O novo coronavírus já infectou mais de 1 pessoa em cada 1 mil habitantes do mundo. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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16 Junho 2020

"A população mundial atingiu um número marcante em abril [...] estima-se um total de 7.777.777.777. No dia 13 de junho, o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus chegou a 7.777.777 casos. Portanto, 1 pessoa em cada 1 mil habitantes pegou o coronavírus", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 05-06-2020.

Eis o artigo.

A população mundial atingiu um número marcante em abril de 2020, quando estima-se um total de 7.777.777.777 (sete bilhões, setecentos e setenta e sete milhões, setecentos e setenta e sete mil e setecentos e setenta e sete) habitantes. No dia 13 de junho o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus chegou a 7.777.777 casos. Portanto, 1 pessoa em cada 1 mil habitantes pegou o coronavírus.

No dia 15/06, o número de pessoas infectadas deve atingir a marca histórica de 8 milhões de casos. O número de 1 milhão de casos ocorreu em 02/04, 2 milhões no dia 14/04, 3 milhões no dia 27/04, 6 milhões no dia 29/05, 7 milhões em 07/06, 8 milhões em 15/06 e deve atingir 9 milhões em 21/06. Portanto, estava gastando cerca de 12 dias para acrescentar 1 milhão de pessoas infectadas, passou para 8 dias e o próximo milhão deve ocorrer em 6 dias. Mas a velocidade da contaminação está diminuindo e dificilmente o número de pessoas contaminadas chegue a 78 milhões, o que seria 1% da população mundial.

No dia 06 de abril de 2020, o número de vidas perdidas para a covid-19 foi de 77,1 mil óbitos. Isto significou 1 morte para cada 100 mil habitantes do mundo. No dia 14 de junho o número de mortes pelo novo coronavírus atingiu 435,2 mil, o que representa 1 morte em cada 18 mil habitantes do Globo.

O mundo vive a sua maior pandemia em 100 anos, que gerou uma emergência sanitária que, por sua vez, gerou uma grande crise econômica. A gravidade da situação é inegável. Mas, do ponto de vista demográfico global, o impacto não é tão grande, pois nascem cerca de 140 milhões de bebês no mundo e morrem cerca de 60 milhões de pessoas todos os anos, das mais diferentes doenças e causas. Portanto, há um acréscimo anual de 80 milhões de pessoas e, a não ser que as taxas de fecundidade sejam muito alteradas, esta dinâmica demográfica global não será alterada pelo Sars-Cov-2.

Mas isto não quer dizer que a pandemia da covid-19 não tenha um impacto global. Os mapas abaixo mostram que nenhum país do mundo ficou livre dos efeitos, mais fortes ou mais leves, da doença. No dia 14 de março (três meses atrás) o quadro mundial era este abaixo. A pandemia estava fundamentalmente na China, Irã e Europa, com tendência de crescer nos EUA. A África e a América Latina tinham pouquíssimos casos.

Três meses depois, no dia 14 de junho, o quadro é totalmente diferente, pois a pandemia se espalhou pelo Planeta e atingiu fortemente, além da Ásia e da Europa, principalmente o continente americano. Os EUA viraram o epicentro da pandemia em maio e a América Latina, especialmente o Brasil, se tornaram o epicentro global em junho de 2020. Porém, a China, Coreia do Sul e os países europeus já atravessaram o pico e reduziram o número de casos e mortes diárias, caminhando para o fim da fase de expansão descontrolada da pandemia.

Na verdade, a maioria dos países já estão caminhando para a redução substancial do número de casos e mortes. O jornal Financial Times apresenta uma série de informações dos países para o número de casos e de mortes, a partir da média móvel de sete dias (uma semana) dos novos casos e novas mortes, por número de dias desde que foram alcançadas, em média, três mortes pela primeira vez.

O gráfico abaixo mostra que quase todos os países já reduziram para números bem baixos as mortes diárias (medidas por milhão de habitantes). Mas as grandes exceções são Chile, Peru e Brasil. Como mostramos em artigo anterior (Alves, 10/06/2020), a América do Su lé o atual epicentro da pandemia global.

Países como o Vietnã e Nova Zelândia, conseguiram passar relativamente bem pela pandemia. O Vietnã não teve nenhuma morte pela covid-19 e a Nova Zelândia teve apenas 22 mortes no total. Estes dois países já estão livres da propagação comunitária do vírus e já voltaram a liberar todas as atividades econômicas (com controle sanitária efetivo). Portanto, são países que vão poder retomar a geração de emprego e renda. Infelizmente, esta realidade ainda está longe do alcance do Brasil.

Referências:

ALVES, JED. A pandemia de Coronavírus e o pandemônio na economia internacional, Ecodebate, 09/03/2020. Disponível aqui.

ALVES, JED. Presidente quinta-coluna não combate a pandemia e instala o Necroceno no Brasil, Ecodebate, 08/06/2020. Disponível aqui.

ALVES, JED. América do Sul se consolida como epicentro da pandemia, Ecodebate, 10/06/2020. Disponível aqui.

ALVES, JED. Passado, Presente e Futuro da Pandemia da Covid-19, Instituto Fernando Braudel, SP, 11/06/2020. Disponível aqui.

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