Um olhar aprofundado sobre a polêmica em torno dos convertidos que criticam Francisco

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18 Agosto 2017

Há muito poucas coisas nesta vida mais gratificantes a um colunista do que escrever uma frase que acenda uma polêmica.
Quando fiz referência a um vídeo onde debatem Austen Ivereigh (do projeto Catholic Voices) e Matthew Schmitz (da revista First Things), eu não tive a intenção de dar início a uma controvérsia.

No vídeo, Schmitz acusa o Papa Francisco de “edificar o seu programa de uma suposta reforma à custa não só da Igreja como também à custa de seus membros mais vulneráveis, filhos que foram deixados órfãos pela cultura do divórcio e de um segundo casamento, abandonados por nós na década de 1960 e pela geração baby boomer”.

O artigo é de Michael Sean Winters, publicado por National Catholic Reporter, 16-08-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nos Estados Unidos, o índice de divórcios começou a aumentar na década de 1950, na verdade. Quando Schmitz disse que este papado representa “uma represália do passado”, eu ergui minhas mãos ao alto. Como Ivereigh, achei “ridículas” as afirmações de Schmitz. Assim, ao fazer referência ao vídeo manifestei a queixa de que estou cansado de ouvir pessoas convertidas ao catolicismo (Schmitz, Rusty Reno, Ross Douthat, entre outros) ficarem julgando o papa da Igreja a que eles recentemente se juntaram. Na realidade, a minha frase foi: “Estou tão cansado de ouvir de pessoas convertidas dizerem que o papa não é católico”.

Em seguida, o mundo veio abaixo. Fui acusado de atacar os que se convertem ao catolicismo, quando qualquer um pode discernir, no contexto de minha afirmação, que eu escrevia somente sobre os convertidos que acusam o papa. Schmitz se queixou dizendo que ele não afirmara que “o papa não era católico”, mas sim que o papa promovia a heresia. Ora, a heresia antinomista, e tenho certeza de que ele aprendeu isso nas aulas a convertidos adultos, exclui a pessoa da Igreja. Schmitz é também o editor literário de uma revista que recentemente publicou um artigo que assim dizia: “A frase ‘O papa é católico?’ costumava ser uma resposta, não uma pergunta”.

Essa polêmica neste momento produziu dois comentários perspicazes aos quais gostaria de chamar a atenção. Na revista Commonweal, Massimo Faggioli volta o seu olhar aguçado de teólogo para as diferenças entre os católicos de berço que ele encontrou aqui nos EUA e aquelas pessoas convertidas ao catolicismo. Ele também observa a forma como a safra atual dos convertidos, desde o Vaticano II, entra para a Igreja numa época de “crise da eclesiologia católica” e nota como a entrada destas pessoas toca no modo como todos os católicos entendem as diferenças entre a era pré-Vaticano II e a era pós-Vaticano II. Como todas as contribuições de Faggioli, temos aqui uma contribuição incisiva e de profundidade teológica substancial maior do que eu posso dar a esse ou a qualquer outro assunto. Tiro-lhe o meu chapéu.

Austen Ivereigh, que sofreu com as interrupções rudes de Schmitz durante a entrevista, publicou no sítio Crux:

Winter não fala mal dos que se convertem [ao catolicismo], mas apenas salienta a incongruência, digamos, dos que se unem à Igreja Católica em um fervor incandescente de Damasco, mais tarde anunciando ruidosamente, depois que um novo papa é eleito, que o pontífice não está fazendo aquilo que eles creem que os papas deveriam fazer.

Incongruência. É uma palavra moralmente neutra, o que é tanto uma vantagem quanto uma fraqueza.

Aparentemente, o artigo de Ivereigh irritou alguns e, desde então, ele publicou um pedido de desculpas, assim como o fez o editor do Crux. Para que fique claro, da mesma forma como a polêmica em torno do artigo da Civiltà sobre os católicos e evangélicos conservadores, esta controvérsia a respeito das pessoas convertidas a criticarem o papa não é – repito: não é – o resultado de se escrever algo errado ou ofensivo. Spadaro e Figueroa, eu próprio, Faggioli e Ivereigh irritamos certas pessoas por falarmos sobre um determinado assunto em específico. É por isso que está havendo toda essa discussão.

Quando disse que estava cansado de as pessoas convertidas atacarem o papa como sendo insuficiente, eu quis dizer exatamente o que afirmei e o fiz para registrar uma reclamação moral. Estes ataques são um incômodo da mesma forma que um convidado para uma janta é um incômodo ao se queixar que a sopa não está quente o suficiente, que a massa não está salgada o suficiente, que o bife passou do ponto e que eu não quis comprar o queixo favorito dele… Da mesma forma como estas queixas minimizam o trabalho que implica preparar um jantar, também aquelas queixas contra Francisco minimizam, a meu ver, o trabalho necessário para as conversões, o trabalho dos que se convertem e o trabalho daqueles de nós que nos voluntariamos para as aulas do rito de iniciação ao longo dos anos. Vejamos: a conversão não termina quando nos unimos à Igreja Católica. De certa forma, todos estamos constantemente nos convertendo a uma adesão sempre mais fiel a Cristo. É isso o que nos sugere a humildade, uma humildade que tem estado em falta nestas críticas ao Papa Francisco proferidas por pessoas que ainda são novatas.

