‘Se os partidos não se organizam, o povo vem para a rua’, diz fundador da Gaviões da Fiel

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01 Junho 2020

Com repressão da Polícia Militar, ato em defesa da democracia e contra o fascismo reuniu mais de 5 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo.

A reportagem é de Nataly Simões, publicada por AlmaPreta, 31-05-2020.

Uma manifestação em defesa de democracia e contra o avanço do fascismo no Brasil reuniu pelo menos 5 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (31). Ao longo do protesto, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “chega de sistema opressor” e “periferia não apoia ditadura”.

“Temos visto um movimento crescer no país, encabeçado pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, de uma ameaça de golpe militar. Os partidos não se organizam, então nós que somos o povo nos organizamos e viemos para a rua. O Corinthians é o povo. Estamos aqui para representar mais de 70% da população que é contra a ditadura e a favor da democracia”, diz Chico Malfitani, fundador da Gaviões da Fiel, torcida que organizou o ato e é historicamente envolvida com mobilizações sociais.

Membros de torcidas do Palmeiras e do São Paulo também participaram do ato e levantaram cartazes com dizeres como “pela vida e pela democracia”. Os organizadores reiteram que a reivindicação era “única” e “imediata”.

“É uma mobilização da sociedade, onde coletivos que têm amor por sociedades esportivas distintas se unem contra o fascismo vigente no país. O repúdio ao nazismo e a intolerância conseguiu unir quem nunca havia andado junto antes”, considera Rodrigo Cardoso, torcedor do Palmeiras e integrante do Coletivo Antifascista

Integrantes de coletivos em defesa da democracia no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. (Foto: Pedro Borges)

Os casos de violência policial contra a população negra e da periferia, em especial às mortes de João Pedro Matos, baleado no dia 18 de maio no Rio de Janeiro, e de George Floyd, asfixiado no dia 25 de maio nos EUA, também estavam entre as motivações das pessoas que foram às ruas.

“Eu não quero que meu filho passe pelo que outras crianças negras têm vivido e pelo que nossos antepassados viveram. Estou aqui por mim, pela minha família e pelas próximas gerações”, conta Carlos Vitorino, um dos participantes do ato.

Em razão da pandemia do Covid-19, o novo coronavírus, os organizadores do ato orientaram que os manifestantes respeitassem as orientações de distanciamento social e usassem máscaras.

Houve, no entanto, um tumulto provocado por manifestantes contrários ao ato pela democracia e que tentaram se aproximar. Esses manifestantes defendiam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional e faziam ofensas aos profissionais de imprensa.

O ato terminou com repressão da Polícia Militar que não poupou o uso de bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes pró democracia.

 

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