Na ausência dos movimentos tradicionais, torcidas de futebol e coletivos antifascistas tomam as ruas contra o governo Bolsonaro

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01 Junho 2020

"A novidade desse domingo não estava em Brasília, mas nas ruas de várias capitais brasileiras. Na ausência dos movimentos tradicionais, torcidas de futebol e coletivos antifascistas tomaram as ruas contra governo Bolsonaro. Mas há um risco", escreve Cesar Sanson, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

Eis o artigo.

Nem Frente Brasil Popular, nem Frente Povo Sem Medo, tampouco a Central Única dos Trabalhadores – CUT e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. A primeira reação ao governo Bolsonaro nas ruas depois de muito tempo veio de quem menos se esperava, de grupos organizados de torcidas de futebol, dos coletivos intitulados ‘torcida antifascista’ que se organizam internamente nas torcidas dos maiores times do futebol brasileiro

Ato de torcidas organizadas na Av. Paulista. Foto: Redes Sociais.

As manifestações, tudo indica, pegaram de surpresa a esquerda organizada, a dos partidos políticos (PT, PCdoB, PSOL) e dos movimentos mais conhecidos como Centrais Sindicais e MST. Não havia, ao menos nas redes sociais, nenhum anúncio, tampouco comentários, dessas organizações que sinalizavam para essas manifestações.

Não foram grandes as manifestações, não reuniram multidões, mas chamaram a atenção por terem acontecido em várias capitais brasileiras, o que revela articulação. Pode ser a fagulha para a retomada das ruas, mesmo em tempos de isolamento social.

Resta saber como reagirá a esquerda tradicional. Ainda muito desgastada pelo revés que sofreu com o impeachment de Dilma e a prisão de Lula e sem forças de retomar as ruas, deve ganhar alento com esses atos.

Por outro lado, paradoxalmente, os atos dos coletivos de torcidas podem dar combustão ao discurso da extrema direita que pede os tanques nas ruas. O suposto crescimento nas ruas de grupos de oposição, o que é bastante provável, e possíveis confrontos com os grupos bolsonaristas é uma centelha para que o discurso do restabelecimento da ‘ordem’ ganhe força entre os setores conservadores, inclusive da imprensa. É tudo o que Bolsonaro deseja. Convulsão nas ruas para justificar o endurecimento com a manus militar.

É o risco a se correr.

 

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