O que a Covid-19 significa para a postura pró-vida da Igreja Católica

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27 Março 2020

Muitas coisas estão mudando agora, e uma das mais aparentes é que a pandemia da Covid-19 mudará as prioridades da agenda pró-vida da Igreja, forçando-a a se concentrar no quadro mais amplo da prevenção de doenças, e não apenas do aborto.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada em The Tablet, 26-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante sua Audiência transmitida ao vivo no dia 25 de março, o Papa Francisco disse que o ensino católico sobre a santidade da vida era mais necessário do que nunca no contexto do coronavírus. Ele se referia à encíclica Evangelium vitae, “O Evangelho da Vida”, de São João Paulo II, um documento de referência que enfatizou a oposição da Igreja ao aborto, à pena de morte, à eutanásia e ao assassinato.

“Hoje, encontramo-nos a relançar este ensinamento no contexto de uma pandemia que ameaça a vida humana e a economia mundial”, disse Francisco. “Uma situação que faz com que soem ainda mais exigentes as palavras com que a encíclica inicia.”

A encíclica começa afirmando que “o Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus” e deve ser “corajosamente anunciado” às pessoas de todos os tempos e culturas.

Proteger a vida freando a propagação da Covid-19 levou a Igreja a tomar medidas extraordinárias. Os ritos públicos foram suspensos em toda a Europa, e muitas igrejas foram fechadas. A natureza altamente contagiosa do coronavírus significa que compartilhar os sacramentos, que estão no coração da Igreja, pode colocar em risco a vida das pessoas.

Alguns disseram que as missas não deveriam ter sido canceladas. O cardeal Raymond Burke, uma das principais vozes da ala tradicionalista da Igreja, disse: “É essencial para nós, em todos os momentos e sobretudo em tempos de crise, ter acesso às nossas igrejas e capelas, aos sacramentos e às devoções e orações públicas”.

Enquanto isso, Rusty Reno, editor da revista First Things, questionou os confinamentos em muitos países, escrevendo: “Há muitas coisas mais importantes do que a sobrevivência física – amor, honra, beleza e fé”. O artigo de Reno argumenta que a deslocação de vidas causada pelos bloqueios simplesmente não vale a pena.

Aqui, ele faz eco ao presidente Donald Trump, que argumenta que a “cura” para o coronavírus não pode ser pior do que o problema. O presidente, que recebeu os aplausos de muitos católicos pela sua postura antiaborto, quer que a economia dos Estados Unidos volte a funcionar plenamente até a Páscoa, apesar das advertências de saúde.

Mas onde fica o ensinamento da Igreja a proteger toda a vida, desde a concepção até a morte natural? A crise exige decisões difíceis, mas uma postura que coloca a economia à frente da saúde pública não é pró-vida. E, embora o seu argumento seja bem-intencionado, o pedido do cardeal Burke vai contra todos os conselhos médicos.

A postura pró-vida deve encontrar uma forma de responder a uma situação em que, tragicamente, o fato de reunir pessoas para a missa custará vidas.

Tanto o cardeal Burke quanto a First Things são grandes ativistas pró-vida e contra o aborto, com base no ensino católico sobre a santidade da vida no útero. Mas a tradição da Igreja vai além de uma única questão, e a Covid-19 reforça isso dramaticamente.

Na realidade, o ensino católico sobre a vida não é apenas sobre o aborto: é uma “túnica sem costura” em que a campanha para parar o aborto caminha lado a lado da proteção de crianças refugiadas e da pena de morte. Com o coronavírus, a túnica está sendo estendida para impedir a propagação de doenças e salvar vidas.

Como o papa disse na quarta-feira, “a vida que somos chamados a promover e a defender não é um conceito abstrato, mas se manifesta sempre em uma pessoa de carne e osso: um menino recém-concebido, um pobre marginalizado, um doente sozinho e desanimado ou em estado terminal, alguém que perdeu o emprego ou não consegue encontrá-lo, um migrante rejeitado ou guetizado”.

 

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