Em novo livro, 30 evangélicos argumentam contra Trump

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04 Agosto 2020

"Mais de 80% dos eleitores americanos que se identificam como evangélicos escolheram Donald Trump em 2016", constata Bill Tammeus, presbiteriano e colunista premiado do jornal The Kansas City Star, que escreve para o blog Faith Matters, para as revistas The Presbyterian Outlook e Flatland. Seu mais recente livro intitula-se The Value of Doubt: Why Unanswered Questions, Not Unquestioned Answers, Build Faith.

O artigo foi publicado por National Catholic Reporter, 29-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

The Spititual Danger of Donald Trump: 30 Evangelical
Christians on Justice, Truth and Moral Integrity
[O perigo espiritual de Donald Trump: 30 evangélicos
escrevem sobre justiça, verdade e integridade moral]
Organizado por Ronald J. Sider – 223 páginas –
Publicado por Cascade Books

Mais de 80% dos eleitores americanos que se identificam como evangélicos escolheram Donald Trump em 2016. Nesta nova coletânea de ensaios, outros evangélicos dizem a esses eleitores, com termos contundentes, para não fazerem o mesmo no próximo mês de novembro.

Aqui, apresento parte do que dizem os autores no livro.

Trump ameaça “desfiar os últimos fios da decência em nossa cultura”, escreve Mark Galli no texto de abertura. Galli teve o nome citado nas manchetes em dezembro quando, como editor-chefe da publicação Christianity Today, propôs a destituição de Trump da presidência dos EUA.

Trump passa “a maior parte do tempo mentindo, imaginando esquemas perversos, envolvendo-se em atos imorais, prestando falso testemunho contra inimigos declarados e criando conflitos”, acrescenta Chris Thurman em seu ensaio intitulado “God Hates a Lying Tongue” (Deus odeia uma língua mentirosa).

Além disso, acrescenta um outro ensaísta, “não podemos realmente amar Jesus e desejar segui-lo e também votar em uma pessoa que encarna, tão claramente, o oposto de tudo aquilo que Cristo ensinou”. E mais: Trump, “por duas vezes divorciado, três vezes casado, predador sexual autoconfesso, cuja compreensão da fé é tão falha que ele nem sequer consegue falsear uma alfabetização religiosa”. Como se não bastasse, Trump é “o presidente mais irreligioso dos últimos cem anos pelo menos”.

E tem mais, porém vamos trazer só um pouco que do leitor irá encontrar.

A condenação dos evangélicos que ignoraram esta dissonância cognitiva e votaram no atual presidente, entretanto, é ainda mais dura do que aquela feita a Trump no livro. Como Christopher Hutchinson escreve: “O nosso problema não é exatamente o próprio Trump (...) O nosso problema é uma cultura que é materialista e amoral, que elevou ao poder alguém assim”.

O ensaísta Stephen R. Haynes, professor de estudos religiosos na Rhodes College, se expressou nos seguintes termos: “Os apoiadores evangélicos [de Trump] podem ter desistido de cristianizar o presidente; no entanto, ninguém questiona que ele teve sucesso em ‘trumpificar’ o cristianismo americano”.

Muitas explicações já foram imaginadas para o apoio massivo que os evangélicos brancos deram a Trump em 2016, entre elas a esperança de que ele nomearia juízes para a Suprema Corte que derrubariam o caso Roe x Wade. Mas, no fim, ficou claro a todos de fora do círculo evangélico branco que este público havia posto à venda o seu centro moral para ter acesso ao poder político.

Já em 2016 havia alguns evangélicos advertindo contra esta transação, o que prejudicou o evangelicalismo e a religião em si por hipocrisia. Estas vozes convenceram algumas outras a juntarem-se no alerta de que o voto para Trump em 2020 custará a alma dos seus eleitores. O resultado é este envolvente livro de ensaios.

Alguns dos textos publicados já haviam aparecido em diferentes publicações sob formas ligeiramente alteradas. O tom anti-Donald Trump, nesse sentido, é repetitivo. Quantas vezes, afinal, precisamos ouvir que Trump mente a cada vez que abre a boca para falar?

Mas, no final, os ensaios publicados têm menos a ver com Trump e suas políticas, e mais com os evangélicos e o abandono que muitos deles fizeram dos princípios cristãos. Este abandono notável e escandaloso, na verdade, tem sido uma das narrativas religiosas mais importantes – ainda que pouco refletida e analisada – destes tempos que vivemos.

Talvez o presente volume nos ajude a entender não só o que aconteceu em 2016, mas também as consequências que haverá se o mesmo ocorrer em novembro próximo.

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