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30 Outubro 2018

Em seu documento final, o Sínodo ressalta a necessidade de envolver os jovens de forma mais ampla nos processos decisórios da Igreja

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada por La Croix International, 29-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

A assembleia do Sínodo sobre os Jovens foi concluída domingo, 28 de outubro, com uma carta direcionada aos jovens do mundo. O texto convoca a juventude a se envolver tanto na Igreja como na sociedade, que "precisa urgentemente de seu entusiasmo".

A carta se trata de uma breve síntese do documento final que foi adotado pelos bispos na noite anterior ao final de três semanas e meia de discussões.

No entanto, como o Papa Francisco observou num discurso improvisado após a votação do documento, ele não foi endereçado para "pessoas de fora".

"Nós somos o povo que o documento aborda", insistiu.

Neste sentido, o Papa Francisco procurou recordar aos padres sinodais as suas responsabilidades e o seu papel-chave na transmissão da experiência sinodal às suas igrejas locais.

Ele também procurou mudar das críticas ao documento, que alguns podem considerar decepcionante sob o argumento de que ele reflete muito pouco a contundência de alguns pontos que foram debatidos.

Por mais que todos os 167 parágrafos do documento de 55 páginas tenham sido aprovados por uma maioria de dois terços dos votantes, vários artigos, no entanto, levantaram objeções de um número significativo de bispos.

Alguns pontos de resistência

A resistência se deu, por exemplo, numa frase afirmando que "a moralidade sexual é frequentemente a causa da incompreensão e distanciamento da Igreja, que muitas vezes é percebida como um espaço de julgamento e condenação", embora isso tenha sido apontado pelos próprios jovens.

Da mesma forma aconteceu com relação à participação das mulheres na Igreja, que o documento diz ser uma "questão de justiça". O Sínodo recomenda a criação de "espaços no processo decisório, especialmente quando não envolvem especificamente responsabilidades ministeriais".

No entanto, foi a questão sobre acolher os homossexuais na Igreja que despertou a maior resistência: foram 65 votos contra, embora o texto não faça mais do que rejeitar "toda a discriminação ou violência com base sexual" e recomenda a promoção e desenvolvimento de "caminhos para o acompanhamento na fé das pessoas homossexuais."

Cabe às igrejas locais dar vida ao Sínodo

Olhando para além destas questões controversas, o documento final adota muitas ideias expressas durante a assembleia do Sínodo.

Ele aponta para a necessidade de uma maior presença da Igreja no mundo digital e para o maior envolvimento dos jovens nos processos decisórios. Também incentiva o envolvimento deles na política, na economia e pela justiça.

Como enfatiza o documento, agora é cabe às Conferências Episcopais e dioceses dar vida ao processo do Sínodo.

Depois da "fase preparatória" e da "fase comemorativa" que se deram nas últimas três semanas, entramos agora na "fase de implementação", que também deve ser "sinodal".

Dificuldades de implementar uma "Igreja sinodal"

Embora nenhuma instituição global que não seja a Igreja Católica tenha se disponibilizado por três semanas a ouvir os jovens, o exercício não foi alcançado sem alguma dificuldade.

O próprio método do Sínodo foi criticado. Um bispo lamentou a forma “quase sagrada" em que o documento de trabalho foi apresentado.

O objetivo dos organizadores do Sínodo era, evidentemente, encorajar os bispos a não rejeitarem a fase preparatória, sobretudo o que diz respeito às respostas dos jovens.

Mas o Sínodo também ilustrou uma dificuldade por parte dos Bispos para viver a "Igreja sinodal" convocada pelo Papa Francisco.

Além disso, houve também a questão das diversas realidades encontradas entre os jovens por todo o mundo, embora isso tenha sido exagerado por alguns bispos para evitar abordar diretamente outros problemas.

Para alguns bispos, particularmente os da África, a questão dos abusos sexuais também ofuscou a discussão principal.

Para evitar esse tipo de desvio, vários bispos consideraram a realização de sínodos continentais, com debates mais próximos das raízes dos problemas.

É exatamente isso que vai acontecer no Vaticano em 2019 com a realização da Assembleia Extraordinária do Sínodo sobre a Amazônia.

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