El Salvador. Aliado do homem por trás da morte de Romero se recusa a representar o país na canonização

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27 Setembro 2018

Um aliado próximo do homem que ordenou o assassinato do arcebispo salvadorenho Óscar Romero recusou a oportunidade de representar o governo de El Salvador na canonização de Romero no Vaticano no dia 14 de outubro e pediu que a legislatura retirasse a aprovação para enviar três delegados ao evento. De acordo com um relatório da agência de notícias salvadorenha El Faro, Francisco Merino, atual membro da assembleia legislativa de El Salvador e ex vice-presidente do país, citou a rejeição do público sobre a viagem e uma recomendação do atual arcebispo de San Salvador José Luis Escobar Alas, que em 23 de setembro pediu que os servidores públicos convidados para a canonização pagassem sua própria passagem.

A reportagem é de Maria Benevento, publicada por National Catholic Reporter, 26-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

A decisão de Merino, anunciada em 25 de setembro, chega cinco dias após o anúncio da viagem e um dia depois de El Faro ter relatado as conexões de Merino com o major Roberto D'Aubuisson, fundador do partido de direita ARENA. Um relatório da comissão da verdade das Nações Unidas sobre El Salvador descobriu que D'Aubuisson deu a ordem para o assassinato de Romero, que ocorreu enquanto o arcebispo celebrava a missa em 24 de março de 1980.

No dia 20 de setembro, em resposta à imprensa, Merino enfatizou que ele não pediu para ser incluído na viagem de canonização. Ele e seus colegas deputados Numan Salgado e Nidia Díaz foram escolhidos para comparecer no lugar do presidente da assembleia, Norman Quijano, que inicialmente recebeu o convite para participar, mas disse que suas responsabilidades não lhe davam tempo para viajar.

Salgado já havia recusado a viagem em 24 de setembro devido a preocupações com o uso de fundos públicos para enviar representantes a um evento religioso. Díaz ainda planeja participar da canonização.

O governo salvadorenho ainda não processou ninguém pelo assassinato de Romero, embora relatos da comissão da verdade, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e de um caso civil no Tribunal Distrital Federal dos EUA em Fresno, Califórnia, tenham nomeado os responsáveis. Alguns, como D'Aubuisson, que morreu de câncer em 1992, já estão mortos. O caso foi reaberto em 2017 depois que a Suprema Corte de El Salvador declarou, em 2016, inconstitucional a lei de anistia de 1993 que havia bloqueado os processos.

Documentos da CIA em El Salvador dizem que Merino conseguiu sua posição como vice-presidente salvadorenho, a partir de 1989, devido à defesa de D'Aubuisson. Eles também descrevem Merino como um financiador dos esquadrões da morte que aterrorizaram El Salvador durante a brutal guerra civil do país, que durou de 1980 a 1992.

Um relatório de 1999 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos afirma que Merino visitou o Batalhão Atlacatl em 11 de novembro de 1989, no mesmo dia em que acusou publicamente o padre jesuíta Ignacio Ellacuría, reitor da Universidade da América Central em El Salvador (UCA), de "ter envenenado as mentes da juventude de El Salvador".

Cinco dias depois, Ellacuría, cinco outros jesuítas da UCA, sua governanta e a filha dela foram assassinados pelo Batalhão Atlacatl.

Romero foi assassinado devido a sua grande franqueza em apoio aos pobres e em oposição à crescente violência no país da América Central, em grande parte perpetrada pelo governo. Ele foi morto apenas algumas semanas depois de enviar uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, pedindo que ele negasse ajuda aos militares de El Salvador e, no dia seguinte à homilia, transmitida por rádio, implorando aos soldados que desobedecessem a ordens imorais.

O papa Francisco declarou em fevereiro de 2015 que Romero morreu como um mártir da fé católica, autorizando sua beatificação em maio daquele ano. Em março de 2018, ele aprovou a declaração de um milagre atribuído à intercessão de Romero, abrindo caminho para sua canonização.

Romero será canonizado no Vaticano no dia 14 de outubro, ao lado do papa Paulo VI e de outros cinco durante o Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional.

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