Scicluna diz que prestação de contas sobre os abusos deve estar na agenda da reunião de bispos em fevereiro

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09 Outubro 2018

O principal investigador do Vaticano sobre abuso sexual por parte do clero diz que a questão da responsabilidade pelos prelados católicos que lidam mal com as alegações de abuso deve ser discutida na cúpula do Papa Francisco em fevereiro com os presidentes das várias conferências de bispos do mundo.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 08-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

"Precisamos colocar na agenda não apenas a questão da prevenção, mas também a prestação de contas", disse o arcebispo maltês Charles Scicluna em uma entrevista coletiva no dia 8 de outubro: "Isso deveria estar na agenda".

"Nós, bispos, percebemos que somos responsáveis não apenas por Deus, mas também por nosso povo", disse Scicluna, ex-promotor da Congregação para a Doutrina da Fé. "Nós não somos apenas responsáveis em um nível pessoal por tudo o que fazemos, mas também somos responsáveis quando se trata de administração." Na primeira convocação desta ordem feita por um pontífice, Francisco convocou no mês passado todos os presidentes das conferencias episcopais para uma reunião de 21 a 24 de fevereiro, em Roma, sobre o tema de "proteção de menores".

Scicluna, que é arcebispo de Malta desde 2015, mas é frequentemente incumbido por Francisco de investigar alegações de abuso, falou sobre a próxima cúpula em uma coletiva durante o Sínodo dos Bispos de 3 a 28 de outubro, que está focando nas necessidades de jovens hoje.

Enquanto o arcebispo disse que o sínodo não é o "melhor fórum" para discutir detalhes sobre novas medidas que Francisco está considerando abordar sobre o abuso do clero - porque muitas outras questões também estão sendo discutidas - ele disse que muitos dos grupos de trabalho do encontro falaram sobre os efeitos do abuso.

"Sabemos que a maioria das vítimas são jovens", disse Scicluna. "Se você fala sobre jovens, você também tem que falar sobre suas feridas. E esta é uma infeliz ferida infligida pelas próprias pessoas que deveriam curar ao invés de ferir, então é mais do que trágico."

O arcebispo disse acreditar que as discussões sobre o abuso no sínodo, que está sendo assistido por 267 prelados, fortaleceram a mão de Francisco para lidar com a questão.

"Eu acho que quando o Santo Padre, cercado por uma boa representação de 260 bispos de todo o mundo, ouve o mesmo desejo de ir de belas palavras para ações, ele está obviamente empoderado para fazer o que ele realmente quer para a igreja, e isso é tornar a igreja um lugar mais seguro ", disse Scicluna.

A responsabilidade pelos bispos que lidam mal com as alegações contra o clero é um dos principais pedidos de sobreviventes dos abusos e de seus defensores há décadas. Na Igreja Católica, os bispos são o poder supremo em seu território, conhecido como diocese, tornando difícil para qualquer um que não seja o papa responsabilizá-los.

Em 2015, o Vaticano anunciou que Francisco havia aprovado a criação de um tribunal especial para julgar bispos que não lidam apropriadamente com acusações de abuso sexual do clero.

Mas esse tribunal nunca chegou a ser concretizado. Em 2016, o papa decidiu, em vez disso, dar aos quatro escritórios do Vaticano o poder de iniciar a remoção de bispos considerados negligentes em responder a casos de abuso.

Sobreviventes como a irlandesa Marie Collins questionaram essa decisão, dizendo que ela levou a um sistema não transparente, no qual não está claro se os bispos estão sendo responsabilizados.

"Sabemos que há uma grande expectativa por mais responsabilidade", disse Scicluna durante a coletiva de imprensa. "Como isso vai se desenvolver? Acho que precisamos confiar no papa Francisco para desenvolver um sistema em que haja mais responsabilidade".

O prelado disse que a cúpula de fevereiro terá uma "agenda longa" de questões a considerar. Um dos outros assuntos que ele disse que espera que sejam discutidos é a natureza global da crise dos abusos.

"Temos que perceber que isso não é um problema ligado a qualquer cultura ou qualquer parte geográfica do globo, como costumava ser dito", disse o arcebispo. "Eu acho que é um mito que tem que ser dissipado."

"Acho que precisamos nos unir para perceber que precisamos capacitar a nós mesmos e nossas comunidades para divulgar a conscientização sobre o abuso e também precisamos chegar à raiz desta questão", disse ele, identificando a raiz, assim como Francisco, no clericalismo.

"O que o papa diz quando fala sobre o clericalismo ... é que há uma perversão do ministério; olhando para o ministério como uma fonte de poder e não de serviço", disse Scicluna. "Isso é algo que precisamos resolver, porque precisamos ir à raiz das questões."

Listando outros assuntos, ele acrescentou: "Precisamos abordar a questão da formação do clero, a triagem do clero, a cooperação com as autoridades civis, mas, fundamentalmente, o empoderamento de nossas comunidades para dar uma resposta eficaz."

"Isso é algo que diz respeito a todos, em todos os lugares", disse ele.

Scicluna disse acreditar que a recente onda de revelações de abuso tornaria a igreja no mundo inteiro "realmente muito humilde".

"Há outro caminho para a humildade a não ser pela humilhação?" ele perguntou. "E é uma grande humilhação e vai nos deixar humildes".

"O que eu digo para as pessoas que não vão à Igreja porque dizem: 'Ei pessoal, vocês dizem uma coisa e fazem o oposto, você não se envergonha'?" perguntou ele em voz alta. "Eu acho que preciso dizer: 'Sim, você está certo, é uma vergonha para nós.' "

"Acho que não há outro caminho para o coração de um ser humano que tenha sido escandalizado do que pela humildade e penitência, e também pelo silêncio", disse Scicluna.

Questionado sobre o que diria a um jovem que sofreu abusos na Igreja, o arcebispo respondeu: "Tenho pouco a dizer. Prefiro chorar com eles, como aconteceu comigo muitas vezes. Ante essa tragédia, silêncio e lágrimas são a primeira resposta".

"Quando encontro vítimas ... sempre encontro uma grande sede, uma grande fome de justiça", disse ele. "É meu privilégio tentar ajudar a Igreja a entender a verdade e a dar justiça."

"Às vezes a justiça leva muito tempo para chegar", admitiu ele. "Este é um problema que causa muita dor ao Papa Francisco".

Scicluna disse que em seu trabalho em sua diocese ele aprendeu que ele deve pedir ajuda a especialistas leigos em lidar com casos de abuso.

"Eu não posso confiar apenas no meu julgamento", disse ele. "Há necessidade, então, assim como eu também sinto, de um grupo de especialistas leigos, que fazem a investigação e me dão uma direção para o julgamento." Um jornalista, notando um estudo recente que mostrou um forte declínio no ranking de aceitação de Francisco por parte dos americanos, perguntou a Scicluna o que ele diria àqueles que não confiam no papa para enfrentar a crise dos abusos.

"Dê tempo a ele", respondeu ele.

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