Um relatório do Vaticano demonstra que Roberto D’Abuisson pagou pelo assassinato de Romero

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28 Março 2018

“Naquela época, as autoridades salvadorenhas não tinham interesse algum em lançar luz de maneira objetiva sobre o homicídio de Romero”. Um registro da Santa Sé, que foi utilizado no processo de canonização do arcebispo mártir, demonstra como o ex-maior Roberto D’Abuisson (ao qual jamais foi possível condenar) entregou mil colones a Walter Antonio Álvarez, suposto autor do disparo que acabou com a vida de Romero, no dia 24 de março de 1980.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 26 de março de 2018. A tradução é do Cepat.

O relatório está sendo utilizado por associações de direitos humanos para tentar reabrir a causa penal. De acordo com a informação, o assassino do arcebispo de San Salvador teria recebido mil colones por disparar contra o religioso.

O dinheiro foi entregue por D’Abuisson a Walter Antonio Álvarez, que um ano depois foi sequestrado por desconhecidos. Seu cadáver foi encontrado meses mais tarde, sem que o crime fosse investigado pelas autoridades salvadorenhas. Trata-se de mais uma prova que demonstra como, durante fins dos anos 70 e toda a década de 80, as autoridades do país centro-americano participou diretamente do martírio de muitos religiosos, de Rutilio Grande a Ellacuría.

O amplo registro, que inclui numerosas entrevistas e documentação sobre o magnicídio, é o documento base do processo de canonização de Romero, aos cuidados da Congregação da Causa dos Santos. Seus autores são Vicenzo Criscuolo, relator geral; Vicenzo Paglia, postulador da causa do mártir salvadorenho, e Roberto Morozzo Della Rocca, colaborador no relatório.

Segundo o mesmo, algumas semanas após o assassinato de Romero, no dia 7 de maio de 1980, D’Aubuisson foi preso na propriedade San Luis, em Santa Tecla, enquanto falava com outros militares e civis sobre um golpe de Estado que devia se efetuar em uma data indeterminada.

Entre os documentos apreendidos do ex-maior do exército, haveriam provas para o incriminar pela autoria intelectual do crime do arcebispo Romero, mas o processo judicial nunca prosperou.

O registro do Vaticano cita reiteradamente o relatório da Comissão da Verdade e que o crime de Romero foi perpetrado por quatro pessoas, reunidas no Hotel Camino Real, entre elas o sicário que fez um só disparo contra o arcebispo do exterior de uma igreja, pelo qual recebeu um pagamento de mil colones.
    
O Escritório de Direitos Humanos María Julia Hernández, antes Tutela Legal do Arcebispado, há alguns meses, apresentou um pedido formal para que se reabra a investigação do assassinato de dom Romero, ao considerar necessário que os autores intelectuais e materiais sejam levados à justiça.

O registro do Vaticano destaca que há depoimentos que “ficaram sem ser utilizados para fins processuais, pois naquela época as autoridades salvadorenhas não tinham interesse algum em lançar luz de maneira objetiva sobre o homicídio de Romero”.

 

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