Nas aulas do Ritual de Iniciação à Vida Cristã de Adultos – RICA, sempre digo: Vocês acham que somos nós quem está prestando-lhes ajuda, e realmente dá trabalho preparar as palestras, reunir-se semanalmente em grupo e depois individualmente com o candidato ou catecúmeno, participar de retiros, tirar as dúvidas, acompanhá-los e acompanhar os seus entes queridos neste processo que dura o ano inteiro. Mas, na verdade, são os candidatos e os catecúmenos que nos ajudam. Eles renovam a nossa fé. Essa dinâmica se assemelha com a que mencionei semana passada ao resenhar o livro do Pe. Lou Cameli, onde se lê que devemos não apenas evangelizar, mas também ser evangelizados; as duas coisas são simultâneas, não consecutivas. E, com efeito, as pessoas que passam pelo RICA invariavelmente se transformam nos membros mais ativos das nossas paróquias.

Isso não nos deve surpreender. As primeiras gerações dinâmicas de cristãos eram todas de pessoas convertidas. Na história da Igreja, pouquíssimos católicos de berço tiveram tanta influência na teologia católica quanto o teve Agostinho, ele próprio resultado de uma conversão. A Igreja nos EUA não tem uma fonte de orgulho maior do que a sua filha, convertida, Dorothy Day. E todos nós envolvidos no apostolado intelectual, especialmente nos países de língua inglesa, realizamos a nossa obra na sombra feliz e luminosa do convertido John Henry Newman.

Newman, evidentemente, também encontrou problemas depois de se converter, não com um papa, e sim com um concílio. Newman não apoiava a doutrina da infalibilidade papal em debate no Vaticano I. Mas tão logo foi adotada, ele superou as suas dificuldades com o dogma com base na força definidora da Igreja. Newman entendia que cabia a ele pensar com a Igreja, sentire cum ecclesia, e não o contrário. Quando tinha uma inquietação, manifestava-a de modo respeitoso, e quando tinha alguma dificuldade, ele não a anunciava publicamente com a intenção de difundir a semente da dúvida. Ele não acusou o papa de heresias. Não deu a entender que um cisma estava para acontecer e que era inevitável, em decorrência da teologia falha do papa. E, não devemos esquecer, o papa de seu tempo era Pio IX!

Ivereigh cita um amigo irlandês que voltou para a Igreja, portanto não exatamente um convertido. A citação vai ao cerne do problema e ecoa Newman:

Continuo vendo pessoas que parecem ter se convertido principalmente porque a Igreja ensina coisas que combinam com a visão ideológica delas, enquanto que, quando voltei a ela, voltei porque achava que a Igreja tinha a autoridade histórica para ensinar coisas mesmo se elas soassem malucas ou fossem inconvenientes”.

Autoridade histórica. Eis a crença que subjaz todos os nossos debates e argumentos particulares. Naturalmente, podemos, como Newman, acreditar que certas doutrinas precisam se desenvolver, mas, no final, todos nós católicos somos chamados a dizer e crer naquilo que os candidatos proferem na Vigília Pascal quando são recebidos na Igreja: “Creio e professo tudo o que a santa Igreja Católica crê, ensina e anuncia como revelado por Deus”. O tempo verbal importa aqui: é o tempo presente, não o tempo passado. A Igreja ainda acredita, ensina e anuncia. Acusar um papa de ele desenvolver um ensino da Igreja é como acusar um comediante de ser engraçado. É uma função do papa fazer o que ele faz, e se a pessoa não gosta do que ele tem a dizer, há maneiras de expressar esta inquietação, meios adequadamente humildes e não obnóxios.

Em momento algum sugeri que a arrogância em se tratando de fé limita-se aos recém-convertidos. Bem pelo contrário. A famosa hermenêutica da “caneta vermelha, caneta dourada”, de George Weigel, referente à encíclica do Papa Bento XVICaritas in Veritate”, evidenciava uma posição “mais católica do que o papa”. O artigo que escrevi na época, publicado na revista America, intitulava-se “New Heights of Hubris from George Weigel” (Novos níveis da arrogância por George Weigel, em tradução livre).
Tampouco a arrogância se limita à direita eclesial. A edição mais recente da revista National Catholic Reporter contém um editorial que inclui este trecho bastante revelador: “Fortemente encorajamos o diálogo entre os leigos e as lideranças eclesiásticas relativo a todos os temas da esfera sexual. Mas nós também reconhecemos que o diálogo pode ter os seus limites, em particular se as pessoas à frente da Igreja não demonstram uma abertura ao desenvolvimento do ensino católico sobre sexo e sexualidade”. Não houve chamado algum aos que se debatem com o – ou que divergem do – ensino da Igreja nesses assuntos para “demonstrar uma abertura” à possibilidade de que a Igreja possa ter algo a lhes ensinar.

Tenho certeza de que eu poderia, se esta fosse a minha inclinação, apontar uma meia dúzia ou mais de exemplos de arrogância jornalística que carregam o nome Michael Sean Winters subscrito. Porém deixo tarefas desagradáveis como esta aos meus críticos, e é essa crítica mútua o que evita que o jornalismo caia em um tédio profundo e é ela o que mantém vibrante discussão dentro da Igreja.

Numa análise final, eu pessoalmente inscrevo-me à eclesiologia de James Joyce: “Lá vem todo mundo”. E, embora ninguém entre todo mundo esteja livre das críticas, nem mesmo o papa, a perseguição implacável a ele por jornalistas cujas roupas ainda estão molhadas por terem nadadosno rio Tibre é algo que considero cansativo. Vou me esforçar para ser mais paciente, se eles trabalharem no sentido da submissão do intelecto e da vontade ao ensino da Igreja, conforme proclamado pelo Papa Francisco.

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