Igrejas contra Trump: uso da fé

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04 Junho 2020

A bispa episcopaliana reage às fotos do presidente com a Bíblia na mão: mensagem antitética a Cristo. Ontem também a visita ao santuário de São João Paulo II. O arcebispo de Washington: é um ato "reprovável".

A reportagem é de Elena Molinari, publicada por Avvenire, 03-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

As duas visitas de Donald Trump a igrejas cristãs em Washington não foram bem-recebidas, tendo como pano de fundo a escalada de protesto dos afro-americanos contra a violência policial, pelas quais o presidente estadunidense até agora expressou apenas ameaças.

Ontem, o chefe da Casa Branca foi com sua esposa Melania ao santuário de São João Paulo II, na capital, onde posou em frente de uma estátua do santo. Na véspera, ele parou brevemente no cemitério da igreja episcopal de Saint John - que os serviços de segurança haviam previamente evacuado disparando balas de borracha e gás lacrimogêneo contra centenas de manifestantes pacíficos - aqui também apenas pelo tempo de uma foto, com a Bíblia em mão. Gestos que foram vistos como puramente eleitoreiros e políticos pelos líderes religiosos.

Donald Trump, erguendo uma Bíblia, em frente à Igreja Episcopal de St. Johns (Foto: Ninian Reid | Flickr CC)

"Considero desconcertante e reprovável que qualquer estrutura católica seja tão abusada e manipulada de uma maneira que viole nossos princípios religiosos, que nos chamam a defender os direitos de todas as pessoas, mesmo aquelas com quem poderíamos discordar", afirmou o arcebispo de Washington, Wilton Gregory.

Mais tarde, o prelado ressaltou que o papa João Paulo II não justificaria as ações de Trump, incluindo sua visita no dia anterior à igreja onde estava em andamento um protesto pela morte de George Floyd na semana passada pelas mãos de um policial de Minneapolis. “O Papa João Paulo II era um fervoroso defensor dos direitos e dignidade dos seres humanos. Seu legado é o testemunho vívido dessa verdade - ele acrescentou -. Certamente não perdoaria o uso de gás lacrimogêneo e outros expedientes para silenciar, dispersar ou intimidar as pessoas para uma foto diante de um local de culto e paz".

Da Itália, também o padre Antonio Spadaro, diretor da revista jesuíta Civiltà Cattolica, condenou como ostentação "o uso da Bíblia para o próprio poder mundano diante da tragédia".

Algumas horas antes, a bispa de Washington da Igreja Episcopaliana, Mariann Edgar Budde, havia dito que estava "indignada" pelas ações de Trump. “A mensagem do Presidente é antitética à de Cristo; seus gestos e palavras apenas alimentam a violência", havia afirmado.

Enquanto isso, Pax Christi Usa realizava uma vigília perto do santuário "para expressar consternação com esta visita e orar por nosso país e nossa Igreja", enquanto Trump, retornando à Casa Branca, assinava uma ordem executiva para "fortalecer a liberdade religiosa" e alegava que seu governo "fez mais do que qualquer outro presidente pela comunidade dos afro-americanos desde os tempos de Abraham Lincoln".

Donald Trump e Melania Trump no Santuário São João Paulo II. Foto: CNS

O presidente, porém, não fez comentários sobre o pedido do Kremlin de "esclarecimentos" sobre o convite de Vladimir Putin por telefone para participar em um G7 ampliado nos EUA em setembro. Pedido que provocou a ira da UE, Canadá e Grã-Bretanha.

Condenações ao comportamento do chefe da Casa Branca em relação às Igrejas - lidas como uma manobra eleitoreira para garantir o consenso de brancos, cristãos e conservadores em vista do voto de novembro - também vieram do mundo político. Seu desafiante Joe Biden prometeu que não permitirá que "nenhum presidente nos cale, nem quem considera o que está acontecendo como uma oportunidade para semear o caos e lançar uma cortina de fumaça para nos distrair das verdadeiras legitimas reclamações ao centro dessas manifestações".

Em um discurso na Filadélfia, onde as primárias foram realizadas ontem, o candidato democrata também incentivou o Congresso dos EUA a pôr em prática uma reforma policial para garantir proteção igual para os negros e brancos perante a lei. “As últimas palavras de George Floydnão consigo respirar’, são um alerta para o nosso país - concluiu o ex-vice-presidente -: estamos no meio de uma batalha para definir a alma deste país. Temos de começar uma nova era e uma ação que leve a novos direitos civis”.

Um apelo semelhante foi lançado pelo presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o arcebispo de Los Angeles, José H. Gomez, que em entrevista ao Vatican Insider chamou o racismo de "blasfêmia". "Infelizmente, a brutalidade policial é uma realidade e é um crime", enfatizou, destacando, no entanto, que "a grande maioria dos homens e mulheres das forças policiais cumprem seu trabalho com profissionalismo".

 

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