Qual será a “surpresa de verão” do Papa Francisco?

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08 Junho 2017

No programa semanal de rádio chamado “The Crux of the Matter”, Austen Ivereigh, Charles Collins e John Allen, do sítio Crux, debateram uma possível “surpresa de verão” do Papa Francisco: uma nova encíclica, um novo dogma mariano e uma mudança da guarda na Congregação para a Doutrina da Fé, respectivamente.

A reportagem é de John Allen, Austen Ivereigh e Charles Collins, publicada por Crux, 07-06-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o que sabemos que vai acontecer no Vaticano neste começo de verão 2017:

• O Papa Francisco fará uma viagem até o início de setembro, quando rumará para a Colômbia, e, por não ser um ano jubilar, não têm eventos maiores para preparar nestes próximos meses.

Francisco não tira férias, então não irá sair para um retiro em Castelgandolfo, nem para o norte da Itália, perto dos Alpes, como costumava fazer Bento XVI.

Francisco é um papa de surpresas e, com todo este tempo a seu dispor, ele certamente é capaz de tirar algo da cartola.

Isso posto, vale muito a pena considerar com quais “surpresas de verão” o Papa Francisco poderia nos brindar este ano.

Tal foi o tema de uma conversa na segunda-feira durante o “The Crux of the Matter”, programa semanal de rádio no The Catholic Channel, Sirius XM 129, produzido pelo Crux nos EUA. Nesse dia, estiveram reunidos Austen Ivereigh, correspondente do Crux e autor da biografia do papa “The Great Reformer: Francis and the Making of a Radical Pope”; Charles Collins, editor do Crux; e John Allen, editor do Crux e analista do Vaticano.

Todos os três foram para o diálogo sabendo que se tratava de uma iniciativa meramente especulativa, visto que, por definição, uma “surpresa” é algo que não sabemos o que será. Mesmo assim, a seguir trazemos o que cada um dos participantes pensou ser, no mínimo, plausível de se esperar nestes próximos meses.

Ivereigh disse que Francisco pode estar trabalhando em um importante documento magisterial, talvez na terceira encíclica de seu papado, depois de Lumen Fidei, de junho de 2013 (que Francisco reconheceu ser uma obra produzida na maior parte pelo Papa Bento XVI), e Laudato Si’, publicada em 2015 (dedicada ao cuidado da criação).

Segundo Ivereigh, seria um documento que assume como ponto de partida a situação dos migrantes e refugiados, uma das principais preocupações deste papa, porém ampliando o escopo para tratar da dinâmica da globalização neste começo de século XXI.

Além disso, Ivereigh crê que Francisco pode vir a nomear alguns dos “interesses” e “poderes” que, segundo disse repetidas vezes, estão por trás de uma forma desumana da globalização e que representa parte do que o papa chama de “cultura do descartável”.

Por sua vez, Collins trouxe uma possibilidade totalmente inesperada. Falou que há somente 10% de chance de ela acontecer, mas que mesmo assim vale a pena pensar a respeito: o Papa Francisco proclamaria um dogma de Maria como Corredentora, Mediadora de todas as Graças e Advogada.

Atribuir a Maria estes títulos é uma causa há bastante tempo desejada por membros da direita católica. Collins também diz que o papa tem uma forte devoção à Virgem Maria e, como pastor latino-americano, tem também um entendimento profundo da centralidade de Maria na espiritualidade católica tradicional.

Mais que isso, embora Collins não tenha se expressado nestas palavras, a proclamação destes dogmas marianos serviria também ao propósito político de garantir à direita católica de que o papa não lhes é hostil, algo que poderia render bons frutos no atual clima político dentro da Igreja.

Por fim, Allen lançou a ideia de que o Papa Francisco pode vir a substituir o cardeal alemão Gerhard Müller como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Müller está com apenas 69 anos, portanto não há motivos imediatos para lhe ser nomeado um sucessor. No entanto, Müller fora designado para este posto por Bento XVI em 2012, então, segundo os padrões vaticanos, o mandado de cinco anos à frente de um departamento está em fase final, e qualquer um percebe que Francisco e o prelado alemão não estão em plena sintonia em determinados assuntos, como as implicações do documento Amoris Laetitia para a questão contenciosa da Comunhão aos fiéis divorciados e recasados no civil.

Se quiser ser transparente por completo, Francisco nomearia o arcebispo argentino Víctor Manuel “Tucho” Fernández como o substituto de Müller, visto que é bastante óbvio que Fernández é a figura com quem Francisco conta quando quer uma avaliação teológica sobre algo. Entretanto, há bons motivos para crer que Francisco gosta de Fernández no lugar em que está hoje, livre dos labirintos vaticanos.

Neste caso, quem poderia ocupar o posto de Müller?

Allen propôs como candidato o Cardeal Sean O’Malley, de Boston, amplamente tido como o principal reformista da Igreja na questão dos abusos sexuais clericais. Posto que a congregação doutrinal também lida com as acusações de abuso contra o clero, se Francisco realmente quiser fazer uma mudança profunda nesse setor, não há alguém melhor do que O’Malley... e visto também que já tem alguém que lhe assessora em termos doutrinais, o papa não iria precisar de O’Malley para esta finalidade.

Para constar, ninguém mais achou provável este cenário.

É claro que não temos ideia do que Francisco fará nestes meses. O que sabemos, no entanto, é que ele é um papa ativista que está com tempo livre neste período de férias, portanto o melhor conselho seria simplesmente este: fique atento!

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