Reação dura do Patriarcado de Moscou. Constantinopla nomeia dois exarcas em Kiev

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10 Setembro 2018

"No quadro dos preparativos para a concessão de autocefalia à Igreja ortodoxa ucraniana, o patriarcado ecumênico nomeou como seus exarcas em Kiev o Arcebispo Daniel de Pamphilon (Estados Unidos) e o Bispo Ilarion de Edmonton (Canadá), os quais já estão servindo sob o patriarcado ecumênico os fiéis ortodoxos ucranianos em seus respectivos países". É o comunicado, datado de 7 de setembro e assinado pelo secretaria do Sínodo, divulgado ontem no site do Patriarcado ecumênico.

A reportagem é de Giovanni Zavatta, publicada por L'Osservatore Romano, 08/09-09-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Com isso o arcebispo de Constantinopla, Bartolomeu, dá seguimento ao que foi anunciado há poucos dias na sinaxe dos metropolitas e arcebispos do Patriarcado reunido em Istambul, ou seja, a sua vontade de resolver a questão ucraniana. Uma responsabilidade e autoridade que a Igreja de Constantinopla considera ter-lhe sido conferida "pelos cânones sagrados", considerando que "a dependência canônica de Kiev de Constantinopla permaneceu constante e ininterrupta" através dos séculos. E considerando também que tal território - esta é a posição do Phanar - não faz canonicamente parte do patriarcado de Moscou.

Sabe-se que na Ucrânia existe uma Igreja ortodoxa autônoma, fundada em 1990 e hoje liderada pelo metropolita de Kiev, Onufry, considerada sob a jurisdição eclesiástica do patriarcado de Moscou e única a ter o seu próprio status canônico reconhecido pela comunhão ortodoxa oriental. Mas existe também o chamado patriarcado de Kiev, fundado em 1992 pelo metropolita Filarete, em decorrência da recusa do patriarcado de Moscou de conceder autocefalia à sua província eclesiástica na Ucrânia. Tal entidade, considerada por Moscou como cismática, repetidamente pediu para ter um reconhecimento oficial, apoiada recentemente nesse pedido pela Verkhovna Rada, o Parlamento ucraniano, que se manifestou pela criação de uma Igreja ortodoxa única no país.

Na sinaxe Bartolomeu, através de uma panorâmica histórica, tinha feito um relato sobre as dificuldades enfrentadas pela Igreja ortodoxa ucraniana, argumentando que tais questões não são um fenômeno recente e não foram criadas pelo patriarcado ecumênico, embora este último se sinta obrigado e tenha um “direito legítimo” para resolvê-las. Disso a decisão de aceitar o pedido do Patriarcado de Kiev e nomear os bispos ao trono ecumênico, para que estudem a possibilidade de conceder o status de autocefalia à Igreja ortodoxa ucraniana, também em virtude do fato de que "a missão do patriarcado ecumênico não consiste em impor novos princípios eclesiológicos, mas em preservar a verdade da fé, as tradições preciosas e os ensinamentos patrísticos estabelecidos muitos séculos atrás". Bartolomeu também fez referência a um ‘direito de apelo’ (ekkliton), "privilégio excepcional concedido pelo quarto concílio ecumênico", graças ao qual o Arcebispo de Constantinopla teria, só ele, o poder de "julgar e resolver conflitos entre bispos, clero e metropolitas dependentes de outros patriarcas".

Presumivelmente, a questão - embora a respeito não tenha sido difundida nem confirmada qualquer declaração oficial - foi o foco do encontro que aconteceu, em 31 de agosto, em Istambul, entre o patriarca ecumênico Bartolomeu e o patriarca de Moscou, Cirilo.

No último dia 23 de junho, uma delegação da Igreja ortodoxa ucraniana ligada ao patriarcado de Moscou também foi ao Phanar precisamente para analisar o problema. Dois dias mais tarde um comunicado de Kiev ressaltava a vontade de Bartolomeu de "resolver a questão do cisma ucraniano em consulta com as Igrejas ortodoxas irmãs locais."

A decisão do patriarcado ecumênico de nomear dois dos seus exarcas em Kiev foi duramente criticada tanto pela Igreja ortodoxa ucraniana como pelo patriarcado de Moscou. Para a primeira trata-se "uma violação flagrante do próprio território canônico"; além disso, tal decisão, afirma-se, também prejudicaria o segundo cânone do segundo concílio ecumênico de Constantinopla em que afirma - conforme Orthodoxie.com e Interfax-Religion - que "a menos de ser convidado a fazê-lo, os bispos nunca podem agir fora de sua diocese para eleições ou qualquer outro ato eclesiástico". Vladimir Legoyda, chefe do Departamento Sinodal para a Igreja, a sociedade e as relações com a mídia, falou em nome da Igreja ortodoxa russa. A nomeação, feita "sem um acordo" com Cirilo ou Onufry, "nada mais é que uma interferência sem precedentes no território canônico do patriarcado de Moscou." Essas ações "não podem ficar sem resposta", concluiu Legoyda.

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