REPAM faz balanço de 6 anos de caminhada, oferece perspectivas e apresenta seu novo secretário executivo

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15 Setembro 2020

Após seis anos de caminhada, a Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM realizou nos últimos meses um processo de discernimento que ajuda a continuar definindo o caminho a ser seguido no futuro. O nascimento da Conferência Eclesial da Amazônia - CEAMA, constituída em 29 de junho, vista como uma irmã da REPAM, que quer caminhar junto na mesma sinergia da sinodalidade, nas palavras do novo secretário executivo da REPAM, é uma nova experiência para a Igreja da Amazônia.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Precisamente com a chegada do novo secretário executivo da REPAM, o marista brasileiro João Gutemberg Sampaio, apresentado oficialmente pelo Cardeal Claudio Hummes na coletiva de imprensa realizada neste 14 de setembro, podemos dizer que é um ponto de inflexão, embora como reconheceu o presidente da REPAM, haverá um caminho de transição entre o novo secretário e aquele que até agora realizou este serviço, Mauricio López, a quem agradeceu junto com a equipe da secretaria executiva pelo trabalho realizado durante estes seis anos.

Não podemos esquecer que o serviço da REPAM é algo muito amplo, nas palavras do Cardeal Hummes, envolvendo muitas pessoas que trabalham na base, tanto nas circunscrições eclesiásticas como em espaços não eclesiásticos, como as comunidades indígenas, sempre na tentativa de estar entre as mais frágeis e vulneráveis. Esta presença na Amazônia é uma tarefa que o cardeal brasileiro vem realizando desde 2011, quando, ao retornar de Roma, onde havia sido Prefeito da Congregação do Clero, o episcopado brasileiro lhe pediu que presidisse a Comissão Episcopal da Amazônia.

Durante este tempo, o Cardeal Hummes disse ter visitado 38 circunscrições eclesiásticas na Amazônia brasileira, numa tentativa de participar das experiências do povo, de ouvir, de ver, de encorajar aqueles que vivem nas comunidades. Foi nesta jornada que nasceu a REPAM, em setembro de 2014, um serviço que quer articular o que existe, junto com aqueles que trabalham em favor da Amazônia, na preservação das riquezas e daqueles que ali vivem, especialmente os povos originários, que são sua maior riqueza.

Foto: Luis Miguel Modino

Hummes mostrou a importância do Papa Francisco para que a Amazônia tenha alcançado um papel relevante na Igreja e na sociedade mundial, destacando neste sentido o discurso que ele dirigiu aos bispos brasileiros no encontro que aconteceu no Rio de Janeiro por ocasião do Dia Mundial da Juventude em 2013. Nas palavras do Presidente da REPAM, o Papa Francisco sempre foi alguém que encorajou a avançar, dizendo que se pode cometer erros, mas que devemos ser corajosos.

Estes seis anos da REPAM foram um tempo de envolvimento, de presença no território, de escuta e, junto com as comunidades, construir os novos caminhos, nas palavras do Cardeal Hummes, que insistiu que "sentimos a presença de Deus e de seu Espírito todos os dias", convencido de que "a causa era muito maior do que as dificuldades enfrentadas". Tudo isso se concretizou no Sínodo, um momento em que o Papa quis ouvir os Bispos da Amazônia e traçar novos caminhos, um tempo de discernimento que teve como fruto o Documento Final, que o Papa pede que seja aplicado, e Querida Amazônia, onde "o Papa nos ofereceu seus sonhos, para ir além do cotidiano, porque se deixamos de sonhar, deixamos de ter esperança". Tudo isto, sabendo, nas palavras do purpurado, que "Deus foi o agente principal desse processo e continua sendo”.

A REPAM reúne tudo o que está sendo feito na Amazônia e tudo o que foi feito desde o início da Evangelização, disse o Cardeal Pedro Barreto na coletiva de imprensa. Segundo ele, a Conferência de Aparecida, onde o então Cardeal Bergoglio era o relator geral do Documento, mostrou a importância da Amazônia e a necessidade de criar uma pastoral de conjunto nos 9 países da Amazônia. Neste sentido, não podemos esquecer que foi em Aparecida onde, como ele reconheceu nos últimos dias, começou a conversão ecológica do Papa Francisco.

