Sínodo e renovação das estruturas: começar pela base

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06 Novembro 2018

Para quem está nas “periferias” e ou trabalhando diretamente com jovens. O documento final do Sínodo não apresenta grandes novidades. Não expressa nada muito além do que já é sentido no dia a dia de quem caminha com a juventude e nas paróquias em geral. Entretanto, o texto se agiganta no que diz respeito ao seu realismo ao referir-se às paróquias e estruturas eclesiais que, muitas vezes, são mais empecilhos do que instrumentos para que o jovem faça profunda experiência de fé.

O comentário é da Ir. Valéria Andrade Leal, Religiosa pertencente ao Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus - ASCJ, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, especialista em Filosofia da Educação pela UFPR, graduada em Pedagogia pela mesma instituição. Atualmente é Gestora de Pastoral Escolar no SAGRADO - Rede de Educação, nos estados da região sul do Brasil e Assessora Eclesiástica do Setor Juventude na Arquidiocese de Curitiba.

Eis o texto.

Todo o processo sinodal mostrou-se coerente com a proposta do Papa Francisco: participativa, honesta e até polêmica, como o jovem gosta de ser. A presença e as contribuições dos jovens trouxeram para mais perto dos padres sinodais a realidade que para muitos não passa de análises e teorias escritas em análises de conjuntura, mas muito pouco “sentidas” de perto. Neste contexto, o texto buscou a conciliação entre várias ideias, assim como textos do Vaticano II. De um lado, isso pode indicar a pouca coragem de tocar em temas difíceis e tomar posições claras; de outro, deixa questões em aberto para que a discussão ainda continue, o que pode significar portas abertas, e deixa espaço para diferentes interpretações e, consequentemente, diferentes propostas de ação, o que pode ser um risco de retrocesso.

Para quem gosta de fórmulas prontas, o texto decepciona. O texto não apresenta um projeto de pastoral juvenil, apenas indica que o trabalho deve ser feito nas bases, considerando as diferentes realidades. A tônica, a meu ver, está na necessidade de mudança das estruturas, a começar pela paróquia. A princípio, isso também não é novidade na academia, entre teólogos. Todos sabem que a renovação paroquial é urgente, mas nem todos estão dispostos a realizá-la. Ainda se atua como alfândega do sagrado e não como casa do encontro. O documento, além de evidenciar ainda mais a mudança de uma Igreja no centro do mundo para a Igreja servidora, reconhece que ou ela assume sua missão como serviço, ou seu papel no mundo está fadado a ser cada vez mais insignificante. E ser insignificante não é apenas uma questão de perder espaços de poder, mas de perder oportunidades de anunciar o Reino e servir a humanidade, sua verdadeira identidade.

Importante também pensar que qualquer proposta mais concreta poderia esbarrar nas estruturas já existentes. Por isso, renovação paroquial, das estruturas clericais que lidam com a lógica do poder. Novos projetos em velhas estruturas totalizantes e clericais tendem a ser falidos, tornando os planejamentos pastorais, quando são feitos, cada vez mais desacreditados. A juventude mostra claramente que ou somos Igreja serviço ou não seremos presença significativa no mundo correndo o risco de ser até mesmo um empecilho para a experiência de fé. Não adianta falar de vocação, de acompanhamento, de protagonismo se o jovem não se sente acolhido na comunidade. É inútil falar de discernimento quando cada pessoa não é conhecida, reconhecida em sua individualidade e respeitada nos seus limites, mas apenas um número ou um tarefeiro na comunidade paroquial. Em um ambiente em que não acontece encontro real entre pessoas, é difícil que o jovem encontre Jesus.

O documento final, ao propor a sinodalidade como uma constante exige deixar estruturas cômodas, renunciar ao poder e a pretensão de posse da verdade para encontrar pessoas em sua caminhada rumo à santidade, verdadeira vocação cristã. É uma Igreja sem respostas prontas, disposta a aprender e construir junto.

Parabéns aos jovens que foram voz profética no processo sinodal, ajudando a Igreja a olhar para além de si mesma. Oxalá o texto ressoe nos quatro cantos da Igreja e promova nas comunidades o movimento de saída, para um novo pensar a partir das novas demandas sociais em que o Reino precisa ser semeado.

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