Patriarcado de Moscou diz que a democracia de Constantinopla é irrelevante na vida da igreja

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28 Junho 2016

A Igreja Ortodoxa Russa relembra ao Patriarcado de Constantinopla sobre incomparabilidade de tradições da democracia com a tomada de decisões no Concílio.

A discussão começou com as palavras do arcebispo de Constantinopla, que deixou claro que todas as decisões tomadas pelo Concílio interortodoxo, em Creta, seriam obrigatórias para todas as Igrejas ortodoxas, incluindo as que não participaram. 

A informação é publicada por Interfax, 27-06-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

"Você vive em uma democracia. Todos podem votar. Agora, algumas pessoas decidem não votar. Isso significa que você não vive em uma democracia?" disse o Arcebispo Job de Telmessos, retomando os resultados da sessão da sexta-feira em resposta a um jornalista russo.

"Eu sinto que a atmosfera na ilha de Creta é tensa e é cansativo falar com os jornalistas. Mas eu acredito que comparar um Concílio da Igreja com o processo democrático não é proveitoso e é pouco relevante sendo trazida pelo presidente do Concílio", declarou ao Interfax-Religion o vice-chefe do Departamento de Relações Externas do Patriarcado de Moscou, o Arcipreste Nikolay Balashov.

"Não houve democracia na Igreja desde os primeiros séculos e não haverá", disse ele, explicando que a democracia é uma regra do povo e o poder na Igreja "pertence a Deus".

O padre diz que "se as regras da igreja forem avaliadas em correspondência com as normas democráticas, haverá um grande constrangimento".

"Qualquer democrata respeitado perguntaria ao Arcebispo Job sobre o início e o fim do mandato para o qual ele foi eleito. Do ponto de vista democrático, qualquer poder imutável é ruim. E nós não aceitamos mulheres como bispos, o que não é nada democrático", disse o oficial da Igreja Russa.

Ele relembra aos adversários de Constantinopla, de que uma diferença considerável em porcentagem significa uma vitória convincente na democracia, como no caso do Brexit, também discutido na conferência de imprensa de Creta.

"A Igreja tem mecanismos muito diferentes de tomada de decisão", destacou o padre, citando as palavras do primeiro Concílio Apostólico: "Pareceu bom ao Espírito Santo e a nós ..."

"Para que os bispos possam pontuar dessa maneira, é necessário ter unanimidade, comum acordo", disse o entrevistado.

Os líderes de dez das 14 Igrejas Ortodoxas participaram da reunião, que se tornaria o Conselho Pan-ortodoxo e foi realizada em Creta, de 20 a 25 de junho.

As Igrejas Búlgara, Antioquia, Georgiana, Sérvia e Russa pediram o adiamento do Concílio para resolver as divergências e finalizar os documentos. No entanto, o Patriarcado de Constantinopla rejeitou a iniciativa e insistiu que o Concílio fosse realizado na data pré-definida. Como resultado, essas igrejas, que representam a minoria do episcopado, do clero e dos fiéis do mundo ortodoxo, resolveram participar do Concílio.

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