"O Documento Final e a Querida Amazônia exigirão um entendimento criativo e empático para além da Amazônia", diz cardeal Czerny

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Desmonte do SUS: decreto anuncia privatização da atenção básica em retrocesso histórico

    LER MAIS
  • Francisco desafia Trump com primeiro cardeal afro-americano

    LER MAIS
  • Surgem provas de que o Vaticano censurou o Papa Francisco em 2019

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


13 Fevereiro 2020

"Na introdução de Querida Amazônia, o papa Francisco explica que não quer substituir ou repetir o Documento Final do Sínodo. Mais que isso, apresenta-o. Reza para que toda a Igreja seja enriquecida e interpelada pelo trabalho do Sínodo", afirmou o cardeal Michael Czerny, s.j, na apresentação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia, na Sala de Imprensa do Vaticano, nesta quarta-feira, 12-02-2020.

Eis o comentário.

A Exortação começa com “Querida Amazônia”, como uma carta, uma carta de amor. Em seu coração está o amor do papa Francisco pela Amazônia e seus diferentes povos, de fato seu amor pelo mundo e toda sua gente. E correndo por ela está a verdade de que “Somente o que é amado pode ser salvo. Somente o que se abraça pode ser transformado”.

Alguém que ama não pode resistir a falar apaixonadamente sobre o amado. Nesse caso, a querida Amazônia obviamente tocou o Papa “com todo seu esplendor, seu drama e seu mistério” (§ 1), porém, ao mesmo tempo, a grande região está marcada pelo sofrimento e a destruição até o limite do desespero. O efeito sobre o papa Francisco é como o de um artista que descobre uma terrível beleza e, estimulado a contemplar e a criar, comunica agora uma nova epifania de beleza e sofrimentos, de vastas promessas e de grande perigo. Assim pois, sua cálida e atenta carta inclui necessariamente muitas denúncias contundentes de injustiças e muitas advertências de perigos, assim como convites urgentes a compartilhar seus sonhos e a responder.

Na introdução de Querida Amazônia, o papa Francisco explica que não quer substituir ou repetir o Documento Final do Sínodo. Mais que isso, apresenta-o. Reza para que toda a Igreja seja enriquecida e interpelada pelo trabalho do Sínodo.

O Papa insta a Igreja a um compromisso missionário renovado e inovador para acompanhar o povo da Amazônia em todos os desafios significativos que enfrentam. Pede a toda Igreja na Amazônia para que “se esforce por aplicar” o trabalho sinodal, e espera que todas as pessoas de boa vontade se inspirem no Documento Final e, certamente, no díptico que a acompanha, a bonita “Querida Amazônia”.

Qual é o lugar desses dois documentos? Onde se encaixam no magistério, o corpo do ensinamento oficial da Igreja? Permitam-me tratar de aplicar as normas geralmente aceitas na interpretação dos documentos do magistério.

Querida Amazônia é uma exortação pós-sinodal. É um documento magisterial. Pertence ao autêntico magistério do Sucessor de Pedro. Participa do seu magistério ordinário.

O "Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral" é o documento final de uma assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazônica. Como todo documento sinodal desse tipo, consistem em propostas que os Padres sinodais votaram para aprovar e entregaram ao Santo Padre. Ele, ao mesmo tempo, autorizou sua publicação com os votos que foram dados. No começo de Querida Amazônia, diz: “Quero apresentar oficialmente esse Documento que nos oferece as conclusões do Sínodo” (QA §3) e anima todos a lê-lo integralmente.

Portanto, além da autoridade magisterial formal, esta apresentação oficial e incentivo conferem ao Documento Final uma certa autoridade moral. Ignorar isso seria uma falta de obediência à autoridade legítima do Santo Padre, enquanto encontrar um ou outro ponto difícil não poderia ser considerado falta de fé.

Sendo um sínodo “especial” que se concentrava em uma região do mundo, o processo sinodal, o Documento Final e sua companheira Querida Amazônia, exigirão um entendimento criativo e empático para que suas lições sejam aplicadas além da Amazônia. Eles tocam a Igreja inteira e o mundo inteiro, embora não uniformemente. A Exortação Querida Amazônia, “pode ajudar a guiar-nos a uma recepção harmoniosa, criativa e frutífera de todo o caminho sinodal” (§ 2).

Portanto, temos dois documentos de dois tipos diferentes. O Documento Final é o fruto do processo sinodal, enquanto Querida Amazônia é a reflexão do Santo Padre sobre o processo sinodal e seu documento final. O primeiro, que consiste em propostas feitas e votadas pelos Padres sinodais, tem o peso de um documento sinodal final. O segundo, que reflete sobre todo o processo e seu documento final, tem a autoridade do magistério comum do Sucessor de Pedro.

O Papa reza para que “toda a Igreja seja enriquecida e desafiada pelo trabalho da assembleia sinodal”, que toda a Amazônia “esteja decidida a se inscrever”; e que todas as pessoas “de boa vontade” sejam inspiradas por ela “de alguma maneira” (§ 4).

Concluindo, o Papa Francisco encoraja “todos a avançar em caminhos concretos que transformarão a realidade da Amazônia e a libertarão dos males que a afligem” (§ 111).

Leia a íntegra da Exortação aqui.

Apresentação da Exortação Apostólica pós-Sinodal “Querida Amazônia”:

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

"O Documento Final e a Querida Amazônia exigirão um entendimento criativo e empático para além da Amazônia", diz cardeal Czerny - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV