Uma pauta de Francisco para os bispos dos Estados Unidos

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08 Novembro 2016

Durante a segunda semana de novembro, acontecerá a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), em Baltimore, para avaliar um plano estratégico e implementar suas prioridades em conferência. No último novembro, quando os bispos definiram suas prioridades, alguns deles indicaram que elas pareciam pouco influenciadas pelo papado de Francisco.

A reportagem é do jornalista e jesuíta norte-americano Thomas Reese, publicada por National Catholic Reporter, 03-11-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

As prioridades que eles selecionaram foram:

  • Evangelização: Escancarar as portas para Cristo através do discipulado missionário e de encontros pessoais.
  • Família e casamento: Encorajar e curar as famílias; inspirar os católicos a abraçar o sacramento do matrimônio.
  • Vida e dignidade humanas: Apoiar a santidade da vida humana desde a concepção até a morte natural, dando especial atenção aos pobres e vulneráveis.
  • Vocações e formação contínua: Encorajar as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, além de prover significativa formação contínua para o clero, ministros leigos e religiosos.
  • Liberdade religiosa: Promover e defender a liberdade para servir, testemunhar e adorar, nos EUA e no exterior.

"Mesmo que eu não conseguisse encontrar qualquer problema real com as cinco prioridades", disse o Arcebispo de Indianápolis e Cardeal designado, Joseph Tobin, na primavera de 2015: "Eu pensei que eles estavam muito próximos de uma reafirmação das prioridades que esta entidade adotou no passado. E eu estava preocupado que a novidade que o Papa Francisco está trazendo para a igreja mundial... não seria refletida nessas prioridades".

Em outras palavras, não há nada particularmente errado com essas prioridades, mas elas não parecem ter vindo do Papa Francisco. Elas poderiam ter sido escritas antes de ele se tornar papa.

Ano passado, sugeri que um conjunto das prioridades de Francisco poderia ser mais parecido com isto:

  • Uma Igreja pobre para os pobres
  • A Igreja como um hospital de campanha, uma Igreja de misericórdia e compaixão
  • A prática da sinodalidade em todos os níveis da igreja
  • O fim do clericalismo; o empoderamento dos leigos
  • A promoção da justiça, da paz e a proteção do meio ambiente

Ou, se os bispos quisessem ter prioridades em sincronia com o Papa Francisco, eles poderiam simplesmente listar os documentos de Francisco que eles quisessem implementar nos Estados Unidos:

É provavelmente muito tarde e muito embaraçoso para os bispos mudarem suas prioridades agora, mas seria útil se em sua conferência de novembro eles aprovassem uma resolução declarando suas prioridades e planos a serem implementadas dentro do espírito de Evangelii Gaudium, Laudato Si', Amoris Laetitia e o discurso do Papa aos Bispos norte-americanos.

Isto contribuiria bastante para responder aos críticos que dizem que os bispos norte-americanos estão fora de sincronia com o Papa Francisco. Isto iria colocá-los em concordância com esses documentos, que estão definindo o papado de Francisco.

Tal resolução daria outro tom ao significado de "evangelização" e "casamento e família" nas prioridades da USCCB. Isso significaria que os programas de evangelização nos EUA devessem refletir o Evangelii Gaudium tom e conteúdo e que os programas sobre casamento e família, o de Amoris Laetitia. Todos os programas e políticas teriam de ser reexaminados para ver se refletem esses documentos.

Para Francisco, a evangelização "não se trata de pregar doutrinas complicadas, mas proclamar alegremente acerca de Cristo, que morreu e ressuscitou por nossa causa". Francisco também incentiva uma abordagem muito mais pastoral e menos condenatória em relação às pessoas. A maneira como a Igreja aborda e acompanha católicos divorciados, gays e os que discordam dos bispos, portanto, tem que mudar.

Da mesma forma, a prioridade "vida e dignidade humana" teria um significado diferente à luz do Evangelii Gaudium e do Laudato Si'. A preocupação com os pobres e marginalizados e os cuidados com o meio ambiente se tornariam características marcantes desta prioridade.

O Papa Francisco não tem um documento sobre "vocações e formação contínua", mas claramente vê essa temática como importante, uma vez que o Sínodo de Bispos de 2018 será sobre "juventude e vocações". No espírito de Francisco, os bispos norte-americanos precisam encorajar o diálogo na Igreja, em preparação para o Sínodo, uma conversa que inclua jovens com uma variedade de pontos de vista, especialmente o grande número de millennials, uma geração que está alienada da Igreja.

O Bispo Robert McElroy, de San Diego, compreende isso e indicou que o seu próximo sínodo diocesano vai se concentrar nos jovens adultos.

O Papa Francisco também não tem um documento sobre "liberdade religiosa". Como presidente da Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), tenho o prazer de ver os bispos preocupados com a liberdade religiosa no exterior. (As opiniões expressas aqui são de minha autoria e não representam necessariamente as opiniões da USCIRF).

As opiniões dos bispos sobre liberdade religiosa nos EUA são mais controversas. Talvez as palavras do Papa Francisco para os bispos sejam úteis tanto aqui como em outros lugares:

O caminho à frente, então, é o diálogo entre vós, o diálogo em seus presbitérios, o diálogo com os leigos, o diálogo com as famílias, o diálogo com a sociedade. Eu não posso nunca me cansar de encorajá-los a um diálogo sem medo... Uma linguagem dura e divisiva não é adequada para a fala de um pastor, não há lugar para isto em seu coração; embora possa momentaneamente parecer ganhar o dia, apenas o fascínio duradouro da bondade e do amor permanece verdadeiramente convincente.

A reunião da USCCB em novembro é uma oportunidade para os bispos entenderem os programas de Francisco e terem certeza de que a sua conferência está andando no mesmo caminho que Francisco. Simplesmente aceitar os mesmos programas desgastados sem questioná-los não será útil. Os bispos têm de mostrar que eles entendem o Papa Francisco e apoiam a sua mudança de rumo, uma direção que inclui mais diálogo, mais sensibilidade pastoral e mais compaixão.

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