Barreto também se referiu à importância das palavras do Papa Francisco no encontro com os bispos brasileiros no Rio de Janeiro, onde novamente insistiu na importância da Amazônia e na criação de uma pastoral para a região. Neste sentido, o Cardeal peruano insiste que a REPAM foi definida desde o início como uma fonte de vida no coração da Igreja, como um organismo eclesial que conseguiu articular os esforços que estão sendo feitos, apoiados desde o início pelo Papa Francisco, para unir as diversas experiências em todo o bioma amazônico.

Nesta jornada, entre luzes e sombras, Deus nos iluminou e fortaleceu, e inspirou todo o processo sinodal, disse o vice-presidente da REPAM. O Cardeal salientou a importância de "nossos irmãos indígenas", que ele vê como "guardiães de nosso ambiente natural", que durante o Sínodo, desde a periferia, trouxeram sua vida e conhecimento ao centro do cristianismo. A missão da Igreja, que no Sínodo estabeleceu uma aliança com os povos originários, é acompanhá-los diante da invasão das grandes empresas, que está levando ao martírio dos defensores da Amazônia, lembrando o assassinato de um defensor ambiental no sábado passado em Puerto Maldonado, no Peru.

O Cardeal Barreto também quis agradecer ao Irmão João Gutemberg por ter aceito o serviço da secretaria executiva da REPAM, assim como "Mauricio López, que muito generosamente, junto com sua equipe, que o apoiou nestes anos, de forma muito generosa, nos faz sentir que nossa gratidão é para aprofundar a experiência que estamos vivendo". Em suas palavras, ele destacou a alegria que representa a criação da Conferência Eclesial da Amazônia, que ele vê como "um elo de comunhão direta com nosso Papa Francisco". Por esta razão, ele nos convidou a continuar sonhando juntos, com aquele Espírito de Deus que ele quer para nós, no meio das tempestades da vida, das dificuldades da pandemia, "para experimentar aquelas carícias de Deus e aquele alento que ele nos dá através de muitas pessoas, especialmente os mais pobres, os mais abandonados".

Foto: Luis Miguel Modino

Fazendo um balanço do que foi vivido até agora, Barreto quis agradecer aos irmãos indígenas por sua participação no processo de preparação e realização do Sínodo, "que pregam com suas vidas e com seu testemunho de que vale a pena cuidar da vida e cuidar de nosso ambiente natural". Olhando para o futuro, ele vê a REPAM como "um apoio muito importante de articulação no território para dar à Conferência Eclesial da Amazônia o apoio efetivo para que suas orientações, seus documentos, a implementação de todas as propostas, que o Sínodo ofereceu em seu Documento Final, possam ser colocados em prática de forma harmoniosa, de forma articulada". Finalmente, ele afirmou que a Querida Amazônia nos faz conscientes de que temos que trabalhar em dois aspectos, colocando em prática as orientações que nos foram dadas pelo Documento Final do Sínodo e continuando a sonhar com uma Amazônia onde os Direitos Humanos, suas culturas, o meio ambiente sejam respeitados e a Igreja seja um fermento de paz e justiça.

Em sua primeira intervenção como secretário executivo da REPAM, João Gutemberg Sampaio, após expressar sua gratidão pela confiança recebida, ressaltou a importância do trabalho em equipe, afirmando que "idealizar é muito bom, mas colocá-lo em prática requer muita criatividade e dedicação". O novo secretário também agradeceu à pessoa que ele considera seu grande amigo, diretor espiritual e conselheiro, Mauricio López, assim como sua equipe.

Olhando para o futuro, ele pediu "para continuar a nos encorajar e articular, porque infelizmente nossa querida Amazônia é também uma Amazônia que é consumida, invadida e destruída", apelando à unidade entre as comunidades eclesiais e as boas pessoas, a fim de "promover o cuidado e a proteção das comunidades humanas e de nossa diversidade ambiental, tão importante para toda a nossa vida no planeta, ouvindo o grito dos pobres, o grito da Terra". O novo secretário se apresentou como "um instrumento de conexão para que possamos continuar semeando luz e esperança em nossa Amazônia, e de nossa Amazônia, para muitos outros contextos do cenário planetário que precisam se amazonizar, para viver o bom relacionamento que os povos amazônicos têm com a Mãe Terra".

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