O Sínodo é uma construção em comunidade e os ataques vêm de quem quer uma Igreja da sua própria perspectiva

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16 Janeiro 2020

A sinodalidade é uma dinâmica eclesial na qual é necessário que todos participem para alcançar o objetivo. O Papa Francisco sempre insistiu que as mudanças nascem de baixo, na Igreja, do Povo de Deus, a quem é essencial escutar, um exercício em que o atual Bispo de Roma é mestre e pode ser definido, entre outras qualificações, como o Papa da escuta.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Diante das tentativas de desestabilizar esse novo modo de ser Igreja, cada vez mais evidente por certos doutores da lei, que não estão dispostos a descer do salto, a sujar os pés, é necessário ficar com aquilo que é o importante, os diagnósticos, que o Papa Francisco tanto insistia, não com as pequenas coisas, algo em que ele próprio também abundava.

Essa nova dinâmica sinodal quer que todos colaborem, não é algo que brota da mente de alguém e sim o resultado de um processo comum, de uma construção coletiva, em comunidade, de um genuíno discernimento. O Sínodo para a Amazônia é um exemplo claro disso. Desde o início, partiu da escuta, especialmente às pessoas e à Igreja que caminha na região, eles foram os verdadeiros protagonistas de todo o processo, incluindo a assembleia sinodal, onde a tensão entre a periferia e o centro foi revelada. Isso demonstra o risco de querer opinar, inclusive impondo idéias, sobre situações especiais experimentadas na região, passando por cima de uma reflexão conjunta, nascida do amor à vontade de Deus, à vida da Igreja e dos povos, vítimas de realidades que não são facilmente compreendidas à distância.

Essa mesma maneira de caminhar quer ser a dinâmica a seguir na etapa pós assembleia sinodal, que terá seu pontapé inicial com a promulgação da Exortação Apostólica, que está sob revisão e correção. Não escapa a ninguém que esta Exortação terá respostas diferentes, mas não podemos esquecer que a Igreja está com o Papa Francisco, que a maioria dos bispos, agentes de pastoral e o Povo de Deus apoiam e acolhem com alegria e esperança suas palavras e orientação. Ele quer contar com todo mundo, e todo mundo, pelo menos a grande maioria, tem em conta o que ele diz.

O fundamental é que a Exortação chegue ao povo e o faça de maneira acessível, para que todos, também aqueles que não professam ou não praticam a fé cristã, ou que não fazem parte da Igreja Católica, possam ter conhecimento do que a Igreja deseja, expressado nas palavras do Santo Padre, que, sem dúvida, vai coletar tudo o que foi experimentado durante o processo sinodal, recolhido nos diferentes documentos, especialmente no Documento Final, que não é vinculativo, mas por uma questão da sinodalidade, isso deve ser levado em consideração na redação da Exortação, que deve ser publicada no final deste mês ou no começo de fevereiro.

Não esqueçamos que a palavra-chave deste documento, divulgado no final do trabalho da assembleia sinodal, é conversão, uma atitude fundamental para perceber os novos caminhos que o Papa Francisco deseja promover. Uma conversão que se expressa de diferentes perspectivas, resultado de tudo o que se escutou e se viveu. Somente a partir daí você poderá construir o necessário para responder aos desafios que a Igreja deve enfrentar neste momento histórico.

A melhor maneira de expressar esse caminho sinodal é envolver representantes de todos os estamentos eclesiais, não apenas aqueles que fazem parte da hierarquia. Não esqueçamos que na convocação do sínodo, em 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco disse que o objetivo era “encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta amazônica, um pulmão de importância fundamental para o nosso planeta”.

É importante se preparar para acolher esse novo elemento dentro do processo sinodal, a Exortação Apostólica, especialmente quem se diz católico, que faz parte de um Povo de Deus, do qual o alto clero também deve se sentir parte, mas também todas as pessoas de boa vontade preocupados com este território e seus povos e comunidades, e com o futuro do planeta. Essa é a melhor maneira de recebê-lo com fé, esperança, inteligência e eficácia, atitudes cada vez mais necessárias para viver o Evangelho e transmiti-lo a todos. Só então o mundo descobrirá nele uma fonte de vida plena para todos.

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