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23 Junho 2018

“Os fiéis são preparados para a ação com os seus ouvidos engatilhados a um toque de clarim. Os bispos soarão a trombeta?”, convoca o editorial da revista americana National Catholic Reporter, 22-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o editorial.

Sobre as principais questões da atualidade — imigração, mudança climática, racismo, desigualdade de renda, para citar alguns — vemos extraordinários esforços para combater draconianas políticas federais draconianas que são a antítese das bem-aventuranças. Em esforços como Campanha dos Pobres renovada, estudantes contra a violência armada, e o Catholic Climate Covenant, vimos indivíduos e pequenos grupos se levantarem para confrontar aqueles que colocam o lucro acima de pessoas e aqueles que dirigem as agendas e os orçamentos públicos para longe do apoio ao bem comum para apoiarem os interesses corporativos e pessoais.

No último ano e meio, temos visto mais cidadãos marchando nas ruas do que em qualquer momento provavelmente nos últimos 30 anos, marchando contra o racismo e contra violência em nossas escolas, violência contra as mulheres e violência contra os imigrantes.

Estes esforços geram esperança. Pessoas de fé, incluindo católicos, têm se juntado a eles. Esforços locais e descentralizados têm aumentado a energia espiritual e moral da comunidade de fé de maneira que não vimos por uma década ou mais. É o momento oportuno para mover esses esforços para um novo patamar na agenda nacional. Para isso é necessário uma liderança moral firme.

Como católicos, esperamos dos nossos bispos esse tipo de liderança. Nossas estruturas, tradições e ensinamentos apontam para nossos bispos. Se alguma vez houve um tempo quando a comunidade católica dos Estados Unidos precisava de uma firme liderança moral de seus bispos, é agora. Será que os bispos aceitarão este desafio?

O Papa Francisco usa uma metáfora sobre liderança que vale a pena lembrar, a imagem bíblica do bom pastor. Às vezes um pastor leva o rebanho andando mais à frente. Outras vezes, o pastor caminha entre as ovelhas, e às vezes, o pastor deve seguir o rebanho, pois às vezes o rebanho sabe o caminho melhor do que o pastor. A mais recente reunião da Conferência Episcopal dos Estados Unidos sugere que este pode ser um tempo em que os bispos devem seguir o rebanho.

A reunião começou bem, com o presidente da conferência, cardeal Daniel DiNardo, fazendo uma declaração fortemente "condenando o uso da separação familiar na fronteira EUA-Mexico" e desafiando a decisão do Secretário de Justiça dos Estados Unidos em remover a violência doméstica como uma legítima justificativa legal para pessoas que procuram asilo nos Estados Unidos. DiNardo chamou o asilo de "um instrumento para preservar o direito à vida."

Palavras fortes para um bispo e um bom começo. Uma declaração mais forte ainda teria sido se corpo da Conferência aceitasse por unanimidade a sugestão do cardeal Joe Tobin de enviar uma delegação de bispos até a fronteira para "protestar contra o endurecimento do coração americano."

Mais forte ainda teria sido adiar a reunião e voar em massa para Brownsville, El Paso e Nogales, Texas e San Diego. Ainda, sobre a questão da imigração, na maior parte, os pastores estão caminhando entre o rebanho.

Os bispos escorregaram, no entanto, em deixar seu documento quadrienal em votação, "Forming Consciences for Faithful Citizenship" (Formar Consciências para uma Cidadania Fiel, em português). Não lançar um novo documento é, no mínimo, pouca visão e pode ser trágico. O bispo Robert McElroy de San Diego vê claramente que este poderia ser um tempo de metanoia, e os bispos estão em perigo de deixá-lo passar.

Os bispos falam deste documento como se tivesse sido escrito em 2015, mas na realidade ele foi trabalhado em 2007 e com apenas algumas alterações feitas desde então. Pense em tudo que aconteceu neste país desde 2007. Como McElroy diz, o documento atual não tem nada a dizer sobre momentos presentes "que nos traumatizam como país."

E pensar, também, como a doutrina social da Igreja tem desenvolvido desde então. Do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate, a Evangelii Gaudium e "Laudato Si' Sobre os Cuidados para a Casa Comum" e, mais recentemente, Gaudete et Exsultate de Francisco, que são documentos magistrais que desenvolveram a doutrina social, e nenhum deles é referenciado no documento atual. Não trazer esse ensinamento na experiência americana atual é uma injustiça para os católicos dos Estados Unidos.

Este grupo de bispos — com exceções individuais — parece relutante em aceitar agenda social de Francisco, que, além de abordar a imigração, destaca a mudança climática, a pobreza e a não-violência. Como um corpo, eles fizeram muito pouco para implementar Laudato Si'. O processo de elaboração, debate e aprovação de uma "Cidadania Fiel" forçaria os bispos a enfrentarem estes déficits e levaria a um caminho para restaurar o lugar deles como líderes moral.

Vamos ser claros aqui: nós não defendemos para uma revisada e reelaborada "Cidadania Fiel". Queremos — precisamos — de um documento completamente novo — um documento moral, se dirigindo, nas palavras de McElroy, às "principais questões sobre a consciência dos fiéis em relação a políticas públicas."

Na década de 1980, os bispos dos Estados Unidos leram os sinais dos tempos e emitiram documentos de ensino sobre armas nucleares e economia que formaram o pensamento social católico e a ação por grande parte de duas décadas. Tendo em conta os tempos em que vivemos hoje, uma nova “Cidadania Fiel" poderia ser um documento inovador da mesma forma que poderia inspirar os fiéis à ação. As pessoas estão clamando por esse tipo de liderança moral e vão encontrá-lo, com ou sem os bispos, mas, ter os bispos firmemente a bordo, impulsionaria a causa.

Outra metáfora bíblica vem à mente: "se a trombeta der um som incerto, quem estará preparado para a batalha?" (1 Coríntios 14:8). Os fiéis são preparados para a ação com os seus ouvidos engatilhados a um toque de clarim. Os bispos soarão a trombeta?

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