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26 Março 2020

'Na oração, é o nosso coração que quer estar próximo ao coração de Deus e as palavras devem ser entendidas com o coração. É por isso que podemos dizer: "Senhor, ajude-nos, afaste de nós a epidemia, faça a vida triunfar sobre a morte!" e, ao mesmo tempo, nos empenharmos a ser seus instrumentos nessa luta contra o mal".

O comentário é do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado em Avvenire, 25-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o texto.

Papa Francisco teve a audácia de agir como intercessor da humanidade atingida pelo coronavírus. Ele o fez indo rezar diante do ícone de Maria Salus populi romani e depois diante do histórico crucifixo na igreja de San Marcello al Corso, o mesmo que João Paulo II, durante o Jubileu de 2000, quis em San Pietro para a confissão litúrgica dos pecados cometidos pela Igreja na história. O papa disse: "Pedi ao Senhor que parasse a epidemia: pare, Senhor, com sua mão!" Palavras inspiradas pela fé e convicção da eficácia da oração. No entanto, pareceram palavras desafinados para alguns, que enfatizavam que a vitória sobre o vírus pode ser alcançada graças à competência humana e, sobretudo, à pesquisa científica e à medicina.

Devemos ser sinceros e admitir que é difícil, se não impossível, para o homem secularizado de hoje, pensar em um Deus que intervém para remover o mal.

Isso especialmente após a aquisição, também no pensar a , que Deus não envia o mal para punir nossos pecados, porque ele não quer a morte dos pecadores, mas que eles se convertam e vivam.

Em nosso imaginário devoto, não temos mais a concepção de um Deus irado, que pune ou intervém, em nome de uma justiça por nós pensada humanamente, para sancionar os nossos comportamentos e nos forçar a fazer o bem. Também perdemos a imagem de um Deus que pode libertar-nos aqui e agora do mal em que nos lamentamos e sofremos. Como, então, um cristão orará na hora da necessidade, do sofrimento e da morte? O que ele pedirá? Todas as Escrituras, em sua unidade do Antigo e do Novo Testamento, testificam para nós orações dirigidas a Deus ou Jesus para cura, até o pedido de vitória sobre a morte. Moisés, quando sua irmã Maria foi acometida pela doença da hanseníase, gritou ao Senhor: "Deus, por favor, cure-a!" (Nm 12,13) e Jesus muitas vezes foi solicitado a curar, pelos próprios doentes ou por outros que os apresentaram a ele. Assim, com fé, simplicidade e confiança filial nesta hora da epidemia, podemos pedir a Deus: “Pare com esta praga! Livre-nos desta pandemia!”. Não devemos esquecer que essa oração fiducial é a mesma que a Igreja sempre fez para pedir chuva, a volta do tempo bom ou a libertação de tempestades, fome e guerra.

Mas atenção, o cristão está bem ciente: com essa formulação de oração, não pretende, não dita a Deus o comportamento, mas simplesmente denuncia diante dele a dor que assola a humanidade e o poder da morte que avança. Além disso, o próprio Jesus no Getsêmani enfrentou a morte violenta que estava prestes a alcançá-lo, e orou assim: "Pai, afaste de mim este cálice!" (Mc 14,36). O Pai não afastou aquele cálice que Jesus, permanecendo fiel à sua vocação e à sua verdade, não podia deixar de beber.

Significativamente, porém, como atesta o Evangelho segundo Lucas, enviou a ele um mensageiro, um "anjo intérprete", para consolá-lo e apoiá-lo na provação (cf. Lc 22, 43). Poderíamos dizer que o Espírito Santo se tornou consolador de Jesus e, como ele o havia fortalecido no deserto diante da tentação do diabo, apoiou-o no momento de sua paixão e morte. Deus sempre responde à nossa oração, que devemos fazer insistentemente, sem falhar: não para cansar Deus, mas para invocá-lo ao nosso lado, para entrar no mistério de sua presença amorosa e acolher o Espírito Santo. Sim, porque Jesus disse: " Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" (Lc 11,13). Toda nossa oração dirigida a Deus é sempre epiclese, invocação da descida do Espírito; e se não somos libertados do mal, somos, no entanto, ajudados pelo próprio Espírito a atravessar por essa noite escura, sabendo que o Senhor está ao nosso lado. Como está escrito no salmo: "Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei" (Sl 91,15). É por isso que nestes dias em nossa oração, aquela a que o Papa convida, aquela espontânea dos crentes, pedimos que o Espírito Santo inspire nossa ação, nos apoie no cuidado dos necessitados e nos faça sentir a presença de Deus ao nosso lado. Mas uma forma simples como a usada pelo Papa - "Senhor, pare a epidemia!" - é um grito que Deus certamente escuta e entende; acima de tudo, é um grito que predispõe aqueles que o lançam a se entregarem com confiança no Senhor.

Na oração, é o nosso coração que quer estar próximo ao coração de Deus e as palavras devem ser entendidas com o coração. É por isso que podemos dizer: "Senhor, ajude-nos, afaste de nós a epidemia, faça a vida triunfar sobre a morte!" e, ao mesmo tempo, nos empenharmos a ser seus instrumentos nessa luta contra o mal. Hoje, o Papa Francisco nos chamou ao meio-dia para a oração comum do Pai Nosso, convidando todos os cristãos e todas as Igrejas: será uma intercessão que nos juntará no pedir a Deus os aqueles dons necessários e que ele, como um bom Pai, não vai nos negar. Vamos rezar juntos: "Livrai-nos do mal!".

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