Inédito. Papa pede que bispos dos EUA façam um retiro de uma semana para enfrentar escândalo e divisão

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25 Outubro 2018

Os bispos católicos dos EUA anunciaram no dia 23 de outubro que, a mando do Papa Francisco, se reunirão para um retiro de uma semana em Chicago, no próximo mês de janeiro.

A reportagem é de David Gibson, jornalista e diretor do Centro de Religião e Cultura da Universidade Fordham, publicada por Religion News Service, 24-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

A ação sem precedentes reflete a profundidade da crise que eles estão enfrentando com o escândalo dos abusos sexuais e as discussões de longa data dentro da hierarquia da Igreja americana.

O papa, inclusive, está enviando um sacerdote, frade capuchinho, o reverendo Raniero Cantalamessa, que detém o título de Pregador da Casa Pontifícia, para liderar o retiro assim como faz todos os anos na Quaresma para o pontífice e a Cúria Romana.

O cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston e presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, fez uma declaração agradecendo a Francisco pelo envio de Cantalamessa, que tem 84 anos e raramente viaja para o exterior "para servir como orientador do retiro onde nos reuniremos para rezar pelos intensos assuntos que estão diante de nós".

DiNardo está atualmente em Roma, juntamente com outros líderes da Igreja dos EUA, bem como mais de 260 outros bispos de todo o mundo, para o Sínodo de um mês dos líderes da Igreja global e várias dezenas de jovens, a fim de discutir a evangelização para os jovens.

As discussões do Sínodo são uma marca registrada da preferência do papa jesuíta por buscar reconciliação e soluções por meio de reflexão comum e diálogos francos.

De fato, foi Francisco quem sugeriu que toda a hierarquia dos EUA realizasse um retiro coletivo quando DiNardo e outros líderes se encontraram com ele no Vaticano, em setembro para pedir a ajuda de Francisco em meio à crise crescente pela qual passa a Igreja no país.

O cardeal de Chicago, Blase Cupich, que também está em Roma para o Sínodo, será o anfitrião oficial do retiro de janeiro no Seminário Mundelein, ao norte de Chicago.

Cupich, que é visto como um forte aliado de Francisco na hierarquia, disse que espera que todos os bispos e cardeais ativos, e muitos prelados aposentados, cerca de 250 a 300 bispos ao todo, participem do retiro de 2 a 8 de janeiro.

Cupich disse que o Papa Francisco "não quer que a gente apenas aborde a situação como um problema técnico".

"Este é um problema profundamente espiritual, e acho que ele realmente sabe do que está falando", disse ele. "Nós não deveríamos estar olhando apenas para o que devemos fazer neste momento, mas para quem somos e o que estamos nos tornando como uma conferência."

Os conservadores doutrinais e políticos passaram a dominar a hierarquia americana sob o longo pontificado de São João Paulo II, e, depois, no papado de oito anos do papa Bento XVI. Mas a eleição de Francisco em 2013 após a renúncia de Bento XVI sinalizou um novo caminho para a Igreja, em direção a uma abordagem mais aberta, inclusiva e pastoral.

O estilo de Francisco expôs e ampliou as divisões dentro da Igreja, já que muitos prelados americanos conservadores, leigos e a mídia católica se opuseram abertamente a seus esforços.

Essas tensões foram intensificadas por uma série de eventos que começaram em junho, quando Francisco ordenou que o aposentado Theodore McCarrick, um líder de longa data na Igreja dos EUA, tivesse uma vida de reclusão, oração e penitência depois que o Vaticano recebeu relatórios confiáveis de que McCarrick abusou sexualmente de um menino décadas atrás.

Descobriu-se, então, que McCarrick também tinha uma longa história de abusos sexuais com seminaristas quando era bispo e arcebispo em Nova Jersey. Em julho, Francisco o tirou do posto de cardeal - um passo quase sem precedentes - enquanto o julgamento canônico, que pode levar à excomunhão de McCarrick, continua.

Em agosto, as descobertas de uma investigação de dois anos, sobre abusos cometidos por padres católicos nas últimas sete décadas foram divulgadas pelo procurador geral da Pensilvânia. O relatório detalhou um legado horrível de mil crianças abusadas por cerca de 300 padres.

Mesmo que quase todos os abusos tenham acontecido anos atrás, os detalhes enfureceram os fiéis e o público geral, e levaram à renúncia deste mês do atual arcebispo de Washington, o cardeal Donald Wuerl, cujo modo de lidar com alguns casos de abuso, enquanto bispo de Pittsburgh por 20 anos, foi criticado no relatório.

Para complicar ainda mais as coisas, um ex-embaixador do Vaticano, ou núncio, o arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, acusou Francisco de encobrir McCarrick, embora McCarrick - que agora tem 88 anos - tenha se aposentado muito antes de Francisco se tornar papa em 2013.

Diante desse ataque de más notícias e credibilidade devastada, a hierarquia dos EUA se esforçou para elaborar um plano de ação antes de sua reunião administrativa anual em Baltimore, em novembro, que normalmente é um encontro de rotina de três dias.

Este ano, no entanto, os líderes da USCCB pretendem pressionar a aprovação de uma assembleia de leigos para denunciar o abuso sexual de adultos - na mesma linha das políticas bem sucedidas adotadas em 2002 para combater o abuso infantil -, padrões de conduta para os bispos, e políticas para lidar com os religiosos que se demitiram ou foram removidos por causa de abuso.

Cupich disse, na terça-feira, querer que os bispos exijam que todas as dioceses publiquem uma lista pública dos padres e bispos acusados de abuso em sua reunião de novembro. Até agora, apenas 50 das 190 dioceses divulgam os nomes dos acusados.

Cupich também quer que seus colegas cedam parte de sua zelosamente reservada autonomia, a um conselho independente de especialistas leigos que teriam autoridade para investigar qualquer bispo ou cardeal acusado de abuso ou de encobrir algum abuso.

"Acho que temos que agir", disse o cardeal. "Estamos em um momento decisivo. Temos que lidar com a questão da responsabilidade e prestação de contas dos bispos. Isso tem que acontecer. Temos que fazer todo o possível para entender que este é um momento decisivo, que a responsabilidade é fundamental, que ninguém está isento."

Cupich disse que sempre houve diferenças entre os bispos, assim como há divisões dentro da ampla Igreja americana.

"O importante é que, por um lado, deixamos as diferenças serem expressadas, mas também que estamos dispostos a aprender uns com os outros, percebendo que nenhum de nós tem a resposta absoluta", disse ele. "Nós precisamos encontrar um caminho juntos."

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