Brasil lidera o número de mortes entre os países do grupo BRICS

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12 Mai 2020

"Comparando o número de mortes entre os países do grupo BRICS, o Brasil, que estava bem atrás, acelerou o ritmo e já ultrapassou todos os outros, inclusive a China em número de casos", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia, em artigo publicado por EcoDebate, 11-05-2020.

Eis o artigo.

A pandemia do novo coronavírus começou na China – principal país do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) – e se espalhou rapidamente para todo o mundo. Depois da China e da Ásia, a pandemia alcançou em cheio a Europa e depois os Estados Unidos. Agora em maio de 2020, o Brasil se tornou o epicentro da pandemia, pois é o país que apresenta as maiores taxas de aumento do número de pessoas infectadas e de mortes pela covid-19.

O Brasil lidera número de mortes entre os países do grupo BRICS. Em meados de março o Brasil estava na trigésima colocação no ranking mundial dos países mais afetados pela pandemia da Covid-19. Ontem, no dia 10 de maio, era o 8º em número de casos e o 6º em número de mortes.

Comparando com os demais países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil com 162,7 mil casos só fica atrás da Rússia, com 209 mil casos, ambos muito acima da China, com 82,9 mil casos. A Índia vem em quarto lugar com 67 mil casos e a África do Sul com 10 mil casos. Portanto, Rússia e Brasil já passaram a China e são os dois países com maior número de pessoas infectadas no grupo BRICS.

Comparando o número de mortes entre os países do grupo BRICS, o Brasil, que estava bem atrás, acelerou o ritmo e já ultrapassou todos os outros, inclusive a China em número de casos. No dia 10 de maio, o Brasil registrou 11,1 mil mortes (fora as subnotificações que são muitas), enquanto a China registrou 4,6 mil, a Índia 2,2 mil, a Rússia 1,9 mil e a África do Sul com apenas 194 mortes. O Brasil não é somente o país que tem o maior volume de mortes, mas é também o país que tem as maiores taxas de crescimento do número de óbitos.

A tabela abaixo apresenta alguns indicadores econômicos e demográficos dos países do BRICS e o número de casos e de mortes, assim como os coeficientes de incidência e de mortalidade. A China é o país com o maior PIB em poder de paridade de compra (ppp), a preços correntes (US$ 19,3 trilhões) e a maior população (1,44 bilhão de habitantes) e a segunda renda per capita (US$ 19,3 mil). A China teve 58 casos por milhão de habitantes e 3 mortes por milhão, com uma taxa de letalidade de 5,6%.

A Índia tem o segundo maior PIB (em ppp) de US$ 11,3 trilhões e a segunda maior população (de 1,38 bilhão de habitantes) e a menor renda per capita do grupo, com US$ 8,2 mil, mas apresenta os menores coeficientes de incidência (49 por milhão) e de mortalidade de 2 mortes por milhão de habitantes.

O terceiro maior PIB é da Rússia (US$ 4,18 trilhões), que conta com população de 146 milhões de habitantes e a maior renda per capita (US$ 28,6 mil) do BRICS. A Rússia teve o maior coeficiente de incidência, com 1,4 mil casos por milhão de habitantes, e 13 mortes por milhão, com uma taxa de letalidade de somente 0,9%.

Entre os BRICS, o Brasil possui o quarto PIB (US$ 3,3 trilhões) e a terceira maior população (212 milhões) e uma renda per capita de US$ 15,7 mil. Apresentou um coeficiente de incidência de 768 casos por milhão de habitantes (atrás apenas da Rússia) e apresentou o maior coeficiente de mortalidade (53 por milhão), superior à média mundial. O Brasil também apresentou a maior taxa de letalidade (6,8%).

A África do Sul apresenta o menor PIB (US$ 760 bilhões), a menor população (59,3 milhões) e a segunda menor renda per capita US$ 12,8 mil. Até aqui, a África do Sul tem os menores números de casos e de mortes, mas o terceiro maior coeficiente de incidência e um coeficiente de mortalidade (3 mortes por milhão) equivalente da Índia e da China.

Segundo o último relatório do FMI, as economias mais afetadas pela pandemia da covid-19 serão o Brasil e a África do Sul com uma redução significativa da renda per capita no triênio de 2019 a 2021. A Rússia também terá redução da renda per capita, mas em menor proporção. China e Índia serão os países com o melhor desempenho no triênio, em especial a China que conseguiu controlar a pandemia em março e agora já volta ao trabalho antes dos países ocidentais.

O fato é que a pandemia do novo coronavírus vai reforçar uma tendência que já vinha acontecendo que é acentuar a ascensão da China e fortalecer o triângulo estratégico formado por China, Índia e Rússia. Consequentemente, Brasil e África do Sul ficam mais como coadjuvantes no cenário da correlação de forças globais, pois vão sair mais enfraquecidos da crise atual, enquanto o eixo da economia internacional tende a se deslocar para a Ásia.

Referências:

ALVES, JED. Brasil e África do Sul são coadjuvantes no grupo B-RIC-S e na nova ordem mundial, Ecodebate, 25/07/2018. Disponível aqui.

ALVES, JED. O “quadrante mágico” (RICI) que desafia os EUA e o Ocidente, Ecodebate, 20/03/2019. Disponível aqui.

ALVES, JED. A ascensão da China, a disputa pela Eurásia e a Armadilha de Tucídides. Entrevista especial com José Eustáquio Diniz Alves, IHU, Patricia Fachin, 21 Junho 2018. Disponível aqui.

Revista IHU, nº 528, Ano XVIII. Disponível aqui.

ALVES, JED. Brasil e África do Sul são coadjuvantes no grupo B-RIC-S e na nova ordem mundial, Ecodebate, 25/07/2018. Disponível aqui.

IHU. A maior transformação econômica dos últimos 250 anos. China tende a assumir a hegemonia mundial e a liderança do comércio de tecnologia. Entrevista especial com José Eustáquio Alves, por Wagner Fernandes de Azevedo e Patrícia Fachin, 07 Maio 2019. Disponível aqui.

ALVES, JED. A Organização de Cooperação de Shangai (OCS) versus o grupo BRICS, Ecodebate, 22/05/2019. Disponível aqui.

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