UISG: assembleia das superioras religiosas vai abordar a questão dos abusos

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04 Maio 2019

A União Internacional das Superioras Gerais abordará a questão dos abusos sofridos por religiosas, durante a sua assembleia plenária que ocorrerá em Roma na próxima semana (6 a 10 de maio). Há também expectativas em relação ao que o papa dirá na audiência que lhes concederá no último dia, depois que, nos últimos meses, Francisco recebeu as conclusões de um estudo sobre as diaconisas, que ele havia proposto precisamente no encontro anterior com a UISG, há três anos.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 02-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A questão dos abusos “não faz parte do programa oficial. Queremos que as superioras estejam livres para falar, mas haverá alguma coisa, vamos abordar isso entre nós”, explicou a Ir. Carmen Sammut, presidente da organização, por ocasião de um encontro com os jornalistas na Sala de Imprensa vaticana.

Quanto ao apelo publicado em novembro pela UISG, a religiosa maltesa recordou que, “se há uma irmã que foi abusada, ela deve denunciar isso à sua congregação, mas, às vezes, isso não é possível ou não é suficiente, e ela pode recorrer a nós, ela ou a sua superiora, e nós ouviremos para ver o que pode ser feito e, eventualmente, levar a questão para outro nível. Fizemos isso em alguns casos: não tivemos muitos casos, mas – sublinhou a Ir. Sammut – houve algumas irmãs que se dirigiram até nós, e nós as acompanhamos”.

Depois do apelo de novembro, a UISG enviou uma carta às delegadas de todo o mundo e realizou diversas conversas por Skype com religiosas dos diversos continentes e, embora não tenha havido uma “avalanche” de relatos, “falamos da possibilidade de elas nos escreverem se houve casos de abuso, não só sexual, mas também psicológico ou patrimonial, e obtivemos algumas respostas”, que foram “encaminhadas para outro nível”, uma superiora ou mesmo as autoridades civis, como indicado pelo apelo de novembro, de acordo com o desejo da pessoa envolvida.

O papel da UISG, continuado a religiosa, “é apoiar as lideranças das congregações, e não resolver casos individuais, mas o que queremos é educar os nossos membros sobre essa questão de modo que se torne mais simples falar disso. Falar disso com as coirmãs, para que elas também fiquem à vontade para falar disso”.

“Depois do encontro de fevereiro (do papa com os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo), por exemplo, quando eu visitei as minhas congregações, eu falei daquele encontro e depois perguntei diretamente sobre a questão nos encontros pessoais. Assim, minhas coirmãs podiam se sentir à vontade para falar disso”, continuou a Ir. Carmen.

“Esse tipo de educação e de formação dos nossos membros é muito importante. Uma boa formação também pode servir, por exemplo, para esclarecer que a obediência não é dizer ‘sim’ a quem abusa. A obediência religiosa é algo completamente diferente, reflete o desejo de viver o carisma da própria congregação. Também queremos ajudar as congregações que ainda não o fizeram a escrever protocolos e também um código de conduta para explicar bem como uma irmã deve se comportar nesses casos. E, finalmente, queremos criar uma comissão para abordar o tema da proteção dos menores. Queremos propor isso à USG, à União dos Superiores Gerais do sexo masculino, e vamos discutir sobre isso durante a plenária.”

Durante a audiência que o papa concederá à plenária da UISG na sexta-feira, 10 de maio, não se descarta que ele volte a falar da hipótese das diaconisas. Em maio de 2016, precisamente na audiência da plenária anterior da UISG, em resposta a uma pergunta das religiosas (“O que impede que a Igreja inclua mulheres entre os diáconos permanentes, assim como acontecia na Igreja primitiva? Por que não constituir uma comissão oficial que possa estudar a questão?”), o papa anunciou que constituiria uma comissão para estudar a questão histórica.

