Os altos, baixos e distrações do Sínodo sobre os Jovens

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16 Outubro 2018

À medida que o sínodo de um mês sobre os jovens chega a metade de seu caminho, mais agitação tem acontecido fora do salão sinodal que no seu interior.

A reportagem é de Thomas Reese, publicada por Religion News Service, 15-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Enquanto bispos católicos de todo o mundo se reúnem no Vaticano para falar sobre jovens, o ditador norte-coreano Kim Jong Un convidou o Papa para uma visita, estimulando um debate sobre como o Papa deveria responder ao convite: ele pode visitar um ditador que não tem respeito pela liberdade religiosa? Irá ele, como o Presidente Trump, correr o risco de uma visita espontânea ou adiará a visita até que os seus diplomatas se preparem cuidadosamente para a reunião?

Outra coisa que ofuscou o brilho do Sínodo foi a forte defesa do Papa por parte do cardeal Marc Ouellet contra os ataques feitos pelo arcebispo Carlo Viganó, o ex-representante papal nos Estados Unidos. A carta de Ouellet para Viganò é a mais completa resposta do Vaticano até agora à alegação feita pelo arcebispo de que Francisco ignorou as sanções impostas pelo papa Bento XVI ao ex-cardeal Theodore McCarrick.

Ouellet, no entanto, reconheceu que há perguntas não respondidas sobre como McCarrick foi promovido na hierarquia sob João Paulo II.

Por último, no dia 12 de outubro, o Papa relutantemente aceitou a renúncia do cardeal Donald Wuerl como arcebispo de Washington, D.C.

Wuerl foi alvo de críticas pelo modo como lidou com os abusos sexuais do clero enquanto era bispo de Pittsburgh nos anos 1980 e 1990. Em uma carta a Wuerl, o Papa reconheceu que o bispo pode ter cometido erros, mas negou que ele estaria envolvido em encobrimento. Francisco também denunciou as "divisões estéreis semeadas pelo pai das mentiras que, tentando ferir o pastor, não quer outra coisa além de que as ovelhas se dispersem".

É difícil para um Sínodo competir com notícias como essas - especialmente um Sínodo que não lida com questões controversas, como a comunhão para católicos divorciados e recasados, como no último Sínodo.

A questão controversa sobre a qual os meios de comunicação querem falar - o escândalo dos abusos sexuais - não é oficialmente o tema do encontro. Os bispos reconhecem que seu próprio manejo da crise prejudicou gravemente a credibilidade da Igreja ao falar com os jovens, mas o assunto será mais amplamente tratado em Roma na reunião de fevereiro dos presidentes das conferências episcopais.

Enquanto isso, os aspectos positivos e negativos deste processo sinodal se tornaram evidentes.

Por um lado, todos os membros votantes do sínodo são homens. As mulheres presentes atuam apenas como especialistas e auditoras não votantes. Fora do Vaticano, a polícia italiana reprimiu uma manifestação em que mulheres cantavam: "Toc, Toc. Quem está na porta? Mais da metade da Igreja".

O problema é que, apesar do Sínodo incluir principalmente bispos, há também alguns padres e dois irmãos religiosos. Enquanto os bispos e padres são "clérigos ordenados" sob a lei da Igreja, os irmãos são leigos. A única diferença teológica ou canônica entre um irmão religioso e uma irmã religiosa é o gênero. Excluir as mulheres é, portanto, indefensável.

Se você não pode ter mulheres, só faz sentido se livrar dos padres e irmãos. De fato, livre-se dos cardeais e bispos da cúria romana, de modo que somente os bispos diocesanos sejam membros votantes do Sínodo.

Apesar desses problemas, o Sínodo desempenha uma função valiosa. Bispos de todo o mundo vindo até Roma trazem consigo informações de fora do Vaticano. Todos os bispos testemunham a experiência positiva de ouvir de prelados de diferentes países e culturas falar sobre a situação da Igreja.

A situação dos jovens é muito diferente em todo o mundo. A condição dos jovens refugiados, por exemplo, é bem diferente da dos jovens americanos brancos de classe média.

A variedade de condições culturais, políticas, econômicas e religiosas dos jovens em todo o mundo torna impossível aos padres sinodais apresentarem programas concretos para os jovens. Estes devem ser criados e implementados conforme a realidade local. Como resultado, o relatório final ou as recomendações do Sínodo 2018 provavelmente terão um tom geral.

O que pode ser mais importante do que o relatório é o que os representantes sinodais irão levar do sínodo - um processo para abordar problemas. Para o sínodo, o processo pode ser mais importante que o produto final.

Por exemplo, houve um extenso processo de consulta antes do encontro. No mês de março, o Papa se reuniu com jovens para obter sua contribuição. Houve também pesquisas on-line que aceitaram contribuições de milhares de jovens.

O documento de trabalho (Instrumentum Laboris) preparado antes do sínodo refletiu essas colaborações. Ele também estabeleceu uma metodologia de discernimento para abordar questões na Igreja. O discernimento é uma das palavras favoritas de Francisco, proveniente de sua formação jesuíta.

O documento afirma que o discernimento é "um modo de viver, um estilo, uma atitude fundamental e também um método de trabalho; é um caminho para caminharmos juntos, através do qual olhamos para a dinâmica social e cultural em que estamos inseridos, através dos olhos do discípulo."

Francisco gostaria que a Igreja se tornasse uma Igreja em discernimento.

O discernimento requer olhar para a realidade, ouvir as outras pessoas e refletir em espírito de oração sobre os valores cristãos antes de tomar uma decisão. O discernimento é exatamente o oposto de tomar decisões a partir de uma perspectiva ideológica, seja de esquerda ou de direita.

Assim, o maior fruto do Sínodo pode ser a metodologia. Vale ressaltar que muitos membros usaram a linguagem do discernimento em suas apresentações. Eles parecem tê-la internalizado. Se esse estilo se espalhar, o Sínodo 2018 terá sido um sucesso, embora ainda não lide com todos os desafios que a Igreja enfrenta em relação aos jovens.

Mas outros padres sinodais estavam céticos em relação a uma abordagem voltada ao "ouvir". Eles preferiram enfatizar a importância de um ensino claro. "Ouvir" implica que os bispos podem aprender algo com os jovens. E isso é difícil para pessoas que acham que têm todas as respostas.

Ouvir e ensinar, é claro, não são termos contraditórios, mas as palestras não vão se conectar com os jovens que querem ser ouvidos e que querem se envolver para descobrir um caminho para ser trilhado pela Igreja. Forçar respostas antigas nesta geração não está funcionando.

Se Francisco pode transformar a Igreja num corpo em discernimento ou não, continua sendo um mistério. Isso não é algo que possa ser comandado; deve ser livremente abraçado. Mas ele ser bem-sucedido ou não, irá determinar o futuro da Igreja, especialmente com os jovens.

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