Mensagem do Patriarca Bartolomeu, em preparação para a Páscoa

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20 Fevereiro 2018

Como o filho pródigo e o publicano dos Evangelhos, o cristão é chamado nesta hora "a viver de forma mais profunda a economia criativa e salvífica de Deus". Também porque "aquele que ama verdadeiramente a Deus, também ama o próximo e o distante e toda a criação". É isso que enfatiza o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, na mensagem divulgada em preparação da Santa Grande Quaresma. Um tempo importante - para o mundo ortodoxo a Quaresma terá início na segunda-feira 19, com a chamada "segunda-feira pura" - em que todo batizado é chamado a “combater a boa luta do ascetismo, voltando-se para a única coisa necessária” (Lucas,10, 42).

A informação é publicada por L'Osservatore Romano, 15/16-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em um mundo que parece rejeitar toda forma de ascetismo e sacrifício, "diante de atual profanação de vida e predomínio das formas de individualismo e eudemonismo", Bartolomeu relembrou que a Igreja Ortodoxa "insiste no período de quarenta dias de lutas espirituais e de venerável temperança para os próprios filhos, como preparação para a santa grande semana, a paixão e a cruz de Cristo, para que nos tornemos contempladores e compartilhemos de sua gloriosa ressurreição".

A Quaresma é, portanto, um tempo de escolhas. Por um lado, ressalva o patriarca ortodoxo, "estamos conscientes da trágica via sem saída que representa a grandiloquência autossalvífica do fariseu, a dureza de coração do filho mais velho da parábola do Filho Pródigo, a cruel indiferença com a fome, a sede, a nudez, a doença e o abandono do próximo, de acordo com a narrativa do evangelho sobre o juízo final". Pelo outro lado, "somos exortados a imitar a conversão e humildade do publicano, o retorno do filho pródigo para a casa do Pai e a confiança na sua graça, a imitar aqueles que usam de misericórdia para com os necessitados, a vida de oração de Gregory Palamas, o ascetismo de João, o Sinaíta e de Maria do Egito, e fortificada através da veneração dos ícones sagrados e a venerada Cruz, para chegar a um encontro pessoal com o Cristo ressuscitado dos mortos e doador de vida".

Não se trata, contudo, de um ascetismo que o cristão é chamado a desempenhar na solidão. Para Bartolomeu, "durante esse período abençoado, se revela com especial ênfase o caráter comunitário e social da vida espiritual". De fato, "não estamos sozinhos, não estamos sós diante de Deus. Nós não somos uma soma de indivíduos, mas uma comunhão de pessoas, para as quais "ser" significa "estar juntos". O ascetismo não é individual, mas um ato eclesiástico e um empreendimento, participação do fiel ao mistério e aos mistérios da Igreja, uma luta contra a philautia, exercício da filantropia, uso eucarística da criação, contribuição para a transfiguração do mundo". Nesse sentido, "é liberdade comum, virtude comum, bem comum, obediência comum à regra da Igreja". Na verdade, "não jejuamos como queremos individualmente, mas como a igreja estabelece. Nosso esforço ascético tem sentido no âmbito das nossas relações com os outros membros do corpo eclesiástico, como a participação nos acontecimentos e eventos que compõem a Igreja como comunidade de vida, como "viver a verdade em amor" (cfr. Ef. 4, 15). Inclusive porque, deve ser lembrado, "a espiritualidade ortodoxa está inseparavelmente ligada à participação de toda a liturgia da vida da Igreja, que tem seu ponto máximo na Divina Eucaristia, é devoção que é nutrida e adquire dimensão dentro ou através da Igreja".

No entanto, adverte Bartolomeu, a Grande Quaresma "não é um período de exaltação religiosa psicológica e de emoções superficiais". Na verdade, de acordo com o ponto de vista ortodoxo, a espiritualidade não nutre "uma depreciação dualista da matéria e do corpo". Pelo contrário, "espiritualidade é a impregnação de toda a nossa existência, espírito, mente e vontade, da alma e do nosso corpo, de toda a nossa vida, com o Espírito Santo, que é espírito de comunhão". E, novamente, "espiritualidade significa a ‘eclesiasticalização’ da nossa vida, uma vida inspirada e dirigida pelo Paráclito, sermos verdadeiramente portadores do Espírito, que pressupõe a nossa pessoal livre colaboração, a participação na vida sacramental da Igreja e uma vida divinamente inspirada".

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