“Pouquíssimo tempo depois, o papa fez a comissão – explica a Ir. Sammut –, e sabemos que a comissão estudou, finalizou e entregou um relatório ao papa. Mas não temos certeza de qual será o próximo passo. Podemos supor que ele dirá algo a esse respeito durante a audiência, mas não temos certeza, ele é livre, e nós não temos pretensão sobre o que poderá acontecer. Vamos esperar. Por trás dessa questão – continua a religiosa –, porém, há uma questão que volta continuamente: qual é o lugar das mulheres na Igreja, como podemos estar em lugares onde as decisões são tomadas? E eu suponho que essa resposta virá, de um jeito ou de outro: essa é a minha esperança. Também devo dizer – conclui a presidente da UISG – que também é culpa das religiosas: eu tenho uma comunidade em um país no qual o bispo, que na sua diocese tem muitas outras congregações, convida as religiosas para participar dos encontros com o clero. E, uma vez, esse bispo me disse: ‘Só a sua congregação vem!’. Às vezes, também é nossa culpa que não tomamos o lugar que já nos foi dado.”

Mais em geral, “obviamente”, existe uma disparidade de gênero entre homens e mulheres na Igreja, observou a Ir. Carmen Sammut, “mas é uma questão cultural mais ampla na sociedade. Na área mediterrânea, por exemplo, há uma certa ideia patriarcal, pela qual não se pode dizer nada ao homem, uma ideia cultural que depende também da educação que demos aos nossos filhos, especialmente aos homens. Há muito trabalho a fazer, não só para as religiosas”.

De acordo com a freira, “nos dicastérios vaticanos, algumas coisas mudaram” nesses últimos seis anos. “Batemos nas portas, e as portas se abriram lentamente, por exemplo, com a presença das mulheres no Sínodo: no Sínodo sobre a família nós não tínhamos lugar, depois pedimos para diversos cardeais e, no fim, tínhamos três lugares. No Sínodo dos jovens, tínhamos três lugares sem pedi-los. Também fomos convidadas para as plenárias do Dicastério para a vida religiosa e, embora ainda não sejamos consultoras, esperamos que isso aconteça. As coisas mudam, e mudam na direção certa, de ambos os lados: nós assumimos o hábito de ir ao encontro deles para fazer as perguntas, e eles vêm até nós”.

E se, na conclusão do encontro sobre os abusos, em fevereiro, as religiosas da UISG expressaram a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, as mulheres também possam votar no Sínodo, esse não é um tema em pauta nessa assembleia: “Eu acho que existe uma reforma da Cúria em curso, lemos sobre isso nos jornais: não sabemos o que ela trará, mas esperamos que traga algo para as mulheres”.

A 21ª assembleia plenária da UISG, intitulada “Semeadoras de esperança profética”, ocorrerá de 6 a 10 de maio em Roma, no Hotel Ergife. Apresentada nessa quinta-feira na Sala de Imprensa vaticana pela Ir. Sammut, pela Ir. Anabela Carneiro e pela Ir. Donatella Zoia, ela também será uma oportunidade para refletir sobre como as religiosas podem ser sinais de esperança “em um mundo de divisões e guerras” e “para as muitas mulheres e crianças que sofrem”, disse a religiosa maltesa ao anunciar o evento.

Cerca de 850 superioras gerais participantes, provenientes de 80 países diferentes, buscarão respostas juntas para essas perguntas. Haverá 13 línguas oficiais e cerca de 40 convidados, entre palestrantes, representantes das Conferências continentais das religiosas e dos religiosos. As reflexões abordarão temas importantes como a interculturalidade, a visão de futuro da vida religiosa, a integridade da criação (Laudato si’), o diálogo inter-religioso. Por ocasião da audiência do papa, Francisco lançará a campanha pelos dez anos de Talitha Kum, intitulada “Nuns Healing Hearts [Freiras curando corações].

Na coletiva de imprensa, moderada pelo porta-voz vaticano, Alessandro Gisotti, também estava presente na sala Rita Pinci, nova coordenadora do “Donne Chiesa Mondo”, caderno feminino do jornal L’Osservatore Romano.

A União Internacional das Superioras Gerais é uma organização mundial de superioras gerais de congregações religiosas femininas, aprovada canonicamente. É um fórum internacional em que as superioras gerais compartilham experiências, trocam informações e se acompanham reciprocamente no desenvolvimento do seu serviço. Atualmente, conta com cerca de 1.900 membros de mais de 100 países, representando mais de 450.000 religiosas do mundo.

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