El Salvador. Núncio quer Romero como “Doutor da Igreja”

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05 Maio 2018

O núncio de saída para de El Salvador, o arcebispo León Kalenga Badikebele (anunciado como novo núncio apostólico na Argentina), reiterou seu compromisso de lutar pelo reconhecimento de dom Oscar Romero como “Doutor da Igreja” em seu discurso de despedida à hierarquia da Igreja salvadorenha, incluindo todos os bispos, além de clero e religiosos do país. Em seu pronunciamento no sábado, 28 de abril, o arcebispo Kalenga insinuou que a canonização de Romero seria em Roma em outubro próximo. Além disso, ressaltou a possibilidade de o Papa Francisco ir ao “túmulo do santo” em uma visita relâmpago a San Salvador durante a sua viagem ao Panamá para a Jornada Mundial da Juventude em janeiro de 2019.

A reportagem é publicada por Super Martyrio, 30-04-2018. A tradução é de André Langer.

O arcebispo Kalenga disse que o “projeto sigiloso” quadripartite que deixará para o seu sucessor inclui: (1) a causa da canonização de dom Romero; (2) a causa da canonização do padre Rutilio Grande; (3) a causa de dom Romero como “Doutor da Igreja”; e (4) uma causa para o reconhecimento coletivo dos “santos mártires de El Salvador”.

De acordo com o prelado congolês, que conclui seu quinquênio como representante do Papa em El Salvador, espera-se que seu sucessor seja nomeado rapidamente, já que este deverá liderar os preparativos para a canonização de Romero, cujos detalhes finais serão definidos em um consistório do Papa com os cardeais, programado para o dia 19 de maio. Durante a missa de despedida, Kalenga foi reconhecido como alguém que “trabalhou incansavelmente” pela causa da canonização de Romero, inclusive através de seus esforços para unificar todos os grupos inspirados por Romero para evitar uma “guerra” entre os vários interesses.

A ideia sobre Romero como Doutor da Igreja foi lançada pelo padre Robert Pelton em uma conferência na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, em março de 2017. Dois meses depois, em maio de 2017, o arcebispo Kalenga assumiu o projeto e o fez seu. Durante a sua homilia na abertura da 36ª Assembleia do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), realizada em El Salvador, Kalenga, doutor em Direito Canônico, disse que promoveria o reconhecimento de Romero como Doutor da Igreja Universal, “arrancando espontânea e efusivamente uma grande salva de palmas” da assembleia, da qual participaram delegados de 22 países da América Latina e do Caribe, incluindo os Estados Unidos e o Canadá, de acordo com um informe do CELAM.

Em uma sessão para dar seguimento à ideia, realizada em março deste ano, o padre Steve Payne, estudioso do caso de Santa Teresinha de Lisieux, comentou o que precisa ser feito para levar adiante o caso de Romero. Em sua apresentação, o padre Payne explicou que o reconhecimento originalmente tinha um valor litúrgico para dar maior importância às festas de determinados santos no calendário da Igreja. No entanto, Romero, como mártir, já teria uma dignidade litúrgica superior à dos Doutores, disse o sacerdote, motivo pelo qual buscar um doutorado para Romero poderia ser visto como “dar uma medalha de prata olímpica a alguém que já ganhou uma de ouro na mesma competição”.

Portanto, o primeiro obstáculo a ser superado, segundo o padre Payne, seria estabelecer que Romero não rebaixado por ser mártir. O padre Payne destacou a evolução do conceito de doutores da Igreja, começando pelas primeiras seleções, que eram os “Padres da Igreja” – fundadores de importantes comunidades ou ramos eclesiais. Mais tarde, esse molde foi quebrado quando São Tomás de Aquino e São Boaventura foram reconhecidos sem terem vivido na era patrística e, mais recentemente, com o reconhecimento de mulheres e santas que não tiveram formação teológica formal, como Santa Teresinha de Lisieux, explicou o padre Payne. A julgar por essa evolução do conceito, o que importa é a importância dos ensinamentos da pessoa, e não qualquer outra característica de sua santidade. “Por este motivo, também um mártir no qual a Igreja reconhece a eminente doutrina pode ser elevado ao doutorado, apesar da prática histórica de não fazê-lo”, conclui uma análise publicada na influente revista jesuíta La Civiltà Cattolica pelo Pe. Giandomenico Mucci em 1997.

Sob esta ótica, o desafio seria estabelecer que Romero reúne os requisitos de eminens doctrina (doutrina eminente), segundo normas estabelecidas pelo Vaticano na década de 1980, incluindo a Constituição Apostólica Pastor Bonus de São João Paulo II ( 1988). Para ser reconhecido como doutor, um candidato deve oferecer algo original que lance uma nova luz sobre a revelação divina; seus escritos “devem ter exercido uma considerável influência sobre o pensamento da Igreja” durante um considerável período de tempo; seu ensino deve ter tanto uma relevância pastoral contemporânea como um valor perene, e deve ser um pouco mais do que apenas “um catequista ou pregador incansável, um grande asceta e servidor dos pobres, ou o principal promotor de um importante movimento ou devoção religiosa”, resumiu o padre Payne.

O caso para a doutrina eminente de Romero foi resumido pelo doutor em Filosofia e analista político chileno, Álvaro Ramis. “A proposta teológica, pastoral e ética tem valor universal para além do tempo em que viveu – comentou Ramis em uma conferência em Santiago no ano passado –, tem um valor na história da humanidade porque em Romero há a passagem da ortodoxia (apego à doutrina) à ortopráxis (a aplicação das boas doutrinas): dom Romero estabelece uma coerência entre a fé que professa e a prática cotidiana”.

Embora possa parecer pouco para estabelecer que Romero já teve influência significativa ‘por um período significativo’, seus promotores estão apostando que o vasto legado e influência de Romero será suficiente para preencher os requisitos e, talvez, o próprio Papa Francisco poderia declarar, ao canonizá-lo, que Romero é um exemplo pastoral para a Igreja.

Em suas palavras de despedida, o arcebispo Kalenga comentou que os seguidores de Romero celebrarão sua canonização, independentemente de “se o Papa a fizer aqui [em El Salvador], em Roma ou na lua”.

Pode-se dizer também que procurarão promovê-lo Doutor da Igreja, independentemente de se o processo seja rápido ou se estenda por décadas ou mesmo séculos.

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