A covid-19 na América Latina: o que alguns números nos dizem?

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19 Mai 2020

Próximo de cumprir dois meses desde que no Brasil confirmou-se o primeiro caso da covid-19 na América Latina, é difícil saber com certeza qual é a situação real país por país.

A reportagem é publicada por Democracia Abierta e reproduzida por CPAL Social, 14-05-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Na América Latina, como em outras regiões do mundo, as cifras que conhecemos não são homogêneas, nem a metodologia de contagem é a mesma em todos os países, ou se realizam mudanças que distorcem os resultados porque as comparações poderiam ser enganosas e a situação poderia ser muito mais dramática do que refletem os números.

No entanto, é possível ter uma ideia aproximada se fizermos uma recontagem de como avançou o coronavírus Sars-Cov-2 na região, segundo os números oficiais de cada país.

Tomando os números com corte ao 11 de maio, o país com mais casos confirmados na América Latina é o Brasil, com 170.021 casos, seguido pelo Peru com 68.822 e o México com 36.327.

No entanto, e como mostra o gráfico abaixo, Peru é o país mais afetado na região, em relação aos casos confirmados por cada milhão. Em seguida vem Equador, Chile e Brasil.


Total de casos de Covid-19 confirmados por milhão de pessoas

Ainda que isso provavelmente responda às medidas antecipadas que vários governos da região adotaram para conter o contágio, é muito difícil de comprovar. Pode ser ilustrativo repassar as medidas adotadas pelos países latino-americanos mais afetados, para ter uma aproximação da realidade do impacto atual da pandemia.

Peru

Apesar de o Peru ter o maior número de casos por milhão de pessoas, tem um total de mortes registrados relativamente baixo: 1.961. O governo do país instaurou medidas de restrição de movimento exigentes e declarou um estado de emergência. Ademais, tomou medidas ainda mais restritivas da mobilidade nas zonas onde há mais afetados pela covid-19.


Total e casos de morte por Covid-19 no Peru

Equador

O Equador, por sua vez, registrou mais mortes que o Peru, com 2.145 mortes. Como já analisamos (artigo do Democracia Abierta disponível em espanhol, neste link), o Equador viveu momentos trágicos nas últimas semanas, quando os cadáveres estavam empilhados nas esquinas, embora o presidente tenha tomado medidas precoces para restringir a movimentação. O caso do Equador poderia elucidar um problema estrutural comum na América Latina: a forte desigualdade econômica e social resultante da informalidade. A pobreza e a fome obrigam muitas pessoas a deixar suas casas, apesar da ameaça de um vírus que pode ser letal, especialmente em um contexto em que o sistema de saúde pública é precário e totalmente insuficiente diante de uma crise dessa natureza.


Total e casos de morte por Covid-19 no Equador

Brasil

O Brasil, epicentro da pandemia na região, registra 11.519 mortes e a crise da saúde foi liderada por um presidente que não leva a sério a ameaça representada por uma pandemia. Diante dos primeiros casos, Jair Bolsonaro minimizou a doença, chamando-a de “gripezinha”, um pequeno resfriado, e instou a população a continuar trabalhando.

Quando as mortes ultrapassaram 5.000, Bolsonaro respondeu a perguntas de jornalistas: “E daí? O que você quer que eu faça? Meu nome é Messias, mas não faço milagres”.

Em meio a uma pandemia, Bolsonaro demitiu seu ministro da Saúde enquanto participava de várias manifestações contra as medidas de restrição de mobilidade adotadas pelos estados federais e a favor do fechamento do Congresso e da intervenção militar.

Sempre sem máscaras, ele abraçou seus seguidores, ignorando as diretrizes de distanciamento social estabelecidas por membros de seu próprio governo. Na última sexta-feira, 8 de maio, quando as mortes chegaram a 10.000, o presidente anunciou que comemoraria o Dia das Mães na casa presidencial com um churrasco para dezenas de pessoas. Diante de fortes críticas, ele cancelou a festa e passou o dia no lago, andando de jet ski.


Total e casos de morte por Covid-19 no Brasil

 

Embora o coronavírus não pareça ter afetado tão fortemente a região da América Latina como na Europa até hoje, o contexto da América Latina apresenta alguns déficits estruturais importantes que despertam o alerta, e a profunda crise econômica global que está chegando pode ser particularmente dolorosa na região.

A desigualdade, a pobreza, a informalidade da economia e a fraqueza do contexto econômico atual podem tornar essa pandemia uma tragédia como nenhuma outra, aprofundando as diferenças e abrindo ainda mais a lacuna entre quem tem muito e quem não tem nada.

Encontrar o equilíbrio entre medidas para conter a doença e a sobrevivência de milhões de pessoas que ganham a vida diariamente nas ruas das metrópoles latino-americanas será fundamental. À medida que os países reabrem suas economias e relaxam as medidas de quarentena conforme o inverno se aproxima, teremos de permanecer vigilantes com o desenvolvimento imprevisível da covid-19 em um continente muito vulnerável às suas consequências.

 

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