A homilia do Papa na missa de encerramento do Sínodo traz lições para o Ministério LGBT

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30 Outubro 2018

O Sínodo encerrou no domingo com uma grande missa na Basílica de São Pedro, onde o Papa Francisco leu o trecho bíblico sobre Bartimeu, o cego de Jericó (Marcos 10:46-52). Sua homilia, em português, que está nas notas publicadas ontem salientou temas e mensagens do Sínodo que ele frequentemente menciona. Vários se aplicam a pessoas envolvidas no ministério católico LGBT.

O comentário é de Francis DeBernardo, publicado por New Ways Ministry, 29-10-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Descrevendo o apelo de Bartimeu por ajuda e as respostas de Jesus e seus discípulos, o Papa Francisco falou de um modelo de ministério que foi destacado várias vezes durante o Sínodo, que é facilmente aplicado ao Ministério LGBT:

"[Bartimeu] é cego e não tem ninguém para ouvi-lo. Jesus ouve seu apelo. Quando ele aborda a Jesus, ele deixa-o falar. Não era difícil adivinhar o que Bartimeu queria: claramente, uma pessoa cega quer ver ou recuperar a visão. Mas Jesus tem calma e o escuta. Este é o primeiro passo para ajudar no caminho da fé: ouvir. É o apostolado da escuta: ouvir antes de falar.”

"Na verdade, muitos dos que estavam com Jesus o repreendiam, para que se calasse (cf. v. 48). Para esses discípulos, alguém necessitado era um incômodo no caminho, inesperado e não planejado. Preferiam seu próprio cronograma ao do mestre, seu próprio discurso a ouvir os outros. Estavam seguindo a Jesus, mas tinham seus próprios planos em mente. Este é um risco contra o qual devemos nos proteger constantemente. No entanto, para Jesus, a voz dos que imploram por ajuda não é um incômodo, mas um desafio. Como é importante que escutemos a vida!"

O Papa apresentou um segundo passo para um ministério da escuta: estar presente para alguém e responder às suas necessidades, não a uma agenda particular do ministro. A resposta pastoral deve envolver ações, não apenas palavras:

"Depois de ouvir, um segundo passo na jornada da fé é ser o próximo. Olhemos para Jesus: ele não delega alguém da 'grande multidão' que o segue, vai pessoalmente ao encontro de Bartimeu. E pergunta: 'Que queres que te faça?" (v. 51). Que queres... –

Jesus fica completamente presente com Bartimeu; não tenta livrar-se dele. .... que te faça – não apenas falar, mas fazer algo; não conforme minhas próprias ideias preconcebidas, mas por você, na sua situação. É assim que Deus opera: envolve-se pessoalmente com o amor preferencial para cada pessoa. Por meio de suas ações, já comunica sua mensagem. Assim, a fé floresce na vida."

O Papa Francisco continua expandindo a ideia e rejeitando uma abordagem puramente doutrinária ao ministério e uma resposta de pura caridade que não esteja verdadeiramente enraizada no amor. Opta por "intimidade", solidariedade com a pessoa para quem se dirige o ministério:

"A fé passa pela vida. Quando se trata a fé puramente com fórmulas doutrinárias, corre-se o risco de falar apenas com a cabeça sem tocar o coração. E quando se preocupa apenas com a atividade, há o risco de tornar-se mera moralização e trabalho social.

A fé, na verdade, é a vida: é viver no amor de Deus, que mudou nossa vida. Não podemos escolher entre a doutrina e o ativismo. Somos chamados a realizar a obra de Deus ao seu modo: na proximidade, sendo fiel a Ele, estando em comunhão uns com os outros, ao lado de nossos irmãos e irmãs. Proximidade: é o segredo para comunicar o coração da fé, e não um aspecto secundário."

Ele define essa "proximidade" e detalha como podemos ser próximos:

"Ser próximo significa trazer a boa nova de Deus para a vida de nossos irmãos e irmãs. É um antídoto para a tentação de dar respostas fáceis e corrigir rapidamente. Perguntemo-nos se, como cristãos, somos capazes de ser próximos, sair do nosso círculo e abraçar os que não fazem parte do nosso grupo, a quem Deus tanto procura. Uma tentação frequentemente encontrada nas Escrituras sempre estará presente: a de lavar as mãos. É o que a multidão faz no Evangelho da passagem mencionada. É o que Caim fez com Abel e Pilatos com Jesus: lavaram as mãos. Mas queremos ser como Jesus e, como Ele, deixar as mãos sujas. Ele é o caminho (cf. Jo 14:6), parando para ouvir Bartimeu. Ele é a luz do mundo (cf. Jo 9:5), que se inclinou para ajudar um homem cego. Que percebamos que o Senhor deixou suas mãos sujas por cada um de nós."

O terceiro passo para o ministério é o testemunho:

"Consideremos os discípulos que, a pedido de Jesus, chamaram Bartimeu... Eles o fazem em nome de Jesus. Na verdade, dizem apenas três palavras, todas elas palavras de Jesus: 'Ânimo! Levante-se! Ele o está chamando' (v. 49). No Evangelho todo, apenas Jesus diz: 'Ânimo', pois só ele 'anima' os que prestam atenção nele. Apenas Ele diz: 'Levante-se' e cura em corpo e espírito. Apenas Jesus chama, transformando a vida daqueles que o seguem, ajudando a levantar quem está caído, trazendo a luz de Deus para a escuridão da vida. Tantas crianças e jovens, assim como Bartimeu, estão à procura de luz na vida. Estão à procura de amor verdadeiro. E como Bartimeu, que em meio à multidão gritou para Jesus, eles também buscam a vida, mas muitas vezes só encontram promessas e poucas pessoas que realmente se importam....

"[Jesus] nos envia adiante para dizer a cada pessoa: 'Deus está pedindo para você se permitir ser amado por Ele'. Quantas vezes, em vez desta mensagem libertadora de salvação, levamos à Igreja nós próprios e nossas próprias 'receitas' e 'rótulos'. Quantas vezes, em vez de fazer das palavras do Senhor as nossas, colocamos nossas próprias ideias como a sua palavra. Quantas vezes as pessoas sentem o peso das nossas instituições mais do que a presença amigável de Jesus."

Acredito que muitos na comunidade LGBT muitas vezes encontraram "poucas pessoas que realmente se importam" nas igrejas católicas porque quem fazia parte do ministério colocava seus próprios "rótulos" e impunha suas "receitas", quando o que precisavam era "a presença amigável de Jesus". Isso está mudando lentamente. Acho que a lição ministerial do Papa Francisco nesta homilia, além do espírito de abertura ao diálogo com que liderou o Sínodo, pode ajudar a levar a Igreja a se tornar um lugar mais acolhedor todas as pessoas amadas por Deus.

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