Primaz anglicano diz que Trump usou Bíblia e templo para fins políticos partidários

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03 Junho 2020

A aparição de Donald Trump erguendo uma Bíblia, na segunda-feira, 1º de junho, em frente à Igreja Episcopal de St. Johns, localizada próxima à Casa Branca, gerou críticas de líderes da denominação. O presidente dos EUA “utilizou um edifício da Igreja e a santa Bíblia para fins políticos partidários”, declarou o bispo primaz, Michael B. Curry, em nota pública. Isso ocorreu, assinalou o primaz, “num momento de profunda mágoa e dor em nosso país, e sua ação não fez nada para nos ajudar ou para nos restaurar”.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

“Não quero o presidente Trump falando pela St. Johns”, afirmou a bispa episcopal de Washington, reverenda Mariann Budde. “Tudo o que ele disse e fez foi inflamar a violência”, comentou. “Precisamos de liderança moral, e ele fez de tudo para nos dividir”, disse a bispa a repórteres do The Washington Post.

A inesperada visita de Trump levou policiais federais a usarem a força para dispersar uma multidão de manifestantes pacíficos da rua onde está localizado o templo episcopal. O reitor da igreja, reverendo Robert W. Fischer, surpreendeu-se com a visita, pois a Casa Branca geralmente avisa a igreja com antecedência sobre a chegada do presidente.

A Bíblia que Trump levava e a igreja na qual ele se encontrava, lembrou o primaz na nota, “representam os valores do amor, da justiça, da compaixão e um meio de curar nossas feridas”. Curry destacou que americanos necessitam que o presidente, “e todos os que ocupam cargos públicos, sejam líderes morais que nos ajudem a ser um povo e uma nação que pratique esses valores”. 

Donald Trump, erguendo uma Bíblia, em frente à Igreja Episcopal de St. Johns (Foto: Ninian Reid | Flickr CC)

O primaz pediu: “Pelo bem de George Floyd, por todos os que sofreram injustamente, e pelo bem de todos nós, precisamos de líderes para nos ajudar a ser ‘uma nação, sob Deus, com liberdade e justiça para todos’”. 

O sociólogo Andrew Whitehead, da Universidade Clemson, estudioso do nacionalismo cristão, disse ao Post que a aparição do presidente foi uma tentativa de promover a ideia da América como uma nação distintamente cristã. “Ir à igreja, não entrar nela, não se encontrar com nenhum clérigo, sustentar uma Bíblia, mas não citar nenhuma escritura, depois de um discurso autoritário (proferido no Rose Garden), foi usar o simbolismo religioso para seus fins”, explicou. 

Trump disse, na sua aparição “eclesiástica”, que tornaria a América segura, o que, para Whitehead, levanta a questão: segura para quem? “É principalmente para os brancos, principalmente para a América protestante”, respondeu.

Mas teve quem defendesse Trump. O pastor Mark Burns, da Carolina do Sul, tuitou: “Em que tipo de igreja eu preciso de permissão para participar?”, retorquindo o argumento de que o presidente deveria ter informado os religiosos a respeito da visita. “Jesus acolhe a todos”, postou Burns.

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