49 milhões de contagiados e 630 mil mortos na Itália: é isso que o lockdown evitou

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12 Junho 2020

– Novas pesquisas realizadas pela Universidade da Califórnia em Berkeley estimam que os bloqueios nos EUA pelo coronavírus, além de outras medidas, evitaram cerca de 60 milhões de contágios de 3 de março a 6 de abril.

– Com base em dados coletados entre 16 de janeiro e 5 de março, estima-se que as medidas de prevenção tenham contribuído para evitar 285 milhões de contágios na China.

– Paralelamente, pesquisadores do Imperial College de Londres estimaram que as medidas contra o coronavírus evitaram 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus de março a maio.

Imagine que o mundo nunca tivesse instituído os bloqueios para responder à pandemia de coronavírus: existe uma forte possibilidade de que centenas de milhões de pessoas já teriam a COVID-19.

A reportagem é de Aria Bendix, publicada por Business Insider, 10-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

É isso que sugere uma nova pesquisa realizada pelo Laboratório de Políticas Globais da Universidade da Califórnia, Berkeley. Em um estudo divulgado na segunda-feira, 8 de junho, o laboratório estimou os efeitos de mais de 1.700 medidas de prevenção contra o coronavírus em seis países: EUA, China, Coreia do Sul, Itália, França e Irã. As restrições incluíam: proibições de viagens, fechamento de escolas, suspensão dos serviços religiosos, cancelamento de eventos e uma ordem para ficar em casa.

Sem limitações nos movimentos e na interação entre pessoas nos Estados Unidos, os pesquisadores estimam que o número de contágios quase dobraria a cada dois dias, de 3 de março a 6 de abril. Isso significa que cerca de 60 milhões de pessoas poderiam ter sido infectadas (os EUA registraram 1,9 milhão de casos até agora).

Segundo o estudo, o lockdown foi ainda mais bem-sucedido na China. Os pesquisadores descobriram que as políticas implementadas na China de 16 de janeiro a 5 de março impediram que cerca de 285 milhões de pessoas adoecessem. Até agora, o país registrou apenas 84.000 casos.

As primeiras restrições chinesas foram implementadas em Wuhan, onde o surto se originou. Um estudo realizado em março descobriu que o bloqueio de Wuhan em 23 de janeiro evitou dezenas de milhares de contágios na província de Hubei. Pesquisas estimam que, sem o bloqueio, os casos em Hubei teriam sido 65% a mais.

O estudo estima que as medidas de isolamento também evitaram 54 milhões de contágios no Irã, 49 milhões na Itália, 45 milhões na França e 38 milhões na Coreia do Sul.

"O desenvolvimento de políticas anticontágio nos seis países reduziram significativamente a pandemia", escreveram os pesquisadores.

Mas eles acrescentaram que "aparentemente, pequenos atrasos na aplicação das mesmas provavelmente produziram resultados sanitários dramaticamente diferentes".

Em outras palavras, países como a China se beneficiaram de medidas prematuras de isolamento, enquanto os atrasos nos EUA e na Itália poderiam ter causado mortes evitáveis. De fato, os especialistas em modelos epidêmicos da Universidade de Columbia estimaram recentemente que, antecipando o bloqueio em duas semanas, os EUA poderiam ter evitado 645.000 contágios e 36.000 mortes.

Os lockdowns europeus poderiam ter evitado milhões de mortes

Também foi constatado que os lockdowns reduziram as hospitalizações e as mortes ligadas ao coronavírus na Europa. Uma equipe de pesquisadores na Itália recentemente determinou que o bloqueio da nação evitou cerca de 200.000 hospitalizações entre 21 de fevereiro (quando o primeiro caso italiano foi relatado) e 25 de março.

Outro estudo divulgado na segunda-feira, 9 de junho e conduzido pelo Imperial College de Londres, estima que as restrições do bloqueio tenham evitado 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus desde o momento em que as medidas foram aplicadas em março até 4 de maio.

O estudo estima que a Itália evitou 630.000 mortes durante esse período. Por seu lado, a França evitou aproximadamente 690.000 mortes – o número maior entre as 11 nações.

Enquanto menos de 1% da população alemã contraiu o vírus, segundo o estudo o país evitou cerca de 560.000 mortes entre março e maio. Por outro lado, acredita-se que a Espanha e o Reino Unido - onde mais de 5% da população foi contagiada - evitaram mais de 400.000 mortes.

O menor número de mortes evitadas ocorre nos países nórdicos: cerca de 34.000 na Dinamarca, 26.000 na Suécia e 12.000 na Noruega. Cerca de 3% da população sueca foi contagiada, em comparação com 1% na Dinamarca e menos de 0,5% na Noruega.

No total, os pesquisadores determinaram que os bloqueios tiveram um "grande impacto na transmissão". Nos 11 países, o número atual de reprodução de base (o número de outras pessoas que uma pessoa doente infectada em média) foi significativamente menor que 1. Isso significa, em média, que uma pessoa com COVID-19 transmite o vírus para apenas uma pessoa ou menos - um sinal de que a disseminação está contida.

"Não podemos ter certeza de que as medidas atuais continuarão mantendo a epidemia na Europa sob controle", escrevem os pesquisadores. "No entanto, se a tendência atual continuar, há razões para sermos otimistas".

 

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