“Poderíamos sair, e muito melhores. Porém temo que, uma vez mais, não aprendamos a lição”, aposta José Ignacio González Faus

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01 Abril 2020

A sabedoria intelectual e vital acumulada permite a José Ignacio González Faus (Valencia, 1933) ir ao essencial e responder perguntas complexas com brevidade e precisão. Convencido de que “esta pandemia põe à prova nosso nível de consciência”, assegura que “é lógico sentir medo” diante dela e crê que “poderíamos sair muito melhores”, ainda que tema que “uma vez mais, não aprendamos a lição”. A nível eclesial, aposta por revisar as relações entre novas tecnologias e sacramentos, assim como seguir propondo o Evangelho como “a melhor oferta de sentido que se fez à humanidade”.

A entrevista é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 30-03-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis a entrevista.

Como está vivendo a passagem da pandemia pela sua vida e pelo país?

Como uma moléstia e uma possibilidade.

É lógico, apesar da fé, sentir medo diante deste inimigo invisível e tão mortífero?

É lógico porque toca as pessoas queridas, creio que senti algo disso quando soube que Javier Vitoria tinha o vírus. E creio que depois de uma oração muda (que nem sequer sei se foi uma oração, porém foi mais que outras) saí incompreensivelmente refeito.

Onde está Deus?

Como tu és galego posso responder com outra pergunta: onde estava Deus no Calvário, quando Jesus gritava “Deus por que me abandonaste” ?

Como é possível que alguns clérigos (inclusive alguns altos cardeais) sigam dizendo que o coronavírus é um “castigo de Deus”?

Nunca se disse que clérigos (e até os cardeais) não possam proferir heresias e até blasfêmias inconscientes.

Esta pandemia põe à prova nosso nível de consciência?

Põe. Outra coisa é se faremos caso desse alerta.

A crise não está nos fazendo descobrir que, talvez, tenhamos que repensar a administração dos sacramentos? Não caberia a confissão por videoconferência?

Cabe um abraço por videoconferência? A absolvição não é mais que um abraço. Outra coisa é que se possa aproveitar o confinamento para estudar com calma relações entre novas tecnologias e sacramentos. Quando o Papa deu a benção com o Santíssimo pela televisão, alguém da minha comunidade se ajoelhou. Eu segui sentado.

Como assumir a morte em uma cultura em que ela foi ocultada?

Reconhecendo que tínhamos ocultado (a morte). E perguntando-nos se isso é devido a algum medo ou a que outra razão.

Os padres não se separaram exageradamente do povo, deixando-o só, sobretudo em hospitais e sanatórios?

Confinado como estou, não posso saber de nada disso. Pela internet li dois casos de dois padres italianos internados: um passou a um enfermo o respirador que sua comunidade havia lhe dado, e morreu. Outro parece que levantou à equipe médica novamente a pergunta por Deus. Em qualquer caso, nesse mundo há de tudo.

Vamos sair melhores, mais cívicos e solidários ou a lição logo será esquecida?

Poderíamos sair, e muito, melhores. Porém, temo que, mais uma vez, não aprendamos a lição. (Não obstante, em um poema que dediquei aos agentes sanitaristas e que aparecerá na revista El Ciervo, saiu um verso que diz: ‘a humanidade será melhor amanhã’).

 

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“Poderíamos sair, e muito melhores. Porém temo que, uma vez mais, não aprendamos a lição”, aposta José Ignacio González Faus - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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