EUA: apoio a Trump diminui entre católicos brancos e hispânicos

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02 Julho 2020

O presidente Donald Trump está perdendo apoio entre os católicos brancos e hispânicos, de acordo com novos dados divulgados nesta semana, embora, se a eleição fosse realizada hoje, ele provavelmente venceria entre os católicos brancos.

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 01-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma pesquisa do Pew Research Center divulgada no dia 1º de julho mostrou que a taxa de desaprovação do presidente entre os católicos brancos é de 45%, contra 42% em janeiro deste ano. Entre os católicos hispânicos, seus índices de desaprovação são ainda maiores: 74% em junho, contra 72% em janeiro.

A aprovação geral de Trump entre os católicos caiu de 45% em janeiro para 41% em junho. Embora seu apoio entre os protestantes evangélicos brancos continue alto, o presidente experimentou uma queda de 6 pontos percentuais, de 78% em abril para 72% em junho entre os estadunidenses adultos que dizem “aprovar o modo como Donald Trump está realizando o seu trabalho como presidente”.

Entre os católicos brancos, a pesquisa constatou que 57% dos entrevistados disseram que, se a eleição fosse hoje, eles “votariam/estariam inclinados a votar em” Trump. Além disso, 47% disseram acreditar que Trump tem sido um presidente “ótimo” ou “bom”, em comparação com apenas 20% dos católicos hispânicos.

Por outro lado, apenas 21% dos católicos brancos disseram acreditar que o possível candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, seria um presidente “ótimo” ou “bom”, em comparação com 39% dos católicos hispânicos.

A margem de erro, no entanto, para os católicos brancos foi de 4,9% e de 8,1% entre os católicos hispânicos, com um total de 931 católicos pesquisados no total.

As últimas descobertas ocorrem apenas algumas semanas depois que o presidente fez uma série de esforços de alto nível, embora controversos, para ir ao encontro dos eleitores religiosos por meio de fotos em frente à Igreja Episcopal de São João e ao Santuário Nacional de São João Paulo II em Washington.

Sua visita à São João no dia 1º de junho ocorreu depois que os policiais usaram gás lacrimogêneo para afastar os manifestantes que protestavam pacificamente após o assassinato de George Floyd, um negro desarmado, por policiais de Minneapolis.

De acordo com o Religion News Service, a polícia também expulsou um padre e um seminarista da Igreja Episcopal das dependências eclesiais para dar lugar à foto do presidente.

Sua visita no dia seguinte ao Santuário Nacional de propriedade dos Cavaleiros de Colombo foi criticada pelo arcebispo de Washington, Wilton Gregory, como “desconcertante e repreensível”.

“O Papa São João Paulo II foi um fervoroso defensor dos direitos e da dignidade dos seres humanos. Seu legado é um testemunho vívido dessa verdade. Ele certamente não toleraria o uso de gás lacrimogêneo e outros impedimentos para silenciar, dispersar ou intimidar as pessoas para uma foto de campanha na frente de um local de culto e de paz”, disse Gregory em um comunicado.

No início de junho, uma pesquisa conjunta da Politico e da Morning Consult revelou que apenas 27% dos eleitores registrados – e apenas 23% dos católicos – consideram Trump uma pessoa religiosa.

Na terça-feira, o Faith in Public Life e o Interfaith Power & Light, dois importantes grupos de defesa da fé na capital dos EUA, divulgaram um guia de reflexão aos eleitores, elaborado pelas principais figuras religiosas, com perguntas para a reflexão pessoal e para os candidatos. Entre os temas abordados, estão as disparidades na área da saúde, imigração, nacionalismo, racismo e justiça econômica.

“Como pessoas de fé em todo o país, acreditamos que a eleição de 2020 é um referendo sobre os valores que moldarão o nosso futuro”, afirma o guia de reflexão.

À medida que a corrida eleitoral se aquece, espera-se que ambas as campanhas continuem com iniciativas de divulgação junto aos eleitores religiosos. Biden é católico, e Trump é presbiteriano.

Em 2016, o voto católico se dividiu estreitamente entre Trump e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. De acordo com pesquisas de opinião do Pew Research Center, o voto católico branco foi esmagadoramente em Trump, com 60%, mas, entre os católicos hispânicos, o presidente recebeu apenas 26% dos votos. Outra análise da American National Election Studies descobriu que Clinton recebeu o voto católico geral de 48%, contra 45% em Trump.

 

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