Bispos dos EUA em busca de um líder ao estilo de Francisco

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12 Novembro 2013

É o National Catholic Reporter (NCR), uma das mais prestigiadas revistas católicas dos Estados Unidos, que oferece em um título o sentido do desafio que os bispos do país enfrentam a partir dessa segunda-feira até a próxima quinta-feira em Baltimore: "Com o voto, eles podem colocar em campo um novo estilo ou fechar-se como uma ostra". A votação é a do novo presidente da Conferência episcopal do país (USCCB), liderada nos últimos três anos pelo cardeal arcebispo de Nova York, Timothy Dolan.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 11-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora a importância do que está em jogo esteja na resposta a duas perguntas que, segundo o NCR, bispos e fiéis, juntos, se fazem há muito tempo tempo: "A nova USCCB terá uma liderança que continuará sendo definida por aquilo a que ela se opõe – as batalhas sobre o aborto, a eutanásia, os casais homossexuais – ou irá abraçar tons e estilos próprios do Papa Francisco?".

No fundo, há também a linha de que a nova liderança irá assumir com relação a Obama. Em 2012, Dolan foi para Tampa, na Flórida, para abençoar a Convenção Nacional Republicana, que consagrou a candidatura do conservador Mitt Romney. Para muitos, a sua chegada, embora simbólica, era um bumerangue, porque pareceu remover da Igreja as vestes da equidistância.

É claro que nenhum dos bispos norte-americanos consideram Jorge Mario Bergoglio um papa "liberal", defensor de drásticas aberturas sobre temas decisivos. Mas todos estão conscientes de que um novo estilo – "antes o Evangelho, depois os princípios", definiu o seu amigo teólogo Víctor Manuel Fernández – foi assumido hoje em Roma.

"Eu tenho a impressão de que Jesus foi encerrado dentro da Igreja e que bate porque quer sair", são as palavras que, segundo o cardeal de Lyon, Philippe Barbarin, Bergoglio pronunciou antes do conclave e que convenceu a todos, até mesmo os "reformistas" norte-americanos, a votar nele. Embora, justamente dos Estados Unidos, se levantaram nos últimos meses, por parte de Charles Chaput, arcebispo conservador da Filadélfia, considerações que admitiam uma certa "insatisfação" pela eleição de Bergoglio por parte – são as palavras do próprio prelado – da "ala direita da Igreja".

Há um costume segundo o qual quem é eleito como chefe dos bispos norte-americanos é aquele que, no mandato anterior, era vice-presidente. Apenas duas vezes esse costume foi rompido. Em 1960 e três anos atrás, quando Dolan, surpreendentemente, levou a melhor sobre Gerald F. Kicanas, bispo de Tucson, considerado de uma linha mais aberta.

A biografia de Francisco publicada no Vatican.va fala claramente: "A pior coisa que pode acontecer na Igreja – explicou o papa várias vezes – 'é aquela que o teólogo Henri de Lubac chama de mundanidade espiritual', que significa colocar no centro a si mesmos'". Cabe aos bispos, nas próximas horas, ter em mente, durante a votação, essas intuições.

Não há nenhuma indicação acerca do fato de que Bergoglio conheça os escritos do falecido cardeal de Chicago, Joseph Bernardin, que morreu depois de ter sofrido a vergonha das acusações de pedofilia que depois foram provadas como totalmente falsas. No entanto, é opinião compartilhada entre diversos bispos do país que é preciso olhar para a sua figura.

Para muitos, Bernardin foi um Bergoglio ante litteram: ele pregava a necessidade de que a Igreja estivesse ao lado dos pobres "desde o ventre até a sepultura" e buscasse sempre o caminho para curar as divisões internas da Igreja. Três anos atrás, Kicanas foi considerado muito semelhante a Bernardin e, portanto, rejeitado. Hoje, porém, a perspectiva parece estar invertida.

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