Evangelho de Marcos 10,46-52

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20 Outubro 2015

       Jesus curando o cego perto de Jericó.

Séc. XVII. Por Eustache Le Sueur, atualmente na Galeria Sanssouci,
em Potsdam, na Alemanha.

Chegaram a Jericó. Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. Na beira do caminho havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas. Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: «Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!» Muitos o repreenderam e mandaram que ficasse quieto.

Mas ele gritava mais ainda: «Filho de Davi, tem piedade de mim!» Então Jesus parou e disse: «Chamem o cego.» Eles chamaram o cego e disseram: «Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você.» O cego largou o manto, deu um pulo e foi até Jesus.

Então Jesus lhe perguntou: «O que você quer que eu faça por você?» O cego respondeu: «Mestre, eu quero ver de novo.» Jesus disse: «Pode ir, a sua fé curou você.» No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho.

(Correspondente ao 30º Domingo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico).

Que nossos ouvidos escutem

Há vários domingos que no Evangelho de Marcos lemos e apreciamos como Jesus dedica-se a formação dos discípulos.

Também vimos suas dificuldades para compreender sua mensagem. Para eles é impensável que o Messias que seria quem os libertaria da opressão dos romanos morra numa cruz, como um criminoso, despreciado, rejeitado pelo povo, e pelas autoridades opressoras dessa época.


Este ensino de Jesus reservado aos discípulos está situado entre o cego de Betsaida 8,22-26 e o cego de Jericó 10, 46-52, que é o texto que meditamos hoje. Neste período há um grande trabalho de Jesus para que seus seguidores tomem consciência da profundidade do mistério de sua pessoa e do alcance da sua missão.

Aparece um cego no início deste período (8,22) e outro quando estão saindo (10,52) em Jericó. “Parece que o cego de Betsaida representa onde os discípulos estão e o de Jericó representa onde os discípulos precisam chegar.”

Repassemos o texto que narra a primeira cura de um cego. Nele (8, 22-24) Marcos disse que acontece quando Jesus e seus discípulos chegam a Betsaida. O cego é levado até Jesus para ser curado: “levaram um cego e pediram que Jesus tocasse nele” (Mc 8,22). Ele depende das pessoas que o levam.

Então Jesus pegando-o da mão leva-o por fora do povoado e depois de cuspir nos olhos dele, “pôs as mãos sobre ele” (8,23).

Diante da resposta do homem Jesus pôs de novo as mãos sobre os olhos do homem e o evangelista disse que “enxergou claramente” e “ficou curado e enxergava todas as coisas com nitidez, mesmo de longo” (8,25).

Neste caso o cego passa da cegueira total e uma visão confusa “Estou vendo homens; parecem árvores que andam” e depois ele consegue ver claramente. 

“Ele é levado pelos amigos e no só responde ao que Jesus pergunta e, curado, toma o caminho a casa ”.

Hoje estamos diante da cura de outro cego, mas num contexto totalmente diferente. O cego está no meio da multidão e começa a gritar chamando Jesus apesar dos esforços daqueles que o repreendem para que fique quieto.

E a resposta do cego diante daqueles que tentam que passe despercebido e ainda gritar mais! Seus gritos chegam a Jesus que ao escutá-los manda-o chamar: “Chamem o cego” (10,49). 

Bartimeu, filho de Timeu, como disse o evangelho toma a iniciativa de gritar para Jesus tentando ir com seus gritos além daqueles que tentam silenciá-lo. É uma atitude diferente do outro cego apresentado no capítulo 8. 

Bartimeu está sentado na beira do caminho porque não podia entrar na cidade. Acreditava-se que estas enfermidades eram consequência de seus pecados e por isso as pessoas deviam ficar na beira do caminho pedindo esmola. Bartimeu é um mendigo que não pode fazer outra coisa que não isto!

Ele é o símbolo da marginação, mas ele não se resigna a ficar assim. Ele tenta superar esta situação e por isso quando soube que era Jesus de Nazareth que estava passando, ele chama-o gritando bem forte para ser escutado.

Podemos imaginar quantas esperanças alimentou este cego sentado na beira do caminho pelo qual iam os peregrinos para Jerusalém. Ele chama Jesus como o “Filho de Davi”, gritando bem forte e resumindo assim as esperanças do povo sofrido de Israel.

Quantas pessoas conhecemos que na sua limitação gritam bem forte para ser escutadas mesmo que haja outro grupo de pessoas que tentam calá-las. Essa multidão pode ser a multidão de ocupações que aqueles que nos achamos seguidores de Jesus temos e que não somos capazes de escutar esses gritos permanentes.

Pior ainda aqueles que se acham mais próximos e continuam sem ver nem escutar. Tantas vezes nós cristãos nos acostumamos e insensibilizamos acerca da realidade que está ao nosso lado gritando pela vida.

Nesse grito, podemos colocar todas aquelas pessoas que se encontram à margem da sociedade, necessitadas de que alguém lhes estenda uma mão, lhes dê uma oportunidade, olhe para elas, reconheça sua existência!

Indios e Bispo Erwin Kräutler (centro) marcham contra a hidrelétrica de Belo Monte
Fonte: www.survivalinternational.org

E Jesus agiu de maneira diferente de seus seguidores, ele se deixou tocar e comover pelo apelo do cego e não somente parou como também o chamou.

É assim como nos olha Jesus disse o Papa Francisco no seu discurso de apertura do Congresso Eucarística na Bolívia: “Jesus nos viu" do mesmo modo com que olhou para o cego Bartimeu, "sentados sobre as nossas dores, sobre as nossas misérias", disse Bergoglio falando reiterando que "não somos testemunhas de uma ideologia, de uma receita, de um modo de fazer teologia", mas "do amor curador e misericordioso de Jesus". (Disponível aqui nas notícias do dia 12/07/2015)

Francisco, na sua visita a Lampedusa em julho de 2013 ele dirá que "A globalização da indiferença nos tirou a capacidade de chorar".

"A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!"

 

Desde o início do seu papado ele nos exorta a não sermos presa da insensibilidade diante da dor, da indiferença diante das agonias e opressões de tantas pessoas, como acontece neste momento com os refugiados.

 

Podemos perguntar-nos hoje qual é nossa capacidade para escutar os gritos de todas as pessoas que estão na beira do caminho e que podemos acostumar-nos a elas como se fossem “parte da paisagem quotidiana”.

Fazemos parte dessa multidão que repreende o cego para que fique calado? Achamos que somos os conhecedores da fé e por isso pensamos que temos o poder para decidir quem está perto e quem deve ficar afastado dele?

Como somos discípulos de Jesus? O cego é convidado por Jesus para ser discípulo e por isso ele o segue pelo caminho!

Neste domingo peçamos ao Senhor que nosso caminho de discipulado nos leve ao encontro de tantos outros cegos que estão atirados nas ruas, nas praças, nas vilas, acordá-los e mostrar-lhes a luz, porque quem não vê precisa que alguém primeiro lhe fale, e faça sentir de outra maneira o aconchego, a beleza da luz.

Oração

Através deste simples poema abramos nosso coração a Jesus e deixemos que seu amor nos faça seguir Jesus para, assim, ser Luz do mundo.

Mendiga de amor

Preciso de Ti!
Sem merecê-lo,
sem ter nada para te oferecer.
Mas preciso de Ti!
Não é pelo que eu fiz
nem pelo que tenho amado
porque nada te compra.
Mas, Senhor,
eu necessito de ti!
Como uma pobre mendiga:
Tem compaixão de mim!

Referências

BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos (I). São Paulo: Loyola, 1990.

BRAVO, Carlos. Galiléia ano 30. Para ler o evangelho de Marcos. São Paulo: Paulinas, 1996.

EQUIPE DE REFLEXÃO BÍBLICA. Reconstruir relações num mundo ferido. Uma leitura de Marcos em perspectiva de relaçoes novas. CRB, 2008.

KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia, 1981.

GONZALEZ BUELTA, Benjamin: Salmos para sentir e saborear internamente as coisas. Disponível em:http://bit.ly/1ihhc1c 

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