Os limites do lulismo

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Por: Jonas | 02 Agosto 2013

“Podemos pensar que aquilo que estas mobilizações (de junho) demonstram, com suas demandas de transparência, anticorrupção e maior participação, são os limites do lulismo como sutura populista hegemônica da crise de representação entre a classe política e a cidadania do país”, escreve o sociólogo Ariel Goldstein, em artigo publicado no jornal Página/12, 31-07-2013. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

O Partido dos Trabalhadores (PT) nasceu no período final da ditadura militar como uma força antissistêmica, de firme ancoragem nos movimentos sociais, assim como uma crítica às experiências do populismo desenvolvimentista. Seu caráter antissistêmico supunha uma oposição aos pactos entre as elites que haviam definido os momentos cruciais da história política brasileira.

Com o passar dos anos, particularmente a partir da derrota de Lula, em 1989, por escassa margem, no segundo turno, para Fernando Collor de Mello, assim como nas outras duas derrotas posteriores, de 1994 e 1998, para Fernando Henrique Cardoso, o PT foi compreendendo, especialmente sob a presidência partidária de José Dirceu, a necessidade de produzir uma flexibilização de suas alianças políticas e uma moderação político-ideológica para alcançar o poder político. A almejada vitória ocorreu em outubro de 2002, numa coalizão que incluía partidos, como o Partido Liberal (PL) do vice-presidente José Alencar, que dificilmente correspondiam com as expectativas de mudança que o PT pretendia trazer a partir do governo para a sociedade brasileira. O acesso do PT ao poder supôs sua orientação para a arena político-governamental e seu centramento em tarefas de gestão, que retiraram sua capacidade mobilizadora e o integraram à ordem política, restando-lhe, em certa medida, aquela orientação contestatória que possuía em seu início.

O heterogêneo esquema de alianças que o PT estabeleceu , a partir de 2003, para garantir a governabilidade no Parlamento, apresentou-lhe um ponto de dificuldade, especialmente em 2005, quando se produziu o escândalo do “mensalão”, momento em que a emergência de fortes acusações de corrupção ao partido no governo e ao presidente reduziu a popularidade de Lula e do Partido dos Trabalhadores. Setores médios se distanciaram do governo, aprofundando um processo de questionamento dos cidadãos em relação à classe política. No entanto, a construção da liderança populista via lulismo – segundo André Singer – ancorou-se no atomizado “subproletariado” do Nordeste, que tinha melhorado sua condição a partir das políticas sociais e de desenvolvimento econômico. Foi o modo em que esta força política pôde resolver, então, a crise de representação política, através de um presidente que, acima dos partidos e traçando um antagonismo débil entre o povo e as elites, assumia a representação dos pobres, que se sentiam identificados com sua liderança. Essa resolução circunstancial, via identificação populista, equilibrou então o hiato de descontentamento cidadão entre as elites políticas e os cidadãos, gerando um cenário de estabilidade que foi transferido, por meio da liderança carismática de Lula, para sua sucessora Dilma Rousseff, nas eleições de 2010.

Estabilizado este cenário de identificação populista e de imaginário desenvolvimentista até o início deste ano, com os novos protestos e mobilizações, que sacudiram o país durante junho, evidenciou-se a persistência e ampliação de uma desconformidade dos cidadãos com a corrupção e o caráter elitista que continuam caracterizando a política brasileira, exigindo-se por parte da cidadania uma maior participação nas decisões políticas fundamentais.

Em definitivo, podemos pensar que aquilo que estas mobilizações demonstram, com suas demandas de transparência, anticorrupção e maior participação, são os limites do lulismo como sutura populista hegemônica da crise de representação entre a classe política e a cidadania do país. Novas formas participativas deverão ser ideadas para acomodar um novo consenso entre governantes e governados, seguramente ao custo de diminuir a centralidade que as lideranças personalistas possuem hoje na política brasileira